Contemplando o Anjo da Morte, a alma arrimada ao leito despedia-se enfim...

Quisera comentar as sensações derradeiras para os entes amados, no entanto, se contraíra a boca em amargo silêncio.

Tentava estender as mãos ansiosas e amigas aos que ficavam, contudo, enrijeciam-se-lhe os braços como se imobilizados em couraça de gelo.

Queria continuar a ver-se nas molhadas pupilas que se rodeavam, tristes, mas o pranto a cair-lhe dos olhos encovados suprimia-lhe, aos poucos, a bênção de visão.

Era a grande viagem dentro do nevoeiro...

Sob o enorme conflito a vergar-lhe a esperança, recorreu à oração e o pensamento reto recusou-se a atender.

Ainda assim, apelou para a memória, demandando recursos improvisados que lhe pudessem doar segurança e consolo.

Recordava, com intensa aflição, todos os lances da própria vida.

Sofrera, sim, mas fizera com que outros sofressem...

Lutara imensamente, reparando, porém, corações desditosos em combate maior...

E enquanto meditava, no turbilhão de angústias, mergulhou-se-lhe a mente em dolorosa noite.

Todavia, das trevas, eis que pontos de luz descerram-se, cantantes, pequeninas estrelas a lucilarem, lindas, dentro da névoa espessa.

Chegam em revoada, quais sorrisos de amor desvelando na Altura, a estrada para os céus.

Atordoada e enlevada, a alma enxerga, de novo, o Anjo que a consola, explicando, amoroso:

- Eleva-te mais alto! Estes pingos de sol revelam-te o caminho! São eles, todos eles não são as gotas de fel que choraste entre homens, mas, sim, as que secaste, espalhando a alegria...

Foi assim que sem mágoa, a alma feliz, então, avançou para os cimos, ante as cintilações da caridade pura, que transformara em pérolas de esplendente beleza as lágrimas de dor que ela própria enxugara entre as sombras do mundo...


Psicografia em Reunião Pública. Data – 7-12-1957.
Centro Espírita Luiz Gonzaga, Pedro Leopoldo, Minas.
(Do livro “Taça de Luz”, Espíritos Diversos, Francisco C. Xavier, FEESP)


E abeirando-se do mentor, o aprendiz indagou:
- E a morte, instrutor? Que me diz da extinção do corpo?
O interpelado respondeu:
- Filho, a morte não existe. A vida é uma criação imortal de Deus.
- Mas então, não existe a morte?
O instrutor ouviu a pergunta reiterada, pensou longamente e rematou:
- Sim, a morte existe num certo sentido que nos cabe aceitar.
A criatura que deixa de amar, em verdade, começa logo a morrer...


(Do livro “Recados Do Além”, Francisco Cândido Xavier)

"Amor, alimento das Almas"
Do livro Nosso Lar. Não deixe de ler!:
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