1.
EMMANUEL
Emmanuel - Emmanuel foi o inesquecível guia de Chico Xavier, durante o seu longo apostolado
mediúnico. Autor de mais de uma centena de livros de suma importância aos interesses do Espiritismo no Brasil, prossegue arrebatando admiradores sinceros e seguidores fiéis até os dias de hoje. Ao contrário de notícias vinculadas na imprensa espírita, dando conta de sua reencarnação ( ! ), prossegue trabalhando, desde o Plano Espiritual, na expansão de sua obra de evangelização espírita.
Primeira aparição de Emmanuel - Emmanuel, em seu primeiro contato com Chico Xavier mostrou-se dentro de raios luminosos em
forma de cruz e com a aparência de um bondoso ancião. Mais tarde, captado por
tintas mediúnico-artísticas, Emmanuel revelou-se um belo homem, de traços
maduros e serenos, porém joviais e marcantes. Instado a revelar sua identidade,
esquivou-se repetidas vezes, alegando razões particulares e respeitáveis,
afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem pelo Planeta, padre católico
(Manuel da Nóbrega), desencarnado no Brasil. (Chico Xavier, in "Emmanuel",
1938).
Emmanuel & Chico Xavier - Embora Chico Xavier tenha se iniciado no Espiritismo aos 17 anos, em 7
de maio de 1927 (fonte: FEB), apenas a partir de 1931 Emmanuel passou a guiar as
suas mãos, sendo para este, segundo suas próprias palavras, "um viajante muito
educado procurando domar um animal freado e irrequieto, afim de realizar uma
longa excursão". (Pinga-Fogo, Edicel).
Apesar de apontamentos seguidos sobre a rígida disciplina aplicada por Emmanuel
sobre Chico Xavier, este apenas teve sempre, sobre seu mentor, palavras de
carinho e gratidão. E uma profunda admiração também, perceptível nesta
declaração: "Solicitado para se pronunciar sobre esta ou aquela questão,
notei-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando
todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos
outros." Ou então: "Emmanuel tem sido para mim um verdadeiro pai na Vida
Espiritual, pelo carinho com que tolera as falhas, e pela bondade com que repete
as lições que devo aprender. Em todos estes anos de convívio estreito, quase
diário, ele me traçou programas e horários de estudo, nos quais a princípio até
inclui datilografia e gramática, procurando desenvolver os meus singelos
conhecimentos de curso primário, em Pedro Leopoldo, o único que fiz agora, no
terreno da instrução oficial."
Emmanuel permaneceu ao lado de Chico até suas derradeiras horas no Planeta. O
médium morreu na noite de domingo, 30 de junho, aos 92 anos, de parada cardíaca,
na cidade de Uberaba, MG, e onde passou grande parte de sua vida.
É impossível falar em Espiritismo ou em Chico Xavier, principalmente, sem
recordar este grande Espírito que ao longo de várias e laboriosas décadas,
consolidou a Doutrina Espírita no Brasil. Foi através de múltiplos ensinamentos
e mensagens, que Emmanuel popularizou a Terceira Revelação sobre o solo
brasileiro. Suas preciosas lições e incansáveis recomendações ecoam até hoje,
através de livros e lembranças, a perpetuar um trabalho de imensurável valor e
que se desenvolveu, certamente, sob a direção direita do Cristo. (©1999-2006
Instituto André Luiz - Conforme Lei dos Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98)
2.
O SURGIMENTO DE EMMANUEL:
Conta Marcel Souto Maior, no
saboroso "As vidas de Chico Xavier" que, "o ano de 1931 foi movimentado para
Chico. E triste. Cidália morreu em março. Pouco antes de ir embora, chamou o
enteado e fez um pedido: ele deveria evitar que João Cândido se desfizesse,
novamente, dos filhos - seis dela e nove do primeiro casamento.
Ah, mãe, fique despreocupada. Eu prometo que, enquanto minha última irmã não
estiver casada, minha missão no lar
não terá acabado.
Depois da promessa, o apelo.
Não vá embora, não. Com quem vou conversar sobre minhas visões? Quem vai
acreditar em mim?
Num último esforço, Cidália o consolou.
Tenho fé de que você ainda há de encontrar aquelas pessoas do arco-íris* e elas
vão te entender mais do que eu.
Chico se sentia sozinho apesar das visitas esporádicas da mãe e das sessões no
Centro Luiz Gonzaga. Para escapar do coro dos céticos, ele arrastava os pés
pelas ruas de terra do arraial e, com os sapatos sempre frouxos, tomava o rumo
do açude. Aquele era seu refúgio. Ali, ele se encolhia à sombra de uma árvore,
na beira da represa, encarava o céu e rezava ao som das águas. Em 1931, o
bucolismo da cena deu lugar ao fantástico.
O rapaz teve sua conversa com Deus interrompida pela visita de uma cruz
luminosa. Franziu os olhos e percebeu, entre os raios, a poucos metros, a figura
de um senhor imponente, vestido com túnica típica de sacerdotes. O recém-chegado
foi direto ao assunto.
Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem.
- Você não será desamparado, mas para isso é preciso que trabalhe, estude e se
esforce no bem.
O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?
- Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.
Diante do silêncio do desconhecido, Chico perguntou:
Qual o primeiro ponto?
A resposta veio seca:
Disciplina.
E o segundo?
Disciplina.
- E o terceiro?
Disciplina, é claro.
Chico Xavier concordou. E o estranho aproveitou a deixa:
- Temos algo a realizar. Trinta livros para começar.
O rapaz levou um susto. Como iria comprar tinta e papel? Quem pagaria a
publicação de tantos títulos? O salário de caixeiro no armazém de Felizardo mal
dava para as despesas de casa, os 13 mil-réis mensais eram gastos com catorze
irmãos; seu pai era apenas um vendedor de bilhetes de loteria.
Chico arriscou uma previsão.
Papai vai tirar a sorte grande?
O forasteiro encerrou as apostas:
- Nada, nada disso. Sorte grande mesmo é o trabalho com fé em Deus. Os livros
chegarão por caminhos inesperados.
O roteiro estava escrito. Restava ao matuto de Pedro Leopoldo seguir as
instruções. Seus passos, tropeços e quedas, muitas quedas, seriam acompanhados
de perto por aquele estranho a cada dia mais íntimo, O nome dele: Emmanuel,
o mesmo que tinha se apresentado a Carmem Perácio quatro anos antes. A missão:
guiar o rapazote e evitar que ele fugisse do script traçado no além. Chico
deveria colocar no papel as palavras ditadas pelos mortos e divulgar, por meio
do livro, a doutrina dos espíritos." (As Vidas de Chico Xavier", Marcel Souto
Maior, Edit. Planeta)
* A equipe de Espíritos chefiada por Emmanuel,
e principalmente este, devido a grandeza e peculiaridade da tarefa,
provavelmente possui (ou possuía) atmosfera espiritual colorida a lembrar um arco-íris,
como dizia Chico, pois de uma forma incompreensível para nós, as imagens ilustrativas
de suas páginas foram sendo adornadas invariavelmente com um arco-íris. Podemos
dizer mais: fazer isso tornou-se algo quase irresistível, enquanto que os fundos
(ou backs) pendiam sempre para o marrom, a lembrar chão, terra. Por não
compreender-lhe o motivo, retiramos o arco-íris de quase todas ilustrações,
preservando apenas a desta página; da página que apresenta Emmanuel em sua encarnação como Manoel da
Nóbrega (onde o desejo de inserir imagens da fauna e flora brasileira,
exuberante e colorida nos tons do arco-íris, também foi algo quase irresistível)
e a que ilustra a página ainda em construção "Anjos do Brasil",
dedicada aos
Espíritos que velam pelo Brasil desde as suas primeiras horas, dentre eles
Emmanuel. (Lori, Instituto
André Luiz).
