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Fora melhor que não existissem na
Terra pedintes e mendigos, na expectativa do agasalho e do pão...
Se é justo deplorar o atraso moral do
Planeta que ainda acalenta privação e necessidade, examinemos a nós
mesmos, quando nos inclinamos para a ambição desvairada, e verificamos que
a penúria, através da reencarnação, é o ensinamento que nos corrige os
excessos.
Fora melhor não víssemos
mutilados e enfermos, suplicando alívio e remédio...
Se é compreensível lastimar as condições da estância física, que ainda
expõe semelhantes quadros de sofrimento, observemos o pesado lastro
de animalidade que conservamos no próprio ser e reconheceremos que sem as
doenças do corpo, através da reencarnação, seria quase impossível
aprimorar as qualidades da alma.
Fora melhor não enxergarmos crianças infelizes, suscitando angústia no lar
ou piedade na via pública...
Se é natural comover-nos diante de problemas assim dolorosos, meditemos
nos ódios e aversões, conflitos e contendas, que tantas vezes carregamos
para além do sepulcro, transformando-nos, depois da morte, em Espíritos
vingativos e obsessores, e agradeceremos às Leis Divinas que nos fazem
abatidos e pequeninos, através da reencarnação, entregando-nos ao amparo e
arbítrio daqueles mesmos irmãos a quem ferimos noutras épocas, afim de que
nós, carecentes de tudo na infância, até mesmo da comiseração maternal que
nos alimpe e conserve o organismo indefeso, venhamos, por fim, a aprender
que a Eterna Sabedoria nos ergueu para o amor imperecível na Vida
Triunfante.
Terra bendita! Terra, que tanta vez malsinamos nos dias de infortúnio ou
nos momentos de ignorância, nós te agradecemos as dores e as aflições que
nos ofereces, por espólio de nossos próprios erros, e rogamos a Deus nos
fortaleça os propósitos de reajuste e aperfeiçoamento, para que, um dia,
possamos retribuir-te, de algum modo, os benefícios que nos tens
prodigalizado, por milênios de milênios, através da reencarnação!...
ANDRÉ LUIZ
(Do livro “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira,
FEB)
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LEI DE RETORNO
“E os que fizeram o bem sairão para a
ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a
ressurreição da condenação.”
— Jesus. (João, cap. 5, v. 29.) Em raras
passagens do Evangelho, a lei reencarnacionista permanece tão
clara quanto aqui, em que o ensino do Mestre se reporta à
ressurreição da condenação.
Como entenderiam estas palavras os teólogos interessados na
existência de um inferno ardente e imperecível?
As criaturas dedicadas ao bem encontrarão a fonte da vida em
se banhando nas águas da morte corporal. Suas realizações do
porvir seguem na ascensão justa, em correspondência direta com
o esforço perseverante que desenvolveram no rumo da
espiritualidade santificadora, todavia, os que se comprazem no
mal cancelam as próprias possibilidades de ressurreição na
luz.
Cumpre-lhes a repetição do curso expiatório.
É a volta à lição ou ao remédio.
Não lhes surge diferente alternativa.
A lei de retorno, pois, está contida amplamente nessa síntese
de Jesus.
Ressurreição é ressurgimento. E o sentido de renovação não se
compadece com a teoria das penas eternas.
Nas sentenças sumárias e definitivas não há recurso salvador.
Através da referência do Mestre, contudo, observamos que a
Providência Divina é muito mais rica e magnânima que parece.
Haverá ressurreição para todos, apenas com a diferença de que
os bons tê-la-ão em vida nova e os maus em nova condenação,
decorrente da criação reprovável deles mesmos.
EMMANUEL
(Pão Nosso, 127, FCXavier, FEB)
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