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ABORTO E HOMOSSEXUALISMO, NA VISÃO DE:
EMMANUEL, ANDRÉ LUIZ E FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
ABORTO:
HOMOSSEXUALISMO:
ABORTO - EMMANUEL:
Pergunta - Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período
de gestação?
Resposta - Há crime sempre que transgredis a lei de Deus.
Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a
uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de
passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava
formando. Item n° 358, de "O Livro dos espíritos".
Falamos naturalmente acerca de relações internacionais, sociais,
públicas, comerciais, clareando as obrigações que elas envolvem; no
entanto, muito freqüentemente marginalizamos as relações sexuais -
aquelas em que se fundamentam quase todas as estruturas da ação
comunitária. Esquece-se, habitualmente, de que o homem e a mulher, via
de regra, experimentam instintivo horror à solidão e que, à vista disso,
a comunhão sexual reclama segurança e duração para que se mostre
com garantias necessárias. Impraticável, sem dúvida, impor a
continuidade da ligação entre duas criaturas, a preço de violência; no
entanto, à face das contingências e contratempos pelos quais o carro da
união esponsalícia deve passar pelas estradas do mundo, as leis da vida,
muito sabiamente, estabelecem nos filhos os elos da comunhão entre os
cônjuges, atribuindo-lhes a função de fixadores da organização familiar;
com a colaboração deles, os deveres do companheiro e da companheira, no
campo da assistência recíproca, se revelam mais claramente perceptíveis
e o lar se alteia por escola de aperfeiçoamento e de evolução, em marcha
para a aquisição de mais amplos valores do espírito, no Mundo Maior. De
todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais
importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida. É
pela conjunção sexual entre o homem e a mulher que a Humanidade se
perpetua no Planeta; em virtude disso, entre pais e filhos residem os
mecanismos da sobrevivência humana, quanto à forma física, na face do
orbe. Fácil entender que é assim justamente que nós, os espíritos
eternos, atendendo aos impositivos do progresso, nos revezamos na arena
do mundo, ora envergando a posição de pais, ora desempenhando o papel de
filhos, aprendendo, gradativamente, na carteira do corpo carnal, as
lições profundas do amor - do amor que nos soerguerá, um dia, em
definitivo, da Terra para os Céus. Com semelhantes notas, objetivamos
tão-só destacar a expressão calamitosa do aborto criminoso, praticado
exclusivamente pela fuga ao dever. Habitualmente - nunca sempre - somos
nós mesmos quem planifica a formação da família, antes do renascimento
terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos, à
maneira da casa que levantamos no mundo, com o apoio de arquitetos e
técnicos distintos. Comumente chamamos a nós antigos companheiros de
aventuras infelizes, programando-lhes a volta em nosso convívio, a
prometer-lhes socorro e oportunidade, em que se lhes reedifique a
esperança de elevação e resgate, burilamento e melhoria. Criamos
projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos
votos respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos
que, se observados, redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo
de corações a que se nos vincula a existência. Se, porém, quando
instalados na Terra, anestesiamos a consciëncia, expulsando-os de nossa
companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes podemos
prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos
erros de outras épocas, ontem convertidos, no Plano Espiritual, em
amigos potenciais, à custa das nossas promessas de compreensão e de
auxílio, fazem-se hoje - e isso ocorre bastas vezes, em todas as
comunidades da Terra - inimigos recalcados que se nos entranham à vida
íntima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos
infundem mais sofrimento e aflição que se estivessem conosco em plena
experiência física, na condição de filhos-problemas, impondo-nos
trabalho e inquietação. Admitimos seja suficiente breve meditação, em
torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes
fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões
catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de
hospitais e prisões.
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ABORTO - ANDRÉ LUIZ
Reconhecendo-se que os crimes do aborto provocado
criminosamente surgem, em esmagadora maioria, nas classes mais
responsáveis da comunidade terrestre, como identificar o trabalho
expiatório que lhes diz respeito, se passam quase totalmente despercebidos
da justiça humana?
ANDRÉ LUIZ: Temos no Plano Terrestre cada povo com seu código penal
apropriado à evolução em que se encontra, mas, considerando o universo em
sua totalidade como o Reino Divino, vamos encontrar o Bem do Criador para
todas as criaturas, como Lei Básica, cujas transgressões deliberadas são
corrigidas no próprio infrator, com o objetivo natural de conseguir-se, em
cada círculo de trabalho no Campo Cósmico, o máximo de equilíbrio com o
respeito máximo aos direitos alheios, dentro da mínima quota de pena.
Atendendo-se, no entanto, a que a Justiça Perfeita se eleva, indefectível,
sobre o Perfeito Amor, no hausto de Deus "em que nos movemos e existimos",
toda reparação, perante a Lei Básica a que nos reportamos, se realiza em
termos de vida eterna e não segundo a vida fragmentária que conhecemos na
encarnação humana, porquanto, uma existência pode estar repleta de acertos
e desacertos, méritos e deméritos e a Misericórdia do Senhor preceitua,
não que o delinqüente seja flagelado, com extensão indiscriminada de dor
expiatória, o que seria volúpia de castigar nos tribunais do destino,
invariavelmente regidos pela Equidade Soberana, mas sim que o mal seja
suprimido de suas vítimas, com a possível redução de sofrimento.
Desse modo, segundo o princípio universal do Direito Cósmico e
expressar-se, claro, nos ensinamentos de Jesus que manda conferir "a cada
um de acordo com as próprias obras", arquivamos em nós as raízes do mal
que acalentamos para extirpá-las à custa do esforço próprio, em companhia
daqueles que se nos afinem à faixa de culpa, com os quais, perante a
Justiça Eterna, os nossos débitos jazem associados.
À face de semelhante fundamentos, certa romagem na carne, entremeada de
créditos e dívidas, pode terminar com aparências de regularidade
irrepreensível para a alma que desencarna, sob o apreço dos que lhe
comungam a experiência, seguindo-se de outra em que essa mesma criatura
assuma a empreitada do resgate próprio, suportando nos ombros as
conseqüências das culpas contraídas diante de Deus e de si mesma, afim de
reabilitar-se ante a Harmonia Divina, caminhando, assim, transitoriamente,
ao lado de espíritos incursos em regeneração da mesma espécie.
É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências do
aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de
responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente da vida
que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam as
energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do centro
genésico, implantando nos tecidos da própria alma a sementeira de males
que frutescerão, mais tarde, em regime de produção a tempo certo.
Isso ocorre não somente porque o remorso se lhes entranhe no ser, à feição
de víbora magnética, mas também porque assimilam, inevitavelmente, as
vibrações de angústia e desespero e, por vezes, de revolta e vingança dos
Espíritos que a Lei lhes reservara para filhos do próprio sangue, na obra
de restauração do destino.
No homem, o resultado dessas ações aparece, quase sempre, em existência
imediata àquela na qual se envolveu em compromissos desse jaez, na forma
de moléstias testiculares, disendocrinias diversas, distúrbios mentais,
com evidente obsessão por parte de forças invisíveis emanadas de entidades
retardatárias que ainda encontram dificuldade para exculpar-lhes a
deserção.
Nas mulheres, as derivações surgem extremamente mais graves. O aborto
provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se matematicamente seguido
por choques traumáticos no corpo espiritual, tantas vezes quantas se
repetir o delito de lesa-maternidade, mergulhando as mulheres que o
perpetram em angústias indefiníveis, além da morte, de vez que, por mais
extensas se lhe façam as gratificações e os obséquios do Espíritos Amigos
e Benfeitores que lhe recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem
diminuídas moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e
infeliz, assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante,
carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.
Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na
tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear como
sendo a miopraxia do centro genésico atonizado, padecendo, logo que
reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da gestação.
Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células ciliadas, mucíparas
e intercalares não dispõe da força precisa na mucosa tubária para a
condução do óvulo na trajetória endossalpingeana, nem para alimentá-lo no
impulso da migração por deficiência hormonal do ovário, determinando não
apenas os fenômenos da prenhez ectópica ou localização heterotópica do
ovo, mas também certos síndromes hemorrágicos de suma importância,
decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda mesmo
quando este já esteja acomodado na concha uterina, trazendo habitualmente
os embaraços da placentação baixa ou a placenta prévia hemorragípara que
constituem, na parturição, verdadeiro suplício para as mulheres portadoras
do órgão germinal em desajuste.
Enquadradas na arritmia do centro genésico, outras alterações orgânicas
aparecem, flagelando a vida feminina, , como sejam o descolamento da
placenta eutópica, por hiperatividade histolítica da vilosidade corial; a
hipocinesia uterina, favorecendo a germicultura do estreptococo ou do
genococo, depois das crises endometríticas puerperais, a salpingite
tuberculosa, a degeneração cística do cório; a salpigooforite, em que o
edema e o exsudato fibrinosos provocam a aderência das pregas da mucosa
tubária, preparando campo propício às grandes inflamações anexiais, em que
o ovário e a trompa experimentam a formação de tumores purulentos que os
identificam no mesmo processo de desagregação; os síndromes circulatórios
da gravidez aparentemente normal, quando a mulher, no pretérito, viciou
também o centro cardíaco, em conseqüência do aborto calculado e seguido
por disritmia das forças psicossomáticas que regulam o eixo elétrico do
coração, ressentindo-se, como resultado, na nova encarnação e em pleno
surto de gravidez, da miopraxia do aparelho cardiovascular, com aumento da
carga plasmática na corrente sanguínea, por deficiência no orçamento
hormonal, daí resultando graves problemas da cardiopatia conseqüente.
Temos ainda a considerar que a mulher sintonizada com os deveres da
maternidade na primeira ou, às vezes, até na segunda gestação, quando
descamba para o aborto criminoso, na geração dos filhos posteriores,
inocula, automaticamente no centro genésico e no centro esplênico do corpo
espiritual as causas sutis de desequilíbrio recôndito, a se lhe
evidenciarem na existência próxima pela vasta acumulação do antígeno que
lhe imporá as divergências sanguíneas com que asfixia, gradativamente,
através da hemólise, o rebento de amor que alberga carinhosamente no
próprio seio, a partir da segunda ou terceira gestação, porque as
enfermidades do corpo humano, como reflexos das depressões profundas da
alma, ocorrem dentro de justos períodos etários.
Além dos sintomas que abordamos em sintética digressão na etiopatogenia
das moléstias do órgão genital da mulher, surpreenderemos largo capítulo a
ponderar no campo nervoso, à face da hiperexitação do centro cerebral, com
inquietantes modificações da personalidade, a raiarem, muitas vezes, no
martirológico da obsessão, devendo-se ainda salientar o caráter doloroso
dos efeitos espirituais do aborto criminoso, para os ginecologistas e
obstetras delinqüentes.
Para melhorar a própria situação, que deve fazer a mulher que se
reconhece, na atualidade, com dívidas no aborto provocado, antecipando-se,
desde agora, no trabalho de sua própria melhoria moral, antes que a
próxima existência lhe imponha as aflições regenerativas?
ANDRÉ LUIZ: Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias. Quem
ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos filhos
alheios, necessitados de carinho e abnegação.
O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro (I Pedro,
4:8), adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente carinho uns
para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos males.
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HOMOSSEXUALIDADE - EMMANUEL
Pergunta - Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo
de um homem, ou no de uma mulher? Resposta: - Isso pouco lhe importa. O
que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. Item n° 202,
de "O Livro dos Espíritos".
A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns
círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características,
por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura
do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos
psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é
perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação. Observada a
ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra
pela maioria heterossexual, do que com as verdades simples da vida,
essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o
próprio desenvolvimento da Humanidade, e o mundo vê, na atualidade, em
todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa
espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e
respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às
criaturas heterossexuais. A coletividade humana aprenderá,
gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de
anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais
morfológicos, para se erguerem como agentes mais elevados de definição
da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida
comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do bem de todos ou
a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da
delinqüência. A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades
eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o
Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de
feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o
fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as
criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva,
acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação
psicológica absoluta. A face disso, a individualidade em trânsito, da
experiência feminina para a masculina ou vice
versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá
estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina
que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher
nas mesmas circunstâncias. Obviamente compreensível, em vista do
exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um
corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de
encargos particulares em determinado setor de ação, como também no que
concerne a obrigações regenerativas. O homem que abusou das faculdades
genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de
uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a
buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente
feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios
sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à
reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. E,
ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a
realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e,
conseqüentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da
Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em
vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual
transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporàriamente
ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos
irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores
dificuldades, nos objetivos que abraçam. Observadas as tendências
homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de
experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto
quanto se administra instrução à maioria heterossexual. E para que isso
se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje
para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto,
à frente da vida eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer
procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo
elevado gabarito de Justiça e Misericórdia. Isso porque todos os
assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade
da consciência de cada um.
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SEXO
E CIÊNCIA - ANDRÉ LUIZ
"Todas as nossas referências a
semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam
simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma
guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na
feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos
acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios." -
André Luiz, sobre o capítulo em foco.
HERMAFRODITISMO E UNISSEXUALIDADE - Examinando o instinto sexual em sua
complexidade nas linhas multiformes da vida, convém lembrar que, por
milênios e milênios, 0 princípio inteligente se demorou no hermafroditismo
das plantas, como, por exemplo, nos fanerógamos, em cujas flores os
estames e pistilos articulam, respectivamente, elementos masculinos e
femininos.
Nas plantas criptogâmicas celulares e vasculares ensaiara longamente a
reprodução sexuada, na formação de gametos (anterozóides e oosfera) que
muito se aproximam aos dos animais e cuja fecundação se efetua por meios
análogos aos que observamos nestes últimos seres.
Depois de muitas metamorfoses que não cabem num estudo sintético quanto o
nosso, caminhou o elemento espiritual, na reprodução monogônica, entre as
vastas províncias dos protozoários e metazoários, com a divisão e gemação
entre os primeiros, correspondendo à cisão ou estrobilação entre os
segundos.
Longo tempo foi gasto na evolução do instinto sexual em vários tipos de
animais inferiores, alternando-se-Ihe os estágios de hermafroditismo com
os de unissexualidade para que se lhe aperfeiçoassem as características na
direção dos vertebrados.
HERMAFRODITISMO POTENCIAL - Gradativamente, aparecem novos fatores de
diferenciação, guardando-se, no entanto, os distintivos essenciais, como
podemos identificar, ainda agora, no sapo macho adulto um hermafrodita
potencial, apesar dos sinais masculinos com que se apresenta, sabendo-se
que carrega na região do seu testículo, positivamente acrescido, um ovário
elementar aderente, o conhecido corpo de Bidder.
Se extirparmos o testículo, ovário atrofiado começa a funcionar, por
atuação da hipófise, conforme experimentos comprovados, convertendo-se num
ovário adulto.
ocorrência inversa é verificável em cinco a dez por cento de galinhas
adultas, isto é, nos indivíduos psiquicamente dispostos, das quais, se
retirarmos o ovário esquerdo, também consideravelmente desenvolvido, o
ovário direito, rudimentar, transubstancia-se num testículo que se
vitaliza e cresce, na sua parte medular, até então inibida pelos
estrogênios do ovário esquerdo.
Nesse fenômeno, aumenta-se-lhes a crista, cantam tipicamente à maneira do
galo e adotam-lhe a conduta sexual masculina.
Registramos esses fatos para demonstrar que entre todos os vertebrados e
muito particularmente no homem, herdeiro das mais complicadas experiências
psíquicas, nos domínios da reencarnação, apenas os caracteres morfológicos
dos implementos sexuais estão submetidos aos princípios da genética. Isso
porque não é só a figuração das glândulas sexuais que se mostra
bipotencial até certo ponto, pois todo o cosmo orgânico é suscetível de
reagir aos hormônios do mesmo sexo ou do sexo contrário, Segundo as
disposições psíquicas da personalidade.
AÇÃO DOS HORMÔNIOS - Atingindo inequívoco progresso em seus estímulos, o
corpo espiritual, desde a protoforma psicossômica nos animais superiores
até o homem, conforme a posição da mente a que serve, determina mais ampla
riqueza hormonal.
As glândulas sexuais que então mobiliza são mais complexas. Exercem a
própria ação pelos hormônios que segregam, arrojando-os no sangue,
hormônios esses, femininos ou masculinos, que possuem por arcabouço da
constituição química, em que se expressam, o núcleo
ciclo-pentano-peridrofenantreno, filiando-se ao grupo dos esteróis.
Os hormônios estrogênios, oriundos do ovário, mantém os caracteres
femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo,
sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações
estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a
impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual,
incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não
os origina.
Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não
obstante patentearem essa ou aquela influencia de modo mais amplo.
Ainda em razão do mesmo principio que lhes vige na formação, pelo qual
obedecem à vibrac5es incessantes do campo mental, os hormônios não se
armazenam: transformam-se rapidamente ou sofrem apressada expulsão nos
movimentos excretórios.
Entendendo-se os recursos da reprodução como engrenagens e, mecanismos de
que o Espírito em evolução se vale para a plasmagem das formas físicas,
sem que os homens lhe comprovem, de modo absoluto, as qualidades mais
intimas, é fácil reconhecer que as glândulas sexuais e seus hormônios
exibem efeitos relativamente específicos.
Inegavelmente, o ovário e os hormônios femininos se responsabilizam pelos
distintivos sexuais femininos, mas podem desenvolver alguns deles no
macho, prevalecendo as mesmas diretrizes para o testículo e os hormônios
que lhe correspondem.
Isso é claramente demonstrável nos experimentos de castração, enxertos e
injeções hormonais, porquanto, apesar de a ação sexual especifica do
testículo e do ovário apresentar-se como fato indiscutível, a gônada,
refletindo os estados da mente, herdeira direta de experiências
inumeráveis, eventualmente produz certa quantidade de hormônios
heterossexuais e, da mesma sorte, ainda que os hormônios sexuais se
afirmem com atividade especifica intensa, em determinados acontecimentos
realizam essa ou aquela ação em órgãos do sexo oposto.
Esses são os efeitos heterossexuais ou bissexuais das glândulas ou dos
hormônios.
ORIGEM DO INSTINTO SEXUAL - Todas as nossas referências a semelhantes
peças do trabalho biológico, nos reinos da Natureza, objetivam
simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos somáticos, a alma
guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na
feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos
acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veiculo físico, mas sim
na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.
E o instinto sexual, por isso mesmo, traduzindo amor em expansão no tempo,
vem das profundezas, para nos ainda inabordáveis da vida, quando
agrupamentos de mônadas celestes se reuniram magneticamente umas às outras
para a obra multimilenária da evolução, ao modo de núcleos e elétrons na
tessitura dos átomos, ou dos sóis e dos mundos nos sistemas macrocósmicos
da imensidade.
Por ele, as criaturas transitam de caminho a caminho, nos domínios da
experimentação multifária, adquirindo as qualidades de que necessitam; com
ele, vestem-se da forma física, em condições anômalas, atendendo a
sentenças regeneradoras na lei de causa e efeito ou cumprindo instruções
especiais com fins de trabalho justo.
O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo
quaisquer impositivos da forma em que se exprime, não obstante
reconhecermos que a maioria das consci6encias encarnadas permanecem
seguramente ajustadas à sinergia mente-corpo, em marcha para mais vasta
complexidade de conhecimento e emoção.
POLIGAMIA E MONOGAMIA - 0 instinto sexual, então, a desvairar-se na
poligamia, traça para Si mesmo largo roteiro de aprendizagem a que não
escapará pela matemática do destino que nós mesmos criamos
Entretanto, quanto mais se integra a alma no plano da responsabilidade
moral para com a vida, mais apreende o impositivo da disciplina própria, a
fim de estabelecer, com o dom de amar que lhe é intrínseco, novos
programas de trabalho que lhe facultem acesso aos planos Superiores.
0 instinto sexual nessa fase da evolução não encontra alegria completa
senão em contacto com outro ser que demonstre plena afinidade, porquanto a
liberação da energia, que lhe é peculiar, do ponto de vista do governo
emotivo, solicita compensação de forca igual, na escala das vibrações
magnéticas.