Vide:
http://www.institutoandreluiz.org/manoel_da_nobrega.html
http://www.institutoandreluiz.org/anjos_do_brasil.html
3.
ESTILO
Além da recomendação de disciplina, para toda e
qualquer situação, a segunda mais importante orientação de Emmanuel para o
médium é assim relembrada: " - Lembro-me de que num dos primeiros contatos
comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo,
mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições
de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me
aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec,
que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo."
Esse, o estilo de Emmanuel. A verdade sem rodeios.
APARÊNCIA - Em 1953, Chico estava na cabine
(de materialização)
quando a sala foi iluminada por uma espécie de relâmpago. Uma aparição com quase
1,90m de altura, porte atlético e tórax largo, entrou em cena. Trazia na
mão direita, erguida, a velha tocha acesa* (um símbolo de fé). Com voz clara, baritonada, encheu o peito e afirmou:
- Amigos, a materialização é fenômeno que pode deslumbrar alguns companheiros e
até beneficiá-los com a cura física. Mas o livro é chuva que fertiliza lavouras
imensas, alcançando milhões de almas. Rogo aos amigos a suspensão destas
reuniões a partir desse momento.
Era ele mesmo. Emmanuel.
Chico obedeceu mais uma vez. Sua missão era o livro, era materializar idéias.
Precisava cumprir seu cronograma e entregar logo os novos trinta títulos. Ainda
faltavam dez.
A maioria dos amigos entendeu. O autor de best sellers espíritas saía das
sessões em estado de exaustão. Pálido, abatido, banhado em suor. Alguns
admiradores ficaram decepcionados. Quem sabe Chico não poderia provar, com esses
fenômenos, a existência dos espíritos? A esperança era inútil. A maioria
absoluta dos céticos duvidaria de cada foto ou de cada aparição luminosa.
* Veja imagem da materialização
de Emmanuel na página "fotografias
E lembranças".
4.
OBRA DE EMMANUEL
Dentre os mais de quatrocentos livros psicografados por Chico Xavier, cerca de 110 livros (com pouca
margem de erro), pertencem unicamente a Emmanuel. Um número considerável, que se
torna gigantesco quando acrescido das demais obras onde de uma forma ou outra
ele participou, tanto com mensagens quanto com prefácios, alguns fartos e
sumamente felizes, qual o que apresenta o livro "Libertação", de André Luiz.. Podemos
dizer que, se longo foi o mandato de Chico, incansável foi o amor e a boa
vontade de Emmanuel, em traçar pra nós, encarnados ainda em profunda
necessidade, um um poderoso roteiro de luz espiritualizante. (Instituto André
Luiz)
COMO EMMANUEL COMUNICOU A CHICO O
NÚMERO DE LIVROS QUE DEVERIAM ESCREVER JUNTOS:
Chico Xavier: "Depois de haver salientado a disciplina como elemento indispensável a
uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos algo a realizar.' Repliquei de
minha parte qual seria esse algo e o benfeitor esclareceu: 'Trinta livros pra
começar!' Considerei, então: como avaliar esta informação se somos uma família
sem maiores recursos, além do nosso próprio trabalho diário, e a publicação de
um livro demanda tanto dinheiro!... Já que meu pai lidava com bilhetes de
loteria, eu acrescentei: será que meu pai vai tirar a sorte grande? Emmanuel
respondeu: 'Nada, nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com a fé viva
na Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos inesperados!'
Algum tempo depois, enviando as poesias de 'Parnaso de Além- Túmulo' para um dos
diretores da Federação Espírita Brasileira, tive a grata surpresa de ver o livro
aceito e publicado, em 1932. A este livro seguiram-se outros e, em 1947,
atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos muito contentes e perguntei ao amigo
espiritual se a tarefa estava terminada. Ele, então, considerou, sorrindo:
'Agora, começaremos uma nova série de trinta volumes!' Em 1958, indaguei-lhe
novamente se o trabalho finalizara. Os 60 livros estavam publicados e eu me
encontrava quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde cheguei a 5 de
janeiro de 1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência: 'Você perguntou,
em Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero informar a você que
os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também estar disciplinado, me
advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.' Fiquei muito admirado e
as tarefas prosseguiram. Quando alcançamos o número de 100 volumes publicados,
voltei a consultá-lo sobre o termo de nossos compromissos. Ele esclareceu, com
bondade: 'Você não deve pensar em agir e trabalhar com tanta pressa. Agora,
estou na obrigação de dizer a você que os mentores da Vida Superior, que nos
orientam, expediram certa instrução que determina seja a sua atual reencarnação
desapropriada, em benefício da divulgação dos princípios espíritas-cristãos,
permanecendo a sua existência, do ponto de vista físico, à disposição das
entidades espirituais que possam colaborar na execução das mensagens e livros,
enquanto o seu corpo se mostre apto para as nossas atividades.' Muito
desapontado, perguntei: então devo trabalhar na recepção de mensagens e livros
do mundo espiritual até o fim da minha vida atual? Emmanuel acentuou: 'Sim, não
temos outra alternativa!' Naturalmente, impressionado com o que ele dizia,
voltei a interrogar: e se eu não quiser, já que a Doutrina Espírita ensina que
somos portadores do livre arbítrio para decidir sobre os nossos próprios
caminhos? Emmanuel, então, deu um sorriso de benevolência paternal e me
cientificou: 'A instrução a que me refiro é semelhante a um decreto de
desapropriação, quando lançado por autoridade na Terra. Se você recusar o
serviço a que me reporto, segundo creio, os orientadores dessa obra de nos
dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de certo que eles terão autoridade bastante
para retirar você de seu atual corpo físico!' Quando eu ouvi sua declaração,
silenciei para pensar na gravidade do assunto, e continuo trabalhando, sem a
menor expectativa de interromper ou dificultar o que passei a chamar de
'Desígnios de Cima." ( De "O Espírita Mineiro", n. 205, abril/junho de 1988).
5.
COMOVENTE MENSAGEM
As mensagens de Emmanuel, indiscutivelmente, são um primor de sabedoria, de luz,
de amor e de incentivo ao progresso.
Dentre todas, porém, uma se destaca, pela beleza e pela comovente
certeza de que nela Emmanuel declara sua sincera confiança no ser humano, no
futuro da Humanidade e, principalmente, sua fé no Evangelho de Jesus.
Esta mensagem chama-se "No Futuro". Por muito bela,
levou-nos às lágrimas quando da primeira leitura. Num misto de encantamento e
júbilo, percebemos ali a nossa própria destinação, apesar dos conflitos
terrenos intermináveis, a guerras já nada silenciosas do orgulho, da
intolerância e do sectarismo. Num mundo onde o valor máximo da vida pode ser
depositado em bancos, onde a carne substituiu o espírito, onde a honestidade é
desmoralizada impiedosamente, onde os valores morais já não contam e onde
lágrimas vertem em abundância de quase todos os corações, mesmo os considerados
felizes, é profundamente confortador saber que, um dia, no futuro, tudo isso
será passado porque, como diz Emmanuel, "O Cordeiro de Deus terá transformado o coração de cada
homem em tabernáculo de luz eterna, em que o seu Reino Divino
resplandecerá para sempre..."
Leia a mensagem. Veja, logo após, o link da página onde ela se encontra
formatada, com belíssima imagem simbolizando o futuro e o maravilhoso som de Yanni ao fundo. Com opção "Envie a um amigo".
(Texto exclusivo do Instituto André Luiz. © 1999-2006.)
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NO
FUTURO
Quando o homem gravar na própria alma
Os parágrafos luminosos da Divina Lei,
O companheiro não repreenderá o
companheiro,
O irmão não denunciará outro irmão.
O cárcere cerrará suas portas,
Os tribunais quedarão em silêncio.
Canhões serão convertidos em arados,
Homens de armas volverão à sementeira do
solo.
O ódio será expulso do mundo,
As baionetas repousarão,
As máquinas não vomitarão chamas
para o incêndio e para a morte,
Mas cuidarão pacificamente do progresso
planetário.
A justiça será ultrapassada pelo amor.
Os filhos da fé não somente serão
justos,
Mas bons, profundamente bons.
A prece constituir-se-á de alegria e
louvor
E as casas de oração estarão consagradas
ao trabalho sublime da fraternidade
suprema.
A pregação da Lei
Viverá nos atos e pensamentos de todos,
Porque o Cordeiro de Deus
Terá transformado o coração de cada
homem
Em tabernáculo de luz eterna,
Em que o seu Reino Divino
Resplandecerá para sempre.
EMMANUEL
"Pão Nosso", 41, FCXavier, FEB)
Veja a
mensagem formatada aqui:
http://www.institutoandreluiz.org/emmanuel_no_futuro.html
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6.
UM ROMANCE INESQUECÍVEL
"Há 2000 Mil Anos" é sem
dúvida um dos mais belos romances mediúnicos de todos os tempos. Fruto de lembranças
pessoais de Emmanuel, o livro apresenta, em 20 emocionantes capítulos, não
apenas impressões do orgulhoso Senador Públio Lentulus, mas também traça,
com precisão, um retrato da Roma dos Césares, de seus costumes e tradições quase
nunca de acordo com os princípios que o Cristo trazia à Terra naquele momento.
O romance aborda a sua trajetória entre as honrarias
romanas, desde os anos tenros até o desencarne em Pompéia, sob as cinzas do Vesúvio. Unido a Lívia por ardente amor de "almas gêmeas", para sua desgraça aceita no coração a calúnia do adultério e
a condena, por isso, a vinte e cinco anos de solidão, negando-lhe qualquer palavra de
entendimento ou mesmo o convívio com a filhinha Flávia, curada por Jesus.
Enredado em rígidos valores sociais, produndamente incapacitado a entender, humilhar-se e perdoar, Públio desperdiça, para seu posterior desespero, luminosas oportunidades de felicidade e engrandecimento espiritual.
Quando se propôs a ditar o livro,
disse Emmanuel, sem perder o ensejo de ensinar humildade e fé a quantos o
acompanhavam: "Agora verificareis a extensão de minhas fraquezas no passado,
sentindo-me, porém, confortado em aparecer com toda a sinceridade do meu
coração, ante o plenário de vossas consciências. Orai comigo, pedindo a Jesus
para que eu possa completar esse esforço, de modo que o plenário se dilate, além
do vosso meio, a fim de que a minha confissão seja um roteiro para todos."
No dia 4 de janeiro de 1939,
Emmanuel grafava a prece abaixo, ainda com respeito as memórias do passado
remoto que acabava de colocar no livro "Há 2000 Mil Anos", psicografia
iniciada em 24 de outubro de 1938:
"Jesus, Cordeiro Misericordioso
do Pai de todas as graças, são passados dois mil anos e minha pobre alma ainda
revive os seus dias amargurados e tristes!...
"Que são dois milênios, Senhor, no relógio da Eternidade?
"Sinto que a tua misericórdia nos responde em suas ignotas profundezas... Sim, o
tempo é o grande tesouro do homem e vinte séculos, como vinte existências
diversas, podem ser vinte dias de provas, de experiências e de lutas redentoras.
"Só a tua bondade é infinita! Somente tua misericórdia pode abranger todos os
séculos e todos os seres, porque em Ti vive a gloriosa síntese de toda a
evolução terrestre, fermento divino de todas as culturas, alma sublime de todos
os pensamentos.
"Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus pesares e das
minhas quedas dolorosas... Sinto-me ainda envolto na miséria de minhas fraquezas
e contemplo os monumentos das vaidades humanas... Expressões políticas, variando
nas suas características de liberdade e de força, detentores da autoridade e do
poder, senhores da fortuna e da inteligência, grandezas efêmeras que perduram
apenas por um dia fugaz!... Tronos e púrpuras, mantos preciosos das honrarias
terrestres, togas da falha justiça humana, parlamentos e decretos supostos
irrevogáveis!... Em silêncio, Senhor, viste a confusão que se estabelecera entre
os homens inquietos e, com o mesmo desvelado amor, salvaste sempre as criaturas
no instante doloroso das ruínas supremas... Deste a mão misericordiosa e
imaculada aos povos mais humildes e mais frágeis, confundiste a ciência
mentirosa de todos os tempos, humilhaste os que se consideravam grandes e
poderosos!...
"Sob o teu olhar compassivo, a morte abriu suas portas de sombra e as falsas
glórias do mundo foram derruídas no torvelinho das ambições, reduzindo-se todas
as vaidades a um acervo de cinzas!...
"Ante minhalma surgem as reminiscências das construções elegantes das colinas
célebres; vejo o Tibre que passa, recolhendo os detritos da grande Babilônia
imperial, os aquedutos, os mármores preciosos, as termas que pareciam
indestrutíveis... Vejo ainda as ruas movimentadas, onde uma plebe miserável
espera as graças dos grandes senhores, as esmolas de trigo, os fragmentos de
pano para resguardarem do frio a nudez da carne.
"Regurgitam os circos... Há uma aristocracia do patriciado observando as provas
elegantes do Campo de Marte e, em tudo, das vias mais humildes até os palácios
mais suntuosos, fala-se de César, o Augusto!...
"Dentro dessas recordações, eu passo, Senhor, entre farraparias e esplendores,
com o meu orgulho miserável! Dos véus espessos de minhas sombras, também eu não
te podia ver, no Alto, onde guardas o teu sólio de graças inesgotáveis...
"Enquanto o grande Império se desfazia em suas lutas inquietantes, trazias o teu
coração no silêncio e, como os outros, eu não percebia que vigiavas!
"Permitiste que a Babel romana se levantasse muito alto, mas, quando viste que
se ameaçava a própria estabilidade da vida no planeta, disseste: - "Basta! São
vindos os tempos de operar-se na seara da Verdade!" E os grandes monumentos, com
as estátuas dos deuses antigos, rolaram de seus pedestais maravilhosos! Um sopro
de morte varreu as regiões infestadas pelo vírus da ambição e do egoísmo
desenfreado, despovoando-se, então, a grande metrópole do pecado. Ruíram os
circos formidandos, caíram os palácios, enegreceram-se os mármores luxuosos...
"Bastou uma palavra tua, Senhor, para que os grandes senhores voltassem às
margens do Tibre, como escravos misérrimos!... Perambulamos, assim, dentro da
nossa noite, até o dia em que nova luz brotara em nossa consciência. Foi preciso
que os séculos passassem, para aprendermos as primeiras letras de tua ciência
infinita, de perdão e de amor!
"E aqui estamos, Jesus, para louvar-te a grandeza! Dá que possamos recordar-te
em cada passo, ouvir-te a voz em cada som distraído do caminho, para fugirmos da
sombra dolorosa!... Estende-nos tuas mãos e fala-nos ainda do teu Amor... Temos
sede imensa daquela água eterna da vida, que figuraste no ensinamento à
Samaritana...
"Exército de operários do teu Evangelho, nós nos movemos sob as tuas
determinações suaves e sacrossantas! Ampara-nos, Senhor, e não nos retires dos
ombros a cruz luminosa e redentora, mas ajuda-nos a sentir, nos trabalhos de
cada dia, a luz eterna e imensa do teu Reino de paz, de concórdia e de
sabedoria, em nossa estrada de luta, de solidariedade e de esperança!..."
Veja no endereço abaixo página
especial sobre os romances de Emmanuel.
