ANDRÉ LUIZ E A CIDADE “NOSSO LAR”
P – Poderíamos falar sobre o livro “Nosso Lar”, por exemplo, sobre as realidades do livro, sobre a distância da Colônia, sobre alguma coisa das belezas do Nosso Lar?
CHICO XAVIER – A literatura mediúnica em outros países atesta a existência de outras cidades semelhantes a Nosso Lar, uma das comunidades no chamado Espaço Brasileiro.
Quando estávamos recebendo, mediunicamente, o primeiro livro de André Luiz, que traz esse título, impressionamo-nos vivamente com respeito ao assunto, porque a nossa perplexidade era indisfarçável e, sendo o nosso assombro um motivo para perturbar a recepção do livro, o nosso André Luiz promoveu, em determinada noite, a nossa ausência do corpo físico para observar alguns aspectos, os aspectos mais exteriores, da chamada cidade “Nosso Lar”. Mundo novo que somos chamados a perceber, a estudar, porque se relaciona com o futuro de cada um de nós. Ainda que não sejamos acolhidos na referida colônia, outros lares nos esperam após a desencarnação.
Isso é muito importante.
Há muita gente que considera esse assunto demasiadamente remoto para que venhamos a nos preocupar com ele.
Entretanto, na lógica terrestre, somos obrigados a cuidar dos estoques de determinados materiais – gasolina, óleo, medicamento, cereais. Se nos interessamos por isso, no trânsito sobre a Terra, por que admitir por ocioso esse tema da espiritualidade que nos espera inevitavelmente a todos?
O Espírito de André Luiz, registrando-nos o espanto, porquanto a estranheza era enorme da parte dos companheiros de Pedro Leopoldo e Belo Horizonte, aos quais mostrávamos as páginas em andamento, teve o cuidado de mostrar-nos determinada faixa de Nosso Lar, onde jaziam centenas de irmãos hospitalizados, ocupando a atenção de médicos, de instrutores, enfermeiras, sacerdotes e pastores das diversas religiões.Devemos assinalar esse fato, de vez que, freqüentemente, depois da morte são obrigados a compartilhar-nos crenças e concepções com respeitos às verdades eternas do espírito, quando a caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo nos espera a todos, quanto a discernimento e compreensão.
Cada criatura, nessa cidade, é chamada gradativamente para um estado mais amplo de entendimento. Nosso Lar é o retrato de muitas das colônias que nos aguardam, mas não é propriamente o retrato único, porque possuímos, além da Terra, além da vida física, muitas e muitas cidades de natureza superior e outras de natureza inferior a que chegaremos, inevitavelmente, segundo as nossas escolhas e méritos neste mundo. **

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DIVULGAÇÃO DOUTRINÁRIA
P – Como favorecer a cooperação dos Espíritos Superiores na planificação das idéias de propaganda da Doutrina Espírita?
Chico Xavier – A resposta será mesmo: estudar sempre, com a aplicação dos ensinamentos nobres que venhamos a colher. Nesse sentido, sempre noto que o diálogo entre grupos reduzidos de estudiosos sinceros, apresenta alto índice de rendimento para os companheiros que efetivamente se interessam pela divulgação dos princípios Kardequianos.*

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ESPIRITISMO E COMUNICAÇÃO DE MASSA
P – Como devemos compreender a divulgação da Doutrina Espírita, em face das modernas técnicas de comunicação de massa?
Chico Xavier – Admito seja nossa obrigação servir sempre à Causa do Bem de Todos, formando, assim, o preciso ambiente para que se manifeste a colaboração dos Espíritos Superiores. No caso, lembro-me do trabalho da aviação; sem aeroporto conveniente, o avião não encontra pouso seguro. Se o espírito encarnado não colaborar no bem, será muito difícil o intercâmbio com os Espíritos Elevados. *

