MÉDIUNS -
DA INFLUÊNCIA DO MEIO
1ª O meio em que se acha o médium exerce alguma influência nas
manifestações?
"Todos os Espíritos que cercam o médium o auxiliam, para o bem ou para o
mal."
2ª Não podem os Espíritos superiores triunfar da má-vontade do Espírito
encarnado que lhes serve de intérprete e dos que o cercam?
"Podem, quando julgam conveniente e conforme a intenção da pessoa que a
eles
se dirige. Já o dissemos: os Espíritos mais elevados se comunicam, às
vezes, por uma
graça especial, mau grado à imperfeição do médium e do meio, mas, então,
estes se
conservam completamente estranhos ao fato."
3ª Os Espíritos superiores procuram encaminhar para uma corrente de idéias
sérias as reuniões fúteis?
"Os Espíritos superiores não vão às reuniões onde sabem que a presença
deles é Inútil. Nos meios pouco
instruídos, mas onde há sinceridade, de boa mente vamos, ainda mesmo que
aí só
instrumentos medíocres encontremos. Não vamos, porém, aos meios instruídos
onde
domina a ironia. Em tais meios, é necessário se fale aos ouvidos e aos
olhos: esse o
papel dos Espíritos batedores e zombeteiros. Convém que aqueles que se
orgulham da
sua ciência sejam humilhados pelos Espíritos menos instruídos e menos
adiantados."
4ª Aos Espíritos inferiores é interdito o acesso às reuniões sérias?
"Não, algumas vezes lhes é permitido assistir a elas, a fim de
aproveitarem os
ensinos que vos são dados; mas, conservam-se silenciosos, como estouvados
numa
assembléia de gente ponderada. "
Fora erro acreditar alguém que precisa ser médium, para atrair a si
os seres
do mundo invisível. Eles povoam o espaço; temo-los incessantemente em tomo
de nós,
ao nosso lado, vendo-nos, observando-nos, intervindo em nossas reuniões,
seguindo-nos,
ou evitando-nos, conforme os atraímos ou repelimos. A faculdade mediúnica
em
nada influi para isto: ela mais não é do que um meio de comunicação. De
acordo com o
que dissemos acerca das causas de simpatia ou antipatia dos Espíritos,
facilmente se
compreenderá que devemos estar cercados daqueles que têm afinidade com o
nosso
próprio Espírito, conforme é este graduado, ou degradado. Consideremos
agora o
estado moral do nosso planeta e compreenderemos de que gênero devem ser os
que
predominam entre os Espíritos errantes. Se tomarmos cada povo em
particular,
poderemos, pelo caráter dominante dos habitantes, pelas suas preocupações,
seus
sentimentos mais ou menos morais e humanitários, dizer de que ordem são os
Espíritos
que de preferência se reúnem no seio dele.
Partindo deste princípio, suponhamos uma reunião de homens levianos,
inconseqüentes, ocupados com seus prazeres; quais serão os Espíritos que
preferentemente os cercarão? Não serão de certo Espíritos superiores, do
mesmo modo que não seriam os nossos sábios e filósofos os que iriam passar o
seu tempo
em semelhante lugar. Assim, onde quer que haja uma reunião de homens, há
igualmente
em torno deles uma assembléia oculta, que simpatiza com suas qualidades ou
com seus
defeitos, feita abstração completa de toda idéia de evocação. Admitamos
agora que
tais homens tenham a possibilidade de se comunicar com os seres do mundo
invisível,
por meio de um intérprete, isto é, por um médium; quais serão os que lhes
responderão
ao chamado? Evidentemente, os que os estão rodeando de muito perto, à
espreita de
uma ocasião para se comunicarem. Se, numa assembléia fútil, chamarem um
Espírito
superior, este poderá vir e até proferir algumas palavras ponderosas, como
um bom
pastor que acode ao chamamento de suas ovelhas desgarradas. Porém, desde
que não se
veja compreendido, nem ouvido, retira-se, como em seu lugar o faria
qualquer de nós, ficando os outros com o campo livre.
Nem sempre basta que uma assembléia seja séria, para receber
comunicações de ordem elevada. Há pessoas que nunca riem e cujo coração,
nem por
isso, é puro. Ora, o coração, sobretudo, é que atrai os bons Espíritos.
Nenhuma
condição moral exclui as comunicações espíritas; os que, porém, estão em
más
condições, esses se comunicam com os que lhes são semelhantes, os quais
não deixam
de enganar e de lisonjear os preconceitos.
Por aí se vê a influência enorme que o meio exerce sobre a natureza das
manifestações inteligentes. Essa influência, entretanto, não se exerce
como o
pretenderam algumas pessoas, quando ainda se não conhecia o mundo dos
Espíritos,
qual se conhece hoje, e antes que experiências mais concludentes houvessem
esclarecido
as dúvidas. Quando as comunicações concordam com a opinião dos
assistentes, não é
que essa opinião se reflita no Espírito do médium, como num espelho; é que
com os
assistentes estão Espíritos que lhes são simpáticos, para o bem, tanto
quanto para o mal, e que abundam nos seus modos de ver. Prova-o o fato de
que, se
tiverdes a força de atrair outros Espíritos, que não os que vos cercam, o
mesmo médium
usará de linguagem absolutamente diversa e dirá coisas muito distanciadas
das vossas
idéias e das vossas convicções.
Em resumo: as condições do meio serão tanto melhores, quanto mais
homogeneidade houver para o bem, mais sentimentos puros e elevados, mais
desejo
sincero de instrução, sem idéias preconcebidas.
O Livro dos Médiuns
CAPÍTULO XXI
DA INFLUÊNCIA DO MEIO
Allan Kardec
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