Além da recomendação de disciplina, para toda
e qualquer situação, a segunda mais importante orientação
de Emmanuel para o médium é assim relembrada: - "Lembro-me
de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu
que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu
deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições
de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo
me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus
e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando
esquecê-lo.
Em 1932 publica a FEB seu primeiro livro, o famoso "Parnaso
de Além-Túmulo"; hoje as obras que psicografou vão a mais de
400. Várias delas estão traduzidas e publicadas em castelhano, esperanto,
francês, inglês, japonês, grego, etc.
De moral ilibada, realmente humilde e simples, Chico Xavier jamais
auferiu vantagens, de qualquer espécie, da mediunidade. Sua vida
privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível,
na informação falada, escrita e televisionada. Ápodos e críticas
ferinas, têm-no colhido de miúdo, sabendo suportá-los com verdadeiro
espírito cristão.
Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa,
onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal,
sempre a serviço da Doutrina Espírita.
Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional,
suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo
alheias ao Espiritismo; tem aparecido em programas de TV, respondendo
a perguntas as mais diversas, orientando as respostas pelos postulados
espíritas.
Já recebeu o título de Cidadão Honorário de várias cidades: Rio
Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva,
em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais;
Campos, no Estado do Rio de Janeiro, etc., etc.
Dos livros que psicografou já se venderam mais de 12 milhões de
exemplares, só dos editados pela FEB, em número de 88. "Parnaso
de Além-Túmulo", a primeira obra publicada em 1932, provocou
(e comprovou) a questão da identificação das produções mediúnicas,
pelo pronunciamento espontâneo dos críticos, tais como Humberto
de Campos, ainda vivo na época, Agripino Grieco, severo crítico
literário, de renome nacional, Zeferino Brasil, poeta gaúcho, Edmundo
Lys, cronista, Garcia Júnior, etc. Prefaciando "Parnaso de
Além-Túmulo", escreveu Manuel Quintão: "Romantismo, Condoreirismo,
Parnasianismo, Simbolismo, aí se ostentam em louçanias de sons e
de cores, para afirmar não mais subjetiva, mas objetivamente, a
sobrevivência de seus intérpretes.
É ler Casimiro e reviver 'Primaveras'; é recitar Castro Alves e
sentir 'Espumas Flutuantes'; é declamar Junqueiro e lembrar a 'Morte
de D. João'; é frasear Augusto dos Anjos e evocar 'Eu'." Romances
históricos formam a série Romana, de Emmanuel, composta de: "Há
2000 Anos...", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo!",
"Paulo e Estevão", provocando a elaboração do "Vocabulário
Histórico-Geográfico dos Romances de Emmanuel", de Roberto
Macedo, estudo elucidativo dos eventos históricos citados nas obras.
"Há 2000 Anos..." é o relato da encarnação de Emmanuel
à época de Jesus. De Humberto de Campos (Espírito), aparece, em
1938, o profético e discutido "Brasil, Coração do Mundo, Pátria
do Evangelho", uma história de nossa pátria e dos fatos e ela
ligados, em dimensão espiritual. A série André Luiz é reveladora,
doutrinária e científica; com obras notáveis e a maioria completa,
no tocante à vida depois da desencarnação, obras anteriores, de
Swedenborg, A. Jackson Davis, Cahagnet, G. Vale Owen e outros.
Pertencem a essa série: "Nosso Lar", "Os Mensageiros",
"Missionários da Luz", "Obreiros da Vida Eterna",
"No Mundo Maior", "Agenda Cristã", "Libertação",
"Entre a Terra e o Céu", "Nos Domínios da Mediunidade",
"Ação e Reação", "Evolução em dois Mundos",
"Mecanismos da Mediunidade", "Conduta Espírita",
"Sexo e Destino", "Desobsessão", "E a Vida
Continua...". De parceria com o médium Waldo Vieira, Chico
Xavier psicografou 17 obras. (Fonte Universo Espírita).
NA TAREFA MEDIÚNICA
Pergunta - Em seu primeiro
encontro com Emmanuel, ele enfatizou muito a disciplina. Teria falado
algo mais?
Resposta - Depois de haver salientado a disciplina como elemento indispensável
a uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos algo a realizar.'
Repliquei de minha parte qual seria esse algo e o benfeitor esclareceu:
'Trinta livros pra começar!' Considerei, então: como avaliar esta
informação se somos uma família sem maiores recursos, além do nosso
próprio trabalho diário, e a publicação de um livro demanda tanto
dinheiro!... Já que meu pai lidava com bilhetes de loteria, eu acrescentei:
será que meu pai vai tirar a sorte grande? Emmanuel respondeu: 'Nada,
nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com a fé viva na
Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos inesperados!'
Algum tempo depois, enviando as poesias de 'Parnaso de Além- Túmulo'
para um dos diretores da Federação Espírita Brasileira, tive a grata
surpresa de ver o livro aceito e publicado, em 1932. A este livro
seguiram-se outros e, em 1947, atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos
muito contentes e perguntei ao amigo espiritual se a tarefa estava
terminada. Ele, então, considerou, sorrindo: 'Agora, começaremos uma
nova série de trinta volumes!' Em 1958, indaguei-lhe novamente se
o trabalho finalizara. Os 60 livros estavam publicados e eu me encontrava
quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde cheguei a 5 de janeiro
de 1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência: 'Você perguntou,
em Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero informar
a você que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também
estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de
cem livros.' Fiquei muito admirado e as tarefas prosseguiram. Quando
alcançamos o número de 100 volumes publicados, voltei a consultá-lo
sobre o termo de nossos compromissos. Ele esclareceu, com bondade:
'Você não deve pensar em agir e trabalhar com tanta pressa. Agora,
estou na obrigação de dizer a você que os mentores da Vida Superior,
que nos orientam, expediram certa instrução que determina seja a sua
atual reencarnação desapropriada, em benefício da divulgação dos princípios
espíritas-cristãos, permanecendo a sua existência, do ponto de vista
físico, à disposição das entidades espirituais que possam colaborar
na execução das mensagens e livros, enquanto o seu corpo se mostre
apto para as nossas atividades.' Muito desapontado, perguntei: então
devo trabalhar na recepção de mensagens e livros do mundo espiritual
até o fim da minha vida atual? Emmanuel acentuou: 'Sim, não temos
outra alternativa!' Naturalmente, impressionado com o que ele dizia,
voltei a interrogar: e se eu não quiser, já que a Doutrina Espírita
ensina que somos portadores do livre arbítrio para decidir sobre os
nossos próprios caminhos? Emmanuel, então, deu um sorriso de benevolência
paternal e me cientificou: 'A instrução a que me refiro é semelhante
a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade na Terra.
Se você recusar o serviço a que me reporto, segundo creio,
os orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de certo
que eles terão autoridade bastante para retirar você de seu atual
corpo físico!' Quando eu ouvi sua declaração, silenciei para pensar
na gravidade do assunto, e continuo trabalhando, sem a menor expectativa
de interromper ou dificultar o que passei a chamar de 'Desígnios de
Cima." ( De "O
Espírita Mineiro", n. 205, abril/junho de 1988).
Midi "When Two Are One" utilizado com a permissão
de
BRUCE DEBOER |
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