Na mesma página, imagens da Roma Antiga e de Pompéia, antes e pós Vesúvio.
Memórias de Emmanuel
7.
A SEGURANÇA DO TRABALHO
SOLIDÃO APARENTE - Em meados de
1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um quadro de cinco
pessoas, José Hermínio Perácio, D. Carmen Pena Perácio, José Xavier, D. Geni
Pena Xavier e o Chico.
Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras
melhoras, desapareciam como por encanto.
Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por
impositivos da vida familiar.
O grupo ficou limitado a três companheiros.
D. Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas
com os dois irmãos.
José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor
que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços
noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.
Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a freqüência ao
grupo, pelo menos, por alguns meses.
Vendo-se sozinho, o Médium também quis ausentar-se.
Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no Centro, sem saber como agir,
Emmanuel apareceu-lhe e disse:
— Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.
— Continuar como? Não temos freqüentadores...
— E nós? — disse o espírito amigo. — Nós também precisamos ouvir o Evangelho
para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados
que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar,
estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas
de trabalho.
Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão
do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto.
Em seguida, abria o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, ao acaso e lia essa ou
aquela instrução, comentando-a em voz alta.
Por essa ocasião, a vidência nele alcançou maior lucidez.
Via e ouvia dezenas de almas desencarnadas e sofredoras que iam até o grupo, à
procura de paz e refazimento.
Escutava-lhes as perguntas e dava-lhes respostas sob a inspiração direta de
Emmanuel.
Para os outros, no entanto, orava, conversava e gesticulava sozinho...
E essas reuniões de um Médium a sós com os desencarnados, no Centro, de portas
iluminadas e abertas, se repetiam todas as noites de segundas e sextas-feiras.
A SEGURANÇA DO TRABALHO -
Atendendo a instruções de Emmanuel, Chico iniciava os trabalhos no “Centro
Espírita Luiz Gonzaga” às oito da noite, encerrando-os às dez horas, enquanto
freqüentou sozinho a instituição.
Fazia a prece de abertura, orava e, depois, lia páginas de “O Evangelho Segundo
o Espiritismo”, de Allan Kardec, comentando-as, em voz alta, para os
desencarnados.
Pessoas da família indagavam sobre aquela resolução de “falar sozinho”,
entretanto, o Médium explicava:
— Há muitos espíritos freqüentando a casa. Chegam desconsolados e tristes e
Emmanuel afirma que a obra de evangelização é necessária a todos nós. Não
podemos parar...
Certa noite, uma senhora desencarnada em Pedro Leopoldo conversava com o Chico
no salão do Centro, em que ele se achava aparentemente sozinho e o diálogo
seguia, curioso:
— Tenhamos fé em Jesus, minha irmã.
— Não desespere. Com a paciência alcançaremos a paz.
— Sem calma, tudo piora.
— Com o tempo, a senhora, verá que tudo está certo como está.
A conversação prosseguia assim, quando uma das irmãs do Médium, escutando-lhe a
palavra, debruçada em janela próxima, perguntou-lhe em voz alta:
— Chico, quem está conversando com você?
— Dona Chiquinha de Paula.
— Que história é esta? Dona Chiquinha já morreu...
— Ah! você é que pensa... Ela está bem viva.
A irmã do rapaz, alvoroçada, comunicou aos familiares o que ocorria.
Chico devia estar maluco.
Era preciso medicá-lo, socorrê-lo.
Outras irmãs do Médium, porém, apressaram-se a observar que ele trabalhava,
corretamente, todos os dias.
Seria justo dar por louco um irmão que era amigo e útil?
Ficou então estabelecido em família que, enquanto o Chico estivesse firme no
serviço, ninguém cogitaria de considerá-lo um alienado mental.
Desse modo, o Chico Xavier costumava dizer que o trabalho de cada dia, com a
bênção de Deus, era para ele a melhor segurança. (Lindos Casos de Chico Xavier,
29 - 30, Ramiro Gama, edição LAKE)
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