Em semelhante eminência, a monogamia é o clima espontâneo do ser humano,
de vez que dentro dela realiza, naturalmente, com a alma eleita de suas
aspirações a união ideal do raciocínio e do sentimento, com a perfeita
associação dos recursos ativos e passivos, na constituição do binário de
forcas, capaz de criar não apenas formas físicas, para a encarnação de
outras almas na Terra, mas também as grandes obras do coração e da
inteligência, suscitando a extensão da beleza e do amor, da sabedoria e da
glória espiritual que vertem, constantes, da Criação Divina.
ENFERMIDADES DO INSTINTO SEXUAL - As cargas magnéticas do instinto,
acumuladas e desbordantes na personalidade, à falta de sólido socorro
intimo para que se canalizem na direção do bem, obliteram as faculdades,
ainda vacilantes, do discernimento e, à maneira do esfaimado, alheio ao
bom-senso, a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se
à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito A
face das torturas genésicas a que se vê relegada, gera aflitivas contas
cármicas a lhe vergastarem a alma no espaço e a lhe retardarem 0oprogresso
no tempo.
Dai nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos decorrentes do trauma
nas sinergias do corpo espiritual, as fobias numerosas, a "histeria de
conversão", a "histeria de angustia", os "desvios da libido", a neurose
obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas que originam na
ciência de hoje as indagações e os conceitos da psicologia de
profundidade, na esfera da Psicanálise, que identifica as enfermidades ou
desajustes do instinto sexual sem oferecer-lhes medicação adequada, porque
apenas o conhecimento superior, gravado na própria alma, pode opor
barreiras à extensão do conflito existente, traçando caminhos novos à
energia criadora do sexo, quando em perigoso desequilíbrio.
Desse modo, por semelhantes ruturas dos sistemas psicossomáticos,
harmonizados em permutas de cargas magnéticas afins, no terreno da
sexualidade física ou exclusivamente psíquica, é que múltiplos sofrimentos
são contraídos por nós todos, no decurso dos séculos, porquanto, se
forjamos inquietações e problemas nos outros, com o instinto sexual, é
justo venhamos a soluciona-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e
associados de destino, entre as fronteiras domesticas, todos aqueles que
constituímos credores do nosso amor e da nossa renuncia, atravessando,
muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento
preciso.
Compreendamos, pois, que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo
espiritual, e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de
nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecera dele,
desarmonizando-lhe as forcas, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.
(Evolução em Dois Mundos, XVII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
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HOMOSSEXUALISMO - CHICO XAVIER
CHICO XAVIER: Pergunta: Como se
explica o homossexualismo
e a perturbação no comportamento sexual à luz da Doutrina Espírita?
CHICO XAVIER: Temos tido alguns
entendimentos com espíritos amigos, notadamente com Emmanuel a esse
respeito. O homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade ou
bissexualismo, como assexualidade, são condições da alma humana. Não devem
ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo
ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta
de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos
de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e
acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá, no futuro,
revisões muito grandes, porque nós vamos catalogar do ponto de vista da
Ciência todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que
estão numa condição de esterilidade. A criatura humana não é só chamada à
fecundidade física, mas também à fecundidade espiritual. Quando geramos
filhos, através da sexualidade dita normal, somos chamados... também à
..fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do
espíritode que sejamos portadores. Não nos referimos aqui aos problemas do
desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação nas relações humanas.
Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada,
muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição
de alma em prova ou à sua condição de criatura em tarefa específica.
De modo que o assunto merecerá muito estudo. Nós temos um problema em
matéria de sexo na humanidade que precisaríamos considerar com bastante
segurança e respeito recíproco. Vamos dizer: se as potências do homem na
visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos
gustativos, nas mãos, na tactividade com que as mãos executam trabalhos
manuais, nos pés, se todas essas potências foram dadas ao homem para a
educação, para o rendimento no bem, isto é, potências consagradas ao bem e
à luz, em nome de Deus, seria o sexo em suas várias manifestações
sentenciado às trevas?

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