A reencarnação:
166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida
corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
a) - Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como
Espírito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas
para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”
b) - A alma passa então por muitas existências corporais?
“Sim, todos contamos muitas existências. Os que dizem o contrário
pretendem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram. Esse
o desejo deles.”
c) - Parece resultar desse princípio que a alma, depois de haver deixado
um corpo, toma outro, ou, então, que reencarna em novo corpo. E assim que
se deve entender?
“Evidentemente.”
167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a
justiça?”
168. É limitado o número das existências corporais, ou o Espírito
reencarna perpetuamente?
“A cada nova existência, o Espírito dá um passo para diante na senda do
progresso. Desde que se ache limpo de todas as impurezas, não tem mais
necessidade das provas da vida corporal.”
169. É invariável o número das encarnações para todos os Espíritos?
“Não; aquele que caminha depressa, a muitas provas se forra. Todavia, as
encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porquanto o progresso é
quase infinito.”
170. O que fica sendo o Espírito depois da sua última encarnação?
“Espírito bem-aventurado; puro Espírito.”
TOPO
Justiça da reencarnação:
171. Em que se funda o dogma da reencarnação?
“Na justiça de Deus e na revelação, pois incessantemente repetimos: o bom
pai deixa sempre aberta a seus filhos uma porta para o arrependimento. Não
te diz a razão que seria injusto privar para sempre da felicidade eterna
todos aqueles de quem não dependeu o melhorarem-se? Não são filhos de Deus
todos os homens? Só entre os egoístas se encontram a iniqüidade, o ódio
implacável e os castigos sem remissão.”
Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios
de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua
justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não
puderam fazer ou concluir numa primeira prova. Não obraria Deus com
equidade, nem de acordo com a Sua bondade, se condenasse para sempre os
que talvez hajam encontrado, oriundos do próprio meio onde foram colocados
e alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento. Se a
sorte do homem se fixasse irrevogavelmente depois da morte, não seria uma
única a balança em que Deus pesa as ações de todas as criaturas e não
haveria imparcialidade no tratamento que a todas dispensa.
A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o
Espírito muitas existências sucessivas, é a única que corresponde à idéia
que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em
condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as
nossas esperanças, pois que nos oferece os meios de resgatarmos os nossos
erros por novas provações. A razão no-la indica e os Espíritos a ensinam.
O homem, que tem consciência da sua inferioridade, haure consoladora
esperança na doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de Deus, não pode
contar que venha a achar-se, para sempre, em pé de igualdade com os que
mais fizeram do que ele. Sustém-no, porém, e lhe reanima a coragem a idéia
de que aquela inferioridade não o deserda eternamente do supremo bem e
que, mediante novos esforços, dado lhe será conquistá-lo. Quem é que, ao
cabo da sua carreira, não deplora haver tão tarde ganho uma experiência de
que já não mais pode tirar proveito? Entretanto, essa experiência tardia
não fica perdida; o Espírito a utilizará em nova existência. (A.K.)
TOPO
Encarnação nos diferentes mundos:
172. As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?
“Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as
primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais
distantes da perfeição.”
173. A cada nova existência corporal a alma passa de um mundo para o
outro, ou pode ter muitas no mesmo globo?
“Pode viver muitas vezes no mesmo globo, se não se adiantou bastante para
passar a um mundo superior.”
a) - Podemos então reaparecer muitas vezes na Terra?
“Certamente.”
b) - Podemos voltar a este, depois de termos vivido em outros mundos?
“Sem dúvida. É possível que já tenhais vivido algures e na Terra.”
174. - Tornar a viver na Terra constitui uma necessidade?
“Não; mas, se não progredistes, podereis ir para outro mundo que não valha
mais do que a Terra e que talvez até seja pior do que ela.”
175. Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra?
“Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso em que se
progride aí como em qualquer planeta.”
a) - Não se seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito?
“Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.”
176. Depois de haverem encarnado noutros mundos, podem os Espíritos
encarnar neste, sem que jamais aí tenham estado?
“Sim, do mesmo modo que vós em outros. Todos os mundos são solidários: o
que não se faz num faz-se noutro.”
a) - Assim, homens há que estão na Terra pela primeira vez?
“Muitos, e em graus diversos de adiantamento.”
b) - Pode-se reconhecer, por um indício qualquer, que um Espírito está
pela primeira vez na Terra?
“Nenhuma utilidade teria isso.”
177. Para chegar à perfeição e à suprema felicidade, destino final de
todos os homens, tem o Espírito que passa pela fieira de todos os mundos
existentes no Universo?
“Não, porquanto muitos são os mundos correspondentes a cada grau da
respectiva escala e o Espírito, saindo de um deles, nenhuma coisa nova
aprenderia nos outros do mesmo grau.”
a) - Como se explica então a pluralidade de suas existências em um mesmo
globo?
“De cada vez poderá ocupar posição diferente das anteriores e nessas
diversas posições se lhe deparam outras tantas ocasiões de adquirir
experiência.”
178. Podem os Espíritos encarnar em um mundo relativamente inferior a
outro onde já viveram?
“Sim, quando em missão, com o objetivo de auxiliarem o progresso, caso em
que aceitam alegres as tribulações de tal existência, por lhes
proporcionar meio de se adiantarem.”
a) - Mas, não pode dar-se também por expiação? Não pode Deus degredar para
mundos inferiores Espíritos rebeldes?
“Os Espíritos podem conservar-se estacionários, mas não retrogradam. Em
caso de estacionamento, a punição deles consiste em não avançarem, em
recomeçarem, no meio conveniente à sua natureza, as existências mal
empregadas.”
b) - Quais os que têm de recomeçar a mesma existência?
“Os que faliram em suas missões ou em suas provas.”
179. Os seres que habitam cada mundo hão todos alcançado o mesmo nível de
perfeição?
“Não; dá-se em cada um o que ocorre na Terra: uns Espíritos são mais
adiantados do que outros.”
180. Passando deste planeta para outro, conserva o Espírito a inteligência
que aqui tinha?
“Sem dúvida; a inteligência não se perde. Pode, porém, acontecer que ele
não disponha dos mesmos meios para manifestá-la, dependendo isto da sua
superioridade e das condições do corpo que tomar.” (Veja-se: “Influência
do organismo”. cap. VII, para 2ª.)
181. Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos
nossos?
“É fora de dúvida que têm corpos, porque o Espírito precisa estar
revestido de matéria para atuar sobre a matéria. Esse envoltório, porém, é
mais ou menos material, conforme o grau de pureza a que chegaram os
Espíritos. É isso o que assinala a diferença entre os mundos que temos de
percorrer, porquanto muitas moradas há na casa de nosso Pai, sendo,
conseguintemente, de muitos graus essas moradas. Alguns o sabem e desse
fato têm consciência na Terra; com outros, no entanto, o mesmo não se dá.”
182. É-nos possível conhecer exatamente o estado físico e moral dos
diferentes mundos?
“Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento
em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a
todos, porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante
revelação os perturbaria.”
À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima
igualmente da natureza espírita. Torna-se-lhe menos densa a matéria, deixa
de rastejar penosamente pela superfície do solo, menos grosseiras se lhe
fazem as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres vivos
se destruam mutuamente para se nutrirem. O Espírito se acha mais livre e
tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos. Vê com os olhos
do corpo o que só pelo pensamento entrevemos.
Da purificação do Espírito decorre o aperfeiçoamento moral, para os seres
que eles constituem, quando encarnados. As paixões animais se enfraquecem
e o egoísmo cede lugar ao sentimento da fraternidade. Assim é que, nos
mundos superiores ao nosso, se desconhecem as guerras, carecendo de objeto
os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu
semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que
uma consciência isenta de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma
apreensão lhes cause. Encaram-na de frente, sem temor, como simples
transformação. A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar
proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é
perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às
vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos
paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo
abrevia os sofrimentos. (A.K.)
183. Indo de um mundo para outro, o Espírito passa por nova infância?
“Em toda parte a infância é uma transição necessária, mas não é, em toda
parte, tão obtusa como no vosso mundo.”
184. Tem o Espírito a faculdade de escolher o mundo onde passe a habitar?
“Nem sempre. Pode pedir que lhe seja permitido ir para este ou aquele e
pode obtê-lo, se o merecer, porquanto a acessibilidade dos mundos, para os
Espíritos, depende do grau da elevação destes.”
a) - Se o Espírito nada pedir, que é o que determina o mundo em que ele
reencarnará?
“O grau da sua elevação.”
185. O estado físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em
cada minuto?
“Não; os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram,
como o vosso, por um estado inferior e a própria Terra sofrerá idêntica
transformação. Tornar-se-á um paraíso, quando os homens se houverem
tornado bons.”
É assim que as raças, que hoje povoam a Terra, desaparecerão um dia,
substituídas por seres cada vez mais perfeitos, pois que essas novas raças
transformadas sucederão às atuais, como estas sucederam a outras ainda
mais grosseiras. (A.K.)
186. Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos materiais,
só tenha por envoltório o perispírito?
“Há e mesmo esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não
existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.”
a) - Parece resultar daí que, entre o estado correspondente às últimas
encarnações e o de Espírito puro, não há linha divisória perfeitamente
demarcada, não?
“Semelhante demarcação não existe. A diferença entre ume outro estado se
vai apagando pouco a pouco e acaba por ser imperceptível, tal qual se dá
com a noite às primeiras claridades do alvorecer.”
187. A substância do perispírito é a mesma em todos os mundos?
“Não; é mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o Espírito se
reveste da matéria própria desse outro, operando-se, porém, essa mudança
com a rapidez do relâmpago.”
188. Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se acham no espaço
universal, sem estarem mais ligados a um mundo do que a outros?
“Habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra;
podem, melhor do que os outros, estar em toda parte.”
TOPO
Transmigrações progressivas:
189. Desde o início de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas
faculdades?
“Não, pois que para o Espírito, como para o homem, também há infância. Em
sua origem, a vida do Espírito é apenas instintiva. Ele mal tem
consciência de si mesmo e de seus atos. A inteligência só pouco a pouco se
desenvolve.”
190. Qual o estado da alma na sua primeira encarnação?
“O da infância na vida corporal. A inteligência apenas desabrocha: a alma
se ensaia para a vida.”
191. As dos nossos selvagens são almas no estado de infância?
“De infância relativa, pois já são almas desenvolvidas, visto que já
nutrem paixões.”
a) - Então, as paixões são um sinal de desenvolvimento?
“De desenvolvimento, sim; de perfeição, porém, não. São sinal de atividade
e de consciência do eu, porquanto, na alma primitiva, a inteligência e a
vida se acham no estado de gérmen.”
A vida do Espírito, em seu conjunto, apresenta as mesmas fases que
observamos na vida corporal. Ele passa gradualmente do estado de embrião
ao de infância, para chegar, percorrendo sucessivos períodos, ao de
adulto, que é o da perfeição, com a diferença de que para o Espírito não
há declínio, nem decrepitude, como na vida corporal; que a sua vida, que
teve começo, não terá fim; que imenso tempo lhe é necessário, do nosso
ponto vista, para passar da infância espírita ao completo desenvolvimento;
e que o seu progresso se realiza, não num único mundo, mas vivendo ele em
mundos diversos. A vida do Espírito, pois, se compõe de um série de
existências corpóreas, cada uma das quais representa para ele uma ocasião
de progredir, do mesmo modo que cada existência corporal se compõe de uma
série de dias, em cada um dos quais o homem obtém um acréscimo de
experiência e de instrução. Mas, assim como, na vida do homem, há dias que
nenhum fruto produzem, na do Espírito há existências corporais de que
nenhum resultado colhe, porque não as soube aproveitar. (A.K.)
192. Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos
os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem
passar por outros graus intermédios?
“Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há
qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão
perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a
perfeição absoluta. Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança
que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de
chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a
saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre
progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido,
importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala.
Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos
longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem.”
a) - Pode ao menos o homem, na vida presente, preparar com segurança, para
si, uma existência futura menos prenhe de amarguras?
“Sem dúvida. Pode reduzir a extensão e as dificuldades do caminho. Só o
descuidoso permanece sempre no mesmo ponto.”
193. Pode um homem, nas suas novas existências, descer mais baixo do que
esteja na atual?
“Com relação à posição social, sim; como Espírito, não.”
194. É possível que, em nova encarnação, a alma de um homem de bem anime o
corpo de um celerado?
“Não, visto que não pode degenerar.”
a) - A alma de um homem perverso pode tornar-se a de um homem de bem?
“Sim, se se arrependeu. Isso constitui então uma recompensa.”
A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrograda. Eles se elevam
gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em
suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, não como
Espíritos. Assim, a alma de um potentado da Terra pode mais tarde animar o
mais humilde obreiro e vice versa, por isso que, entre os homens, as
categorias estão freqüentemente, na razão inversa da elevação das
qualidades morais. Herodes era rei e Jesus, carpinteiro. (A.K.)
195. A possibilidade de se melhorarem noutra existência não será de molde
a fazer que certas pessoas perseverem no mau caminho, dominadas pela idéia
de que poderão corrigir-se mais tarde?
“Aquele que assim pensa em nada crê e a idéia de um castigo eterno não o
refrearia mais do que qualquer outra, porque sua razão a repele, e
semelhante idéia induz à incredulidade a respeito de tudo. Se unicamente
meios racionais se tivessem empregado para guiar os homens, não haveria
tantos cépticos. De fato, um Espírito imperfeito poderá, durante a vida
corporal, pensar como dizes; mas, liberto que se veja da matéria, pensará
de outro modo, pois logo verificará que fez cálculo errado e, então,
sentimento oposto a esse trará ele para a sua nova existência. É assim que
se efetua o progresso e essa a razão por que, na Terra os homens são
desigualmente adiantados. Uns já dispõe de experiência que a outros falta,
mas que adquirirão pouco a pouco. Deles depende o acelerar-se-lhes o
progresso ou retardar-se
indefinidamente.”
O homem, que ocupa uma posição má, deseja trocá-la o mais depressa
possível. Aquele, que se acha persuadido de que as tribulações da vida
terrena são conseqüência de suas imperfeições, procurará garantir para si
uma nova existência menos penosa e esta idéia o desviará mais depressa da
senda do mal do que a do fogo eterno, em que não acredita. (A.K.)
196. Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das
tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma
espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres
do mundo espírita para alcançarem a perfeição?
“Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessa provas, evitando o mal e
praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo,
conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou
depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem.”
a) - É o corpo que influi sobre o Espírito para que este se melhore, ou o
Espírito que influi sobre o corpo?
“Teu Espírito é tudo; teu corpo é simples veste que apodrece: eis tudo.”
O suco da vide nos oferece um símile material dos diferentes graus da
depuração da alma. Ele contém o licor que se chama espírito ou álcool, mas
enfraquecido por uma imensidade de matérias estranhas, que lhe alteram a
essência. Esta só chega à pureza absoluta depois de múltiplas destilações,
em cada uma das quais se despoja de algumas impurezas. O corpo é o
alambique em que a alma tem que entrar para se purificar. Às matérias
estranhas se assemelha o perispírito, que também se depura, à medida que o
Espírito se aproxima da perfeição. (A.K.)
TOPO
Sorte das crianças depois da morte:
197. Poderá ser tão adiantado quanto o de um adulto o Espírito de uma
criança que morreu em tenra idade?
“Algumas vezes o é muito mais, porquanto pode dar-se que muito mais já
tenha vivido e adquirido maior soma de experiência, sobretudo se
progrediu.”
a) - Pode então o Espírito de uma criança ser mais adiantado que o de seu
pai?
“Isso é muito freqüente. Não o vedes vós mesmos tão amiudadas vezes na
Terra?”
198. Não tendo podido praticar o mal, o Espírito de uma criança que morreu
em tenra idade pertence a alguma das categorias superiores?
“Se não fez o mal, igualmente não fez o bem e Deus não o isenta das provas
que tenha de padecer. Se for um Espírito puro, não o é pelo fato de ter
animado apenas uma criança, mas porque já progredira até a pureza.”
199. Por que tão freqüentemente a vida se interrompe na infância?
“A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que
a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes
do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui
provação ou expiação para os pais.”
a) - Que sucede ao Espírito de uma criança que morre pequenina?
“Recomeça outra existência.”
Se uma única existência tivesse o homem e se, extinguindo-se-lhe ela,
sua sorte ficasse decidida para a eternidade, qual seria o mérito de
metade do gênero humano, da que morre na infância, para gozar, sem
esforços, da felicidade eterna e com que direito se acharia isenta das
condições, às vezes tão duras, a que se vê submetida a outra metade?
Semelhante ordem de coisas não corresponderia à justiça de Deus. Com a
reencarnação, a igualdade é real para todos. O futuro a todos toca sem
exceção e sem favor para quem quer que seja. Os retardatários só de si
mesmos se podem queixar. Forçoso é que o homem tenha o merecimento de seus
atos, como tem deles a responsabilidade. Aliás, não é racional
considerar-se a infância como um estado normal de inocência. Não se vêem
crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que ainda nenhuma
influência pode ter tido a educação? Alguns não há que parecem trazer do
berço a astúcia, a felonia, a perfídia, até pendor para o roubo e para o
assassínio, não obstante os bons exemplos que de todos os lados se lhes
dão? A lei civil as absorve de seus crimes, porque, diz ela, obraram sem
discernimento. Tem razão a lei, porque, de fato, elas obram mais por
instinto do que intencionalmente. Donde, porém, provirão instintos tão
diversos em crianças da mesma idade, educadas em condições idênticas e
sujeitas às mesmas influências? Donde a precoce perversidade, senão da
inferioridade do Espírito, uma vez que a educação em nada contribuiu para
isso? As que se revelam viciosas, é porque seus Espíritos muito pouco hão
progredido. Sofrem então, por efeito dessa falta de progresso, as
conseqüências , não dos atos que praticam na infância, mas dos de suas
existências anteriores. Assim é que a lei é uma só para todos e que todos
são atingidos pela justiça de Deus. (A.K.)
TOPO
Sexo nos Espíritos:
200. Têm sexos os Espíritos?
“Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre
eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.”
201. Em nossa existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem
animar o de uma mulher e vice-versa?
“Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.”
202. Quando errante, que prefere o Espírito; encarnar no corpo de um
homem, ou no de uma mulher?
“Isso pouco lhe importa. O que o guia na escolha são as provas por que
haja de passar.”
Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm
sexo. Visto que lhes cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada
posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais e, com
isso, ensejo de ganharem experiência. Aquele que só como homem encarnasse
só saberia o que sabem os homens. (A.K)
TOPO
Parentesco, filiação:
203. Transmitem os pais aos filhos uma parcela de suas almas, ou se
limitam a lhes dar a vida animal a que, mais tarde, outra alma vem
adicionar a vida moral?
“Dão-lhes apenas a vida animal, pois que a alma é indivisível. Um pai
obtuso pode ter filhos inteligentes e vice-versa.”
204. Uma vez que temos tido muitas existências, a nossa parentela vai além
da que a existência atual nos criou?
“Não pode ser de outra maneira. A sucessão das existências corporais
estabelece entre os Espíritos ligações que remontam às vossas existências
anteriores. Daí, muitas vezes, a simpatia que vem a existir entre vós e
certos Espíritos que vos parecem estranhos.”
205. A algumas pessoas a doutrina da reencarnação se afigura destruidora
dos laços de família, com o fazê-los anteriores à existência atual.
“Ela os distende; não os destrói. Fundando-se o parentesco em afeições
anteriores, menos precários são os laços existentes entre os membros de
uma mesma família. Essa doutrina amplia os deveres da fraternidade,
porquanto, no vosso vizinho, ou no vosso servo, pode achar-se um Espírito
a quem tenhais estado presos pelos laços da consangüinidade.”
a) - Ela, no entanto, diminui a importância que alguns dão à genealogia,
visto que qualquer pode ter tido por pai um Espírito que haja pertencido a
outra raça, ou que haja vivido em condição muito diversa.
“É exato; mas essa importância assenta no orgulho. Os títulos, a categoria
social, a riqueza, eis o que esses tais veneram nos seus antepassados. Um,
que coraria de contar, como ascendente, honrado sapateiro, orgulhar-se-ia
de descender de um gentil-homem devasso. Digam, porém, o que disserem, ou
façam o que fizerem, não obstarão a que as coisas sejam como são, que não
foi consultando-lhes a vaidade que Deus formulou as leis da Natureza.”
206. Do fato de não haver filiação entre os Espíritos dos descendentes de
qualquer família, seguir-se-á que o culto dos avoengos seja ridículo?
“De modo nenhum. Todo homem deve considerar-se ditoso por pertencer a uma
família em que encarnaram Espíritos elevados. Se bem os Espíritos não
procedam uns dos outros, nem por isso menos afeição consagram aos que lhes
estão ligados pelos elos da família, dado que muitas vezes são atraídos
para tal ou qual família pela simpatia, ou pelos laços que anteriormente
se estabeleceram. Mas, ficai certos de que os vossos antepassados não se
honram com o culto que lhes tributais por orgulho. Em vós não se refletem
os méritos de que eles gozem, senão na medida dos esforços que empregais
por seguir os bons exemplos que vos deram. Somente nestas condições lhes é
grata e até mesmo útil a lembrança que deles guardais.”
TOPO
Parecenças físicas e morais:
207. Freqüentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença física.
Transmitirão também alguma parecença moral?
“Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo
deriva do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os
descendentes das raças apenas há consangüinidade.”
a) - Donde se originam as parecenças morais que costuma haver entre pais e
filhos?
“É que uns e outros são Espíritos simpáticos, que reciprocamente se
atraíram pela analogia dos pendores.”
208. Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois
do nascimento deste?
“Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os
Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os
Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela
educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem
a falir no seu desempenho.”
209. Por que é que de pais bons e virtuosos nascem filhos de natureza
perversa? Por outra: por que é que as boas qualidades dos pais nem sempre
atraem, por simpatia, um bom Espírito para lhes animar o filho?
“Não é raro que um mau Espírito peça lhe sejam dados bons pais, na
esperança de que seus conselhos o encaminhem por melhor senda e muitas
vezes Deus lhe concede o que deseja.”
210. Pelos seus pensamentos e preces podem, os pais atrair para o corpo,
em formação do filho, um bom Espírito, de preferência a um inferior?
“Não, mas podem melhorar o Espírito do filho que lhes nasceu e está
confiado. Esse o dever deles. Os maus filhos são uma provação para os
pais.”
211. Donde deriva a semelhança de caráter que muitas vezes existe entre
dois irmãos, mormente se gêmeos?
“São Espíritos simpáticos que se aproximam por analogia de sentimentos e
se sentem felizes por estar juntos.”
212. Há dois Espíritos, ou, por outra, duas almas, nas criança cujos
corpos nascem ligados, tendo comuns alguns órgãos?
“Sim, mas a semelhança entre elas é tal que faz vos pareçam, em muitos
casos, uma só.”
213. Pois que nos gêmeos os Espíritos encarnam por simpatia, donde provém
a aversão que às vezes se nota entre eles?
“Não é de regra que sejam simpáticos os Espíritos dos gêmeos. Acontece
também que Espíritos maus entendam de lutar juntos no palco da vida.”
214. Que se deve pensar dessas histórias de crianças que lutam no seio
materno?
“Lendas! Para significarem quão inveterado era o ódio que reciprocamente
se votavam, figuram-no a se fazer sentir antes do nascimento delas. Em
geral, não levais muito em conta as imagens poéticas.”
215. Que é o que dá origem ao caráter distintivo que se nota em cada povo?
“Também os Espíritos se grupam em famílias, formando-as pela analogia de
seus pendores mais ou menos puros, conforme a elevação que tenham
alcançado. Pois bem! um povo é uma grande família formada pela reunião de
Espíritos simpáticos. Na tendência que apresentam os membros dessas
famílias, para se unirem, é que está a origem da semelhança que, existindo
entre os indivíduos, constitui o caráter distintivo de cada povo. Julgas
que Espíritos bons e humanitários procurem, para nele encarnar, um povo
rude e grosseiro?
"Não. Os Espíritos simpatizam com as coletividades, como simpatizam com os
indivíduos. Naquelas em cujo seio se encontrem, eles se acham no meio que
lhes é próprio.”
216. Em suas novas existências conservará o Espírito traços do caráter
moral de suas existências anteriores?
“Isso pode dar-se. Mas, melhorando-se, ele muda. Pode também acontecer que
sua posição social venha a ser outra. Se de senhor passa a escravo,
inteiramente diversos serão os seus gostos e dificilmente o
reconheceríeis. Sendo o Espírito sempre o mesmo nas diversas encarnações,
podem existir certas analogias entre as suas manifestações, se bem que
modificadas pelos hábitos da posição que ocupe, até que um aperfeiçoamento
notável lhe haja mudado completamente o caráter, porquanto, de orgulhoso e
mau, pode tornar-se humilde e bondoso, se se arrependeu.”
217. E do caráter físico de suas existências pretéritas conserva o
Espírito traços nas suas existências posteriores?
“O novo corpo que ele toma nenhuma relação tem com o que foi anteriormente
destruído. Entretanto, o Espírito se reflete no corpo. Sem dúvida que este
é unicamente matéria, porém, nada obstante, se modela pelas capacidades do
Espírito, que lhe imprime certo cunho, sobretudo ao rosto, pelo que é
verdadeiro dizer-se que os olhos são o espelho da alma, isto é, que o
semblante do indivíduo lhe reflete de modo particular a alma. Assim é que
uma pessoa excessivamente feia, quando nela habita um Espírito bom,
criterioso, humanitário, tem qualquer coisa que agrada, ao passo que há
rostos belíssimos que nenhuma impressão te causam, que até chegam a
inspirar-te repulsão. Poderias supor que somente corpos bem moldados
servem de envoltório aos mais perfeitos Espíritos, quando o certo é que
todos os dias deparas com homens de bem, sob um exterior disforme. Sem que
haja pronunciada parecença, a semelhança dos gostos e das inclinações
pode, portanto, dar lugar ao que se chama “um ar de família.”
Nenhuma relação essencial guardando o corpo que a alma toma numa
encarnação com o de que se revestiu em encarnação anterior, visto que
aquele lhe pode vir de procedência muito diversa da deste, fora absurdo
pretender-se que, numa série de existências, haja uma semelhança que é
inteiramente fortuita. Todavia, as qualidades do Espírito freqüentemente
modificam os órgãos que lhe servem para as manifestações e lhe imprimem ao
semblante físico e até ao conjunto de suas maneiras um cunho especial. É
assim que, sob um envoltório corporal da mais humilde aparência, se pode
deparar a expressão da grandeza e da dignidade, enquanto sob um envoltório
de aspecto senhoril se percebe freqüentemente a da baixeza e da ignomínia.
Não é pouco freqüente observar-se que certas pessoas, elevando-se da mais
ínfima posição, tomam sem esforços os hábitos e as maneiras da alta
sociedade. Parece que elas aí vêm a achar-se de novo no seu elemento.
Outras, contrariamente, apesar do nascimento e da educação, se mostram
sempre deslocadas em tal meio. De que modo se há de explicar esse fato,
senão como reflexo daquilo que o Espírito foi antes? (A.K.)
TOPO
Idéias inatas:
218. Encarnado, conserva o Espírito algum vestígio das percepções que teve
e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores?
“Guarda vaga lembrança, que lhe dá o que se chama idéias inatas.”
a) - Não é, então, quimérica a teoria das idéias inatas?
“Não; os conhecimentos adquiridos em cada existência não mais se perdem.
Liberto da matéria, o Espírito sempre os tem presentes. Durante a
encarnação, esquece-os em parte, momentaneamente; porém, a intuição que
deles conserva lhe auxilia o progresso. Se não fosse assim, teria que
recomeçar constantemente. Em cada nova existência, o ponto de partida,
para o Espírito, é o em que, na existência precedente, ele ficou.”
b) - Grande conexão deve haver entre duas existências consecutivas?
“Nem sempre tão grande quanto talvez o suponhas, dado que bem diferentes
são, muitas vezes, as posições do Espírito nas duas e que, no intervalo de
uma e outra, pode ele ter progredido.” (216)
219. Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem
estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das
línguas, do cálculo, etc.?
“Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem
consciência. Donde queres que venham tais conhecimentos? O corpo muda, o
Espírito, porém, não muda, embora troque de roupagem.”
220. Pode o Espírito, mudando de corpo, perder algumas faculdades
intelectuais, deixar de ter, por exemplo, o gosto das artes?
“Sim, desde que conspurcou a sua inteligência ou a utilizou mal. Depois,
uma faculdade qualquer pode permanecer adormecida durante uma existência,
por querer o Espírito exercitar outra, que nenhuma relação tem com aquela.
Essa, então, fica em estado latente, para reaparecer mais tarde.”
221. Dever-se-ão atribuir a uma lembrança retrospectiva o sentimento
instintivo que o homem, mesmo quando selvagem, possui da existência de
Deus e o pressentimento da vida futura?
“É uma lembrança que ele conserva do que sabia como Espírito antes de
encarnar. Mas, o orgulho amiudadamente abafa esse sentimento.”
a) - Serão devidas a essa mesma lembrança certas crenças relativas à
Doutrina Espírita, que se observam em todos os povos?
“Esta doutrina é tão antiga quanto o mundo; tal o motivo por que em toda
parte a encontramos, o que constitui prova de que é verdadeira.
Conservando a intuição do seu estado de Espírito, o Espírito encarnado
tem, instintivamente, consciência do mundo invisível, mas os preconceitos
bastas vezes falseiam essa idéia e a ignorância lhe mistura a
superstição.”
Não é novo, dizem alguns, o dogma da reencarnação; ressuscitaram-no da
doutrina de Pitágoras. Nunca dissemos ser de invenção moderna a Doutrina
Espírita. Constituindo uma lei da Natureza, o Espiritismo há de ter
existido desde a origem dos tempos e sempre nos esforçamos por demonstrar
que dele se descobrem sinais na antiguidade mais remota. Pitágoras, como
se sabe, não foi o autor do sistema da metempsicose; ele o colheu dos
filósofos indianos e dos egípcios, que o tinham desde tempos imemoriais. A
idéia da transmigração das almas formava, pois, uma crença vulgar, aceita
pelos homens mais eminentes. De que modo a adquiriram? Por uma revelação,
ou por intuição? Ignoramo-lo Seja, porém, como for, o que não padece
dúvida é que uma idéia não atravessa séculos e séculos, nem consegue
impor-se a inteligências de escol, se não contiver algo de sério. Assim, a
ancianidade desta doutrina, em vez de ser uma objeção, seria prova a seu
favor. Contudo, entre a metempsicose dos antigos e a moderna doutrina da
reencarnação, há, como também se sabe, profunda diferença, assinalada pelo
fato de os Espíritos rejeitarem, de maneira absoluta, a transmigração da
alma do homem para os animais e reciprocamente. Portanto, ensinando o
dogma da pluralidade das existências corporais, os Espíritos renovam uma
doutrina que teve origem nas primeiras idades do mundo e que se conservou
no íntimo de muitas pessoas, até aos nossos dias. Simplesmente, eles a
apresentam de um ponto de vista mais racional, mais acorde com as leis
progressivas da Natureza e mais de conformidade com a sabedoria do
Criador, despindo-a de todos os acessórios da superstição. Circunstância
digna de nota é que não só neste livro os Espíritos a ensinaram no decurso
dos últimos tempos: já antes da sua publicação, numerosas comunicações da
mesma natureza se obtiveram em vários países, multiplicando-se depois,
consideravelmente. Talvez fosse aqui o caso de examinarmos por que os
Espíritos não parecem todos de acordo sobre esta questão. Mais tarde,
porém, voltaremos a este assunto. Examinaremos de outro ponto de vista a
matéria e, abstraindo de qualquer intervenção dos Espíritos, deixemo-los
de lado, por enquanto,. Suponhamos que esta teoria nada tenha que ver com
eles; suponhamos mesmo que jamais se haja cogitado de Espíritos.
Coloquemo-nos, momentaneamente, num terreno neutro, admitindo o mesmo grau
de probabilidade para ambas as hipóteses, isto é, a da pluralidade e a da
unicidade das existências corpóreas, e vejamos para que lado a razão e o
nosso próprio interesse nos farão pender.
Muitos repelem a idéia da reencarnação pelo só motivo de ela não lhes
convir. Dizem que uma existência já lhes chega de sobra e que, portanto,
não desejariam recomeçar outra semelhante. De alguns sabemos que saltam em
fúria só com o pensarem que tenham de voltar à Terra. Perguntar-lhes-emos
apenas se imaginam que Deus lhes pediu o parecer, ou consultou os gostos,
para regular o Universo. Uma de duas: ou a reencarnação existe, ou não
existe; se existe, nada importa que os contrarie; terão que a sofrer, sem
que para isso lhes peça Deus permissão. Afiguram-se-nos os que assim falam
um doente a dizer: Sofri hoje bastante, não quero sofrer mais amanhã.
Qualquer que seja o seu mau-humor, não terá por isso que sofrer menos no
dia seguinte, nem nos que se sucederem, até que se ache curado.
Conseguintemente, se os que de tal maneira se externam tiverem que viver
de novo, corporalmente, tornarão a viver, reencarnarão. Nada lhes
adiantará rebelarem-se, quais crianças que não querem ir para o colégio,
ou condenados, para a prisão. Passarão pelo que têm de passar.
São demasiado pueris semelhantes objeções, para merecerem mais seriamente
examinadas.
Diremos, todavia, aos que as formulam que se tranqüilizem, que a Doutrina
Espírita, no tocante à reencarnação, não é tão terrível como a julgam;
que, se a houvessem estudado a fundo, não se mostrariam tão aterrorizados;
saberiam que deles dependem as condições da nova existência, que será
feliz ou desgraçada, conforme ao que tiverem feito neste mundo; que desde
agora poderão elevar-se tão alto que a recaída no lodaçal não lhes seja
mais de temer.
Suponhamos dirigir-nos a pessoas que acreditam num futuro depois da morte
e não aos que criam para si a perspectiva do nada, ou pretendem que suas
almas se vão afogar num todo universal, onde perdem a individualidade,
como os pingos da chuva no oceano, o que vem a dar quase no mesmo. Ora,
pois: se credes num futuro qualquer, certo não admitis que ele seja
idêntico para todos, porquanto de outro modo, qual a utilidade do bem? Por
que haveria o homem de constranger-se? Por que deixaria de satisfazer a
todas as suas paixões, a todos os seus desejos, embora a custa de outrem,
uma vez que por isso não ficaria sendo melhor, nem pior? Credes, ao
contrário, que esse futuro será mais ou menos ditoso ou inditoso, conforme
ao que houverdes feito durante a vida e então desejais que seja tão
afortunado quanto possível, visto que há de durar pela eternidade, não?
Mas, porventura, teríeis a pretensão de ser dos homens mais perfeitos que
hajam existido na Terra e, pois, com direito a alcançardes de um salto a
suprema felicidade dos eleitos? Não. Admitis então que há homens de valor
maior do que o vosso e com direito a um lugar melhor, sem daí resultar que
vos conteis entre os réprobos. Pois bem! Colocai-vos mentalmente, por um
instante, nessa situação intermédia, que será a vossa, como acabastes de
reconhecer, e imaginai que alguém vos venha dizer: Sofreis; não sois tão
felizes quanto poderíeis ser, ao passo que diante de vós estão seres que
gozam de completa ventura. Quereis mudar na deles a vossa posição? -
Certamente, respondereis; que devemos fazer? - Quase nada: recomeçar o
trabalho mal executado e executá-lo melhor. - Hesitaríeis em aceitar,
ainda que a poder de muitas existências de provações? Façamos outra
comparação mais prosaica. Figuremos que a um homem que, sem ter deixado a
miséria extrema, sofre, no entanto, privações, por escassez de recursos,
viessem dizer: Aqui está uma riqueza imensa de que podes gozar; para isto
só é necessário que trabalhes arduamente durante um minuto. Fosse ele o
mais preguiçoso da Terra, que sem hesitar diria: Trabalhemos um minuto,
dois minutos, uma hora, um dia, se for preciso. Que importa isso, desde
que me leve a acabar os meus dias na fartura? Ora, que é a duração da vida
corpórea, em confronto com a eternidade? Menos que um minuto, menos que um
segundo.
Temos visto algumas pessoas raciocinarem deste modo: Não é possível que
Deus, soberanamente bom como é, imponha ao homem a obrigação de recomeçar
uma série de misérias e tribulações. Acharão, porventura, essas pessoas
que há mais bondade em condenar Deus o homem a sofrer perpetuamente, por
motivo de alguns momentos de erro, do que em lhe facultar meios de reparar
suas faltas?
“Dois industriais contrataram dois operários, cada um dois quais podia
aspirar a se tornar sócio do respectivo patrão. Aconteceu que esses dois
operários certa vez empregaram muito mal o seu dia, merecendo ambos ser
despedidos. Um dos industriais, não obstante as súplicas do seu, o mandou
embora e o pobre operário, não tendo achado mais trabalho, acabou por
morrer na miséria.
O outro disse ao seu: Perdeste um dia; deves-me por isso uma compensação.
Executaste mal o teu trabalho; ficaste a me dever uma reparação. Consinto
que o recomeces. Trata de executá-lo bem, que te conservarei ao meu
serviço e poderás continuar aspirando à posição superior que te prometi.”
Será preciso perguntemos qual dos industriais foi mais humano?
Dar-se-á que Deus, que é a clemência mesma, seja mais inexorável do que um
homem? Alguma coisa de pungente há na idéia de que a nossa sorte fique
para sempre decidida, por efeito de alguns anos de provações, ainda quando
de nós não tenha dependido o atingirmos a perfeição, ao passo que
eminentemente consoladora é a idéia oposta, que nos permite a esperança.
Assim, sem nos pronunciarmos pró ou contra a pluralidade das existências,
sem preferirmos uma hipótese a outra, declaramos que, se aos homens fosse
dado escolher, ninguém quereria o julgamento sem apelação. Disse um
filósofo que, se Deus não existisse, fora mister inventá-lo, para
felicidade do gênero humano. Outro tanto se poderia dizer sobre a
pluralidade das existências. Mas, conforme atrás ponderamos, Deus não nos
pede permissão, nem consulta os nossos gostos. Ou isto é, ou não é.
Vejamos de que lado estão as probabilidades e encaremos de outro ponto de
vista o assunto, unicamente como estudo filosófico, sempre abstraindo do
ensino dos Espíritos.
Se não há reencarnação, só há, evidentemente, uma existência corporal. Se
a nossa atual existência corpórea é única, a alma de cada homem foi criada
por ocasião do seu nascimento, a menos que se admita a anterioridade da
alma, caso em que se caberia perguntar o que era ela antes do nascimento e
se o estado em que se achava não constituía uma existência sob forma
qualquer. Não há meio termo: ou a alma existia, ou não existia antes do
corpo. Se existia, qual a sua situação? Tinha, ou não, consciência de si
mesma? Se não tinha, é quase como se não existisse. Se tinha
individualidade, era progressiva, ou estacionária? Num e noutro caso, a
que grau chegara ao tomar o corpo? Admitindo, de acordo com a crença
vulgar, que a alma nasce com o corpo, ou, o que vem a ser o mesmo, que,
antes de encarnar, só dispõe de faculdades negativas, perguntamos:
1º Por que mostra a alma aptidões tão diversas e independentes das idéias
que a educação lhe fez adquirir?
2º Donde vem a aptidão extra-normal que muitas crianças em tenra idade
revelam, para esta ou aquela arte, para esta ou aquela ciência, enquanto
outras se conservam inferiores ou medíocres durante a vida toda?
3º Donde, em uns, as idéias inatas ou intuitivas, que noutros não existem?
4º Donde, em certas crianças, o instituto precoce que revelam para os
vícios ou para as virtudes, os sentimentos inatos de dignidade ou de
baixeza, contrastando com o meio em que elas nasceram?
5º Por que, abstraindo-se da educação, uns homens são mais adiantados do
que outros?
6º Por que há selvagens e homens civilizados? Se tomardes de um menino
hotentote recém-nascido e o educardes nos nossos melhores liceus, fareis
dele algum dia um Laplace ou um Newton?
Qual a filosofia ou a teosofia capaz de resolver estes problemas? É fora
de dúvida que, ou as almas são iguais ao nascerem, ou são desiguais. Se
são iguais, por que, entre elas, tão grande diversidade de aptidões?
Dir-se-á que isso depende do organismo. Mas, então, achamo-nos em presença
da mais monstruosa e imoral das doutrinas. O homem seria simples máquina,
joguete da matéria; deixaria de ter a responsabilidade de seus atos, pois
que poderia atribuir tudo às suas imperfeições físicas. Se almas são
desiguais, é que Deus as criou assim. Nesse caso, porém, por que a inata
superioridade concedida a algumas? Corresponderá essa parcialidade à
justiça de Deus e ao amor que Ele consagra igualmente a todas suas
criaturas?
Admitamos, ao contrário, uma série de progressivas existências anteriores
para cada alma e tudo se explica. Ao nascerem, trazem os homens a intuição
do que aprenderam antes: São mais ou menos adiantados, conforme o número
de existências que contem, conforme já estejam mais ou menos afastados do
ponto de partida. Dá-se aí exatamente o que se observa numa reunião de
indivíduos de todas as idades, onde cada um terá desenvolvimento
proporcionado ao número de anos que tenha vivido. As existências
sucessivas serão, para a vida da alma, o que os anos são para a do corpo.
Reuni, em certo dia, um milheiro de indivíduos de um a oitenta anos;
suponde que um véu encubra todos os dias precedentes ao em que os
reunistes e que, em conseqüência, acreditais que todos nasceram na mesma
ocasião. Perguntareis naturalmente como é que uns são grandes e outros
pequenos, uns velhos e jovens outros, instruídos uns, outros ainda
ignorantes. Se, porém, dissipando-se a nuvem que lhes oculta o passado,
vierdes a saber que todos hão vivido mais ou menos tempo, tudo se vos
tornará explicado. Deus, em Sua justiça, não pode ter criado almas
desigualmente perfeitas. Com a pluralidade das existências, a desigualdade
que notamos nada mais apresenta em oposição à mais rigorosa eqüidade: é
que apenas vemos o presente e não o passado. A este raciocínio serve de
base algum sistema, alguma suposição gratuita? Não. Partimos de um fato
patente, incontestável: a desigualdade das aptidões e do desenvolvimento
intelectual e moral e verificamos que nenhuma das teorias correntes o
explica, ao passo que uma outra teoria lhe dá explicação simples, natural
e lógica. Será racional preferir-se as que não explicam àquela que
explica?
À vista da sexta interrogação acima, dirão naturalmente que o hotentote é
de raça inferior. Perguntaremos, então, se o hotentote é ou não um homem.
Se é, por que a ele e à sua raça privou Deus dos privilégios concedidos à
raça caucásica? Se não é, por que tentar fazê-lo cristão? A Doutrina
Espírita tem mais amplitude do que tudo isto. Segundo ela, não há muitas
espécies de homens, há tão-somente cujos espíritos estão mais ou menos
atrasados, porém, todos suscetíveis de progredir. Não é este princípio
mais conforme à justiça de Deus? Vimos de apreciar a alma com relação ao
seu passado e ao seu presente. Se a considerarmos, tendo em vista o seu
futuro, esbarraremos nas mesmas dificuldades.
1ª Se a nossa existência atual é que, só ela, decidirá da nossa sorte
vindoura, quais, na vida futura, as posições respectivas do selvagem e do
homem civilizado? Estarão no mesmo nível, ou se acharão distanciados um do
outro, no tocante à soma de felicidade eterna que lhes caiba?
2ª O homem que trabalhou toda a sua vida por melhorar-se, virá a ocupar a
mesma categoria de outro que se conservou em grau inferior de
adiantamento, não por culpa sua, mas porque não teve tempo, nem
possibilidade de se tornar melhor?
3ª O que praticou o mal, por não ter podido instruir-se, será culpado de
um estado de coisas cuja existência em nada dependeu dele?
4ª Trabalha-se continuamente por esclarecer, moralizar, civilizar os
homens. Mas, em contraposição a um que fica esclarecido, milhões de outros
morrem todos os dias antes que a luz lhes tenha chegado. Qual a sorte
destes últimos? Serão tratados como réprobos? No caso contrário, que
fizeram para ocupar categoria idêntica à dos outros?
5ª Que sorte aguarda os que morrem na infância, quando ainda não puderam
fazer nem o bem, nem o mal? Se vão para o meio dos eleitos, por que esse
favor, sem que coisa alguma hajam feito para merecê-lo? Em virtude de que
privilégio eles se vêem isentos das tribulações da vida? Haverá alguma
doutrina capaz de resolver esses problemas? Admitam-se as existências
consecutivas e tudo se explicará conformemente à justiça de Deus. O que se
não pôde fazer numa existência faz-se em outra. Assim é que ninguém escapa
à lei do progresso, que cada um será recompensado segundo o seu
merecimento real e que ninguém fica excluído da felicidade suprema, a que
todos podem aspirar, quaisquer que sejam os obstáculos com que topem no
caminho.
Essas questões facilmente se multiplicariam ao infinito, porquanto
inúmeros são os problemas psicológicos e morais que só na pluralidade das
existências encontram solução. Limitamo-nos a formular as de ordem mais
geral. Como quer que seja, alegar-se-á talvez que a Igreja não admite a
doutrina da reencarnação; que ela subverteria a religião. Não temos o
intuito de tratar dessa questão neste momento. Basta-nos o havermos
demonstrado que aquela doutrina é eminentemente moral e racional. Ora, o
que é moral e racional não pode estar em oposição a uma religião que
proclama ser Deus a bondade e a razão por excelência. Que teria sido da
religião, se, contra a opinião universal e o testemunho da ciência, se
houvesse obstinadamente recusado a render-se à evidência e expulsado de
seu seio todos os que não acreditassem no movimento do Sol ou nos seis
dias da criação? Que crédito houvera merecido e que autoridade teria tido,
entre povos cultos, uma religião fundada em erros manifestos e que os
impusesse como artigos de fé? Logo que a evidência se patenteou, a Igreja,
criteriosamente, se colocou do lado da evidência. Uma vez provado que
certas coisas existentes seriam impossíveis sem a reencarnação, que, a não
ser por esse meio, não se consegue explicar alguns pontos do dogma, cumpre
admiti-lo e reconhecer meramente aparente o antagonismo entre esta
doutrina e a dogmática. Mais adiante mostraremos que talvez seja muito
menor do que se pensa a distância que, da doutrina das vidas sucessivas,
separa a religião e que a esta não faria aquela doutrina maior mal do que
lhe fizeram as descobertas do movimento da Terra e dos períodos
geológicos, as quais, à primeira vista, pareceram desmentir os textos
sagrados. Demais, o princípio da reencarnação ressalta de muitas passagens
das Escrituras, achando-se especialmente formulado, de modo explícito, no
Evangelho:
“Quando desciam da montanha (depois da transfiguração), Jesus lhes
fez esta recomendação: Não faleis a ninguém do que acabastes de ver, até
que o Filho do homem tenha ressuscitado, dentre os mortos. Perguntaram-lhe
então seus discípulos: Por que dizem os escribas ser preciso que primeiro
venha Elias? Respondeu-lhes Jesus: É certo que Elias há de vir e que
restabelecerá todas as coisas. Mas, eu vos declaro que Elias já veio, e
eles não o conheceram e o fizeram sofrer como entenderam. Do mesmo modo
darão a morte ao Filho do homem. Compreenderam então seus discípulos que
era de João Batista que ele lhes falava.” (São Mateus, cap. XVII.)
Pois que João Batista fora Elias, houve reencarnação do Espírito ou da
alma de Elias no corpo de João Batista.
Em suma, como quer que opinemos acerca da reencarnação, quer a aceitemos,
quer não, isso não constituirá motivo para que deixemos de sofrê-la, desde
que ela exista, mau grado a todas as crenças em contrário. O essencial
está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apóia-se na
imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus,
no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo. Logo, não é
anti-religioso.
Temos raciocinado, abstraindo, como dissemos, de qualquer ensinamento
espírita que, para certas pessoas, carece de autoridade. Não é somente
porque veio dos Espíritos que nós e tantos outros nos fizemos adeptos da
pluralidade das existências. É porque essa doutrina nos pareceu a mais
lógica e porque só ela resolve questões até então insolúveis. Ainda quando
fosse da autoria de um simples mortal, tê-la-íamos igualmente adotado e
não houvéramos hesitado um segundo mais em renunciar às idéias que
esposávamos. Em sendo demonstrado o erro, muito mais que perder do que
ganhar tem o amor-próprio, com o se obstinar na sustentação de uma idéia
falsa. Assim também, tê-la-íamos repelido, mesmo que provindo dos
Espíritos, se nos parecera contrária à razão, como repelimos muitas
outras, pois sabemos, por experiência, que não se deve aceitar cegamente
tudo o que venha deles, da mesma forma que se não deve adotar às cegas
tudo o que proceda dos homens. O melhor título que, ao nosso ver,
recomenda a idéia da reencarnação é o de ser, antes de tudo, lógica.
Outro, no entanto, ela apresenta: o de a confirmarem os fatos, fatos
positivos e por bem dizer, materiais, que um estudo atento e criterioso
revela a quem se dê ao trabalho de observar com paciência e perseverança e
diante dos quais não há mais lugar para a dúvida. Quando esses fatos se
houverem vulgarizado, como os da formação e do movimento da Terra, forçoso
será que todos se rendam à evidência e os que se lhes colocaram em
oposição ver-se-ão constrangidos a desdizer-se.
Reconheçamos, portanto, em resumo, que só a doutrina da pluralidade das
existências explica o que, sem ela, se mantém inexplicável; que é
altamente consoladora e conforme à mais rigorosa justiça; que constitui
para o homem a âncora de salvação que Deus, por misericórdia, lhe
concedeu. As próprias palavras de Jesus não permitem dúvida a tal
respeito. Eis o que se lê no Evangelho de São João, capítulo III:
3. Respondendo a Nicodemos, disse Jesus: Em verdade, em verdade, te
digo que, se um homem não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus.
4. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer já estando velho? Pode
tornar ao ventre de sua mãe para nascer segunda vez?
5. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se um homem não
renascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus. O que
é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não
te admires de que eu te tenha dito: é necessário que torneis a nascer.
(A.K.)
De: "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", PARTE 2ª -
CAPÍTULO IV, ALLAN KARDEC
TOPO
"O Espiritismo não é simples religião igual às demais: é um método de
viver." - André Luiz
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