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DIVULGAÇÃO E CONHECIMENTO DA DOUTRINA ESPÍRITA
Chico Xavier – Não temos qualquer mensagem maior que o convite à divulgação e ao conhecimento da Doutrina Espírita, vivendo-a com Jesus, interpretada por Allan Kardec. Penso que, nesse sentido, deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando os excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustenta-las e cultiva-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamem amparo, socorro, esclarecimento e rumo. Integrar-nos na vida comunitária, vivendo-lhe as necessidades e as lutas, os problemas e as provas, com a luz do conhecimento espírita, clareando atitudes e caminhos; para nós, a meu ver, deveria ser uma obrigação das mais simples. Não consigo entender o Espiritismo, sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que se propõem. Não conseguindo pensar de outro modo, peço a Jesus a todos nos esclareça e abençoe.*

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PUBLIUS LENTULUS X LÍVIA
P – Quem era mais evoluído, Publius Lentulus ou sua mulher?
CHICO XAVIER – Já pude dizer aos amigos presentes que o Espírito de Emmanuel, que está aqui conosco, dedica àquela que lhe foi esposa ao tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a máxima veneração. E diz que, do ponto de vista do sentimento e do coração ela trazia, já naquela época qualidades evangélicas que ele Emmanuel, nunca cansou de admirar.
É o que eu posso transmitir. **

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CAUSAS DOS SUICÍDIOS
P – O suicídio é conseqüência de fatores psicológicos em desagregação ou de influências espirituais em evolução?
CHICO XAVIER – Todos sabemos: cada espírito é senhor de seu próprio mundo individual.
Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual. Essas deformidades resultam das causas cármicas estabelecidas por nós mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os efeitos das próprias ações.
Cometido o suicídio, nessa ou naquela circunstância, geramos lesões e problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que seremos chamados a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências, segundo as possibilidades ao nosso alcance.
Assim, formamos, com um suicídio, muitas tentações a suicídio no futuro, porque em nos reencarnando, carregamos conosco tendências e inclinações, como é óbvio, na recapitulação de nossas experiências na Terra.
Quando falamos “tentações” não nos referimos a esse tipo de tentações que acreditamos provir de entidades positivamente infelizes, cristalizadas na perseguição às criaturas humanas. Dizemos tentação oriunda de nossa própria natureza.
Sabemos que a tentação em si, na verdadeira acepção da palavra, nasce dentro de nós. Por isso mesmo poderíamos ilustrar semelhante argumento lembrando um prato de milho e um brilhante de alto preço: levado o brilhante de alto preço à percepção do cavalo, por exemplo, é certo que o eqüino não demonstraria a menor reação; mas em apresentando a ele o prato de milho, fatalmente que ele reagirá, desejando absorver a merenda que lhe está sendo apresentada.
Noutro ponto de vista, um homem não se interessaria por um prato de milho, no entanto se interessaria compreensivelmente pelo brilhante.
Justo lembrar que a tentação nasce dentro de nós.
Quando cometemos suicídio, plasmamos causas de sofrimento muito difíceis de serem definitivamente extirpadas. Por isso, muitas vezes, os irmãos suicidas são repetentes na prova da indução ao suicídio, descendo, desprevenidos, à desconsideração para consigo próprios.
Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em auxílio de nossa fortaleza e tranqüilidade, de modo a fugirmos de semelhante poço de angústia. **

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TEMPO E CONSEQÜÊNCIA DA OBSESSÃO
PERGUNTA - (Feita pelo Prof. Afrânio Piemonte) - “Até onde e até quando um ou mais espíritos obsessores podem causar danos no plano físico a indivíduos desprovidos de certo amparo no plano espiritual?”
CHICO XAVIER – Nossos amigos espirituais observam sempre que não há desamparo no Universo. A misericórdia de Deus nos alcança em todos os setores e em todas as situações, e desde que tenhamos já algum conhecimento para ensaiar os nossos passos nas estradas evolutivas, por nó algum conhecimento para ensaiar os nossos passos nas estradas evolutivas, por ns mesmos, vamos criando em nós recursos de auto proteção.
Então, nós podemos observar: se temos cuidados especiais para com os nascituros, para com aqueles que ainda não chegaram à vida física e que estão em trânsito para o nosso campo de trabalho, com o concurso de nossas grandes benfeitoras que são as nossas mães, se temos cuidados especiais para com aqueles que vão chegando, organizando casas especializadas de socorro, de assistência, se o nosso próprio lar é um ninho de amor e proteção para a criança, quando a criança demanda esse auxílio pela fraqueza em que ela se encontra na obra de Deus, também os espíritos que se encontram ainda muito insipientes no conhecimento próprio merecem considerações e bênçãos especiais dos Espíritos Superiores.
Então, devemos catalogar os assuntos de obsessão, encarando esses assuntos de acordo com a nossa própria natureza. Um espírito obsessor terá tanto poder sobre nós quanto seja o poder que facultamos a esse espírito de nos obsedar. O obsessor tem sobre nós a influência do tamanho da nossa capacidade de atraí-lo para o nosso campo de ação. Poder-se-á observar, por exemplo, que muitas vezes, encontramos, nos sanatórios, irmãos nossos em condições precárias da mente, do cérebro, e que já não podem mais criar qualquer fibra de resistência, mas aí o assunto já transcendeu à nossa possibilidade de estudar, porque nós estamos estudando o caso conosco que estamos conscientes das nossas responsabilidades.
Se nós não guardarmos, se não nos defendermos, se não nos liberarmos antes do complexo de culpa, nessa calamidade que nós chamamos remorso, então nós vamos atravessando as linhas fronteiriças da perturbação e depois o império das forças inferiores sobre nós, então o assunto já é pertinente a considerações outras que não as desta hora em que estamos estudando o problema da obsessão com a nossa inteireza de conhecimentos para sabermos muito bem discernir o que é o bom e o que não serve para nós. **

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O PROBLEMA DA “ELITIZAÇÃO”
Chico - Precisamos conversar desapaixonadamente sobre o nosso movimento. É preciso que nós, os espíritas; compreendamos que não podemos nos distanciar do povo. É preciso fugir da tendência à “elitização” no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos a todos os companheiros, mas sobretudo, aos espíritas mais humildes sociais e intelectualmente falando e delas nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade. Se não nos precavemos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo, às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevadas. Mais do que justo evitarmos isso. (repetiu várias vezes) a “elitização” no Espiritismo, isto é, a formação do “espírito de cúpula”, com evocação de infalibilidade, em nossas organizações.

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SUPOSTA PUREZA DOUTRINÁRIA
P - Então, caro Chico, o problema não é de direção, ou, melhor diríamos, de administração espírita?
Chico – Não, o problema não é de direção ou administração em si, pois precisamos administrar até a nós mesmos, mas a maneira como a conduzem, isto é, a falta de maior aproximação com irmãos socialmente menos favorecidos, que equivale à ausência de amor, presente no excesso de rigorismo, de suposta pureza doutrinária, de formalismo por parte daqueles que são responsáveis pelas nossas instituições; é a preocupação excessiva com a parte material das instituições, com a manutenção, por exemplo, de sócios contribuintes ao invés de sócios ou companheiros ligados pelos laços do trabalho, da responsabilidade, da fraternidade legítima; é a preocupação com o patrimônio material ao invés do espiritual e doutrinário; é a preocupação de inverter o processo de maior difusão do Espiritismo fazendo-o partir de cima para baixo, da elite intelectualizada para as massas, exigindo-se dos companheiros em dificuldades materiais ou espirituais uma elevação ou um crescimento, sem apoio dos que foram chamados pela Doutrina Espírita a fim de ampara-los na formação gradativa.

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VERDADEIRA PUREZA DOUTRINÁRIA
Naquele instante, recordamos que Allan Kardec, deixou bem claro na introdução ao Livro dos Espíritos que o caminho da Nova Revelação será de baixo para cima, das massas para as elites, porque “quando as idéias espíritas forem aceitas pelas massas, os sábios se renderão à evidência”.
Recordou, ainda, o dever imperioso de todos nós de evitar a deturpação da mensagem dos Espíritos, como aconteceu com o Cristianismo oficializado por Constantino. A Doutrina dos Espíritos veio para restaurar o Cristianismo, mas na sua feição evangélica primitiva, entendendo-se que em Espiritismo Evangélico é respeitar e auxiliar, amparar e elevar sempre, entendo-se que os melhor e os mais cultos são indicados a se fazerem apoio de seus irmãos em condições difíceis para que se alteiem ao nível dos melhores e mais habilitados ao progresso.

Aí está a essência de nossa conversação.
Nesse sentido, ressaltou muito bem o nosso irmão Salvador Gentile em Anuário Espírita-1977:
“Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a viver, com ela, a grande mensagem”.
Depois deste diálogo, penetramos mais profundamente nas palavras do Dr. Bezerra de Menezes em “Unificação, Serviço Urgente mas não apressado”:
“É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios”.
“Respeito a todas as criaturas, discriminações, evidências individuais, injustificáveis privilégios, imunidades, prioridades”.
“Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec, para todos”.
Em essência esse pensamento é repetido pelo mesmo Espírito em mensagem que vai publicada noutro local de “O Triângulo Espírita”.
Emmanuel também é incisivo em “Aliança Espírita”.
Educarás ajudando e unirás compreendendo.
Jesus não nos chamou para exercer a função de palmatórias na instituição universal do Evangelho, e, sim, foi categórico ao afirmar: “Os meus discípulos serão conhecidos por muito de amarem”.
Cumpre-nos, dessa forma, meditar melhor a mensagem dos Espíritos, mas, sobretudo, aplica-la em nosso movimento espírita, em nossas casas espíritas, e, principalmente, em nosso movimento de Unificação, aplicação esta que vem sendo a tônica de toda a vida de nosso médium Chico Xavier. Aliás, ninguém mais do que ele viveu e vive o verdadeiro sentido da unificação e que é o retrato acima. *****

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FORMAÇÃO ESPIRITUAL DA INFÂNCIA
P – Como o senhor vê o movimento de Evangelização da criança?
Chico – Há muitos anos, nós todos, os companheiros de Doutrina Espírita, encontramos no movimento de Evangelização da Criança, aquele verdadeiro movimento de formação espiritual da infância, diante do futuro. Há muito tempo acompanho o Departamento de Infância e Juventude da federação Espírita do Estado de São Paulo, e admiro profundamente o trabalho que ali se realiza neste setor.

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APOIO AOS EVANGELIZADORES
P – Qual a tarefa do dirigente espírita junto aos evangelizadores?
Chico – Cremos que o dirigente de Instituição Espírita, a nosso ver, deveria prestigiar no máximo o trabalho dos evangelizadores, porque eles funcionam dentro da Organização Espírita-Cristã, como legítimos educadores dos pequeninos que amanhã tomarão o nosso lugar, em todos os setores da experiência terrestre.
Esse trabalho é grande e sublime demais para ser subestimado, por isso mesmo nós admitimos, que o assunto não pode escapar do apoio dos dirigentes espíritas, que, naturalmente, se estão devidamente conscientizados de suas tarefas, hão de apoiar os professores como sendo companheiros dos mais estimáveis na Seara Espírita evangélica.

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SIMPÓSIO SOBRE EVANGELIZAÇÃO DA CRIANÇA
P – O que o senhor acha da realização do Simpósio sobre Evangelização da Criança?
Chico – Nós acreditamos que o Simpósio é uma necessidade, porque favorece a troca dos pontos de vista e dos estudos experimentais que possam ser realizados em torno da educação espírita-cristã, dedicada à criança; antes da ministração de ensinamentos mais claros e mais definitivos da Doutrina Espírita, aplicada à nossa própria vivência, no caminho comum da Terra.
O simpósio é como se fora uma reunião de pais ou responsáveis observando que tipo de alimentação pode ser dado a determinadas comunidades infantis. Antes das lições em si, o Simpósio é sempre uma preparação de contatos. E nós não podemos esquecer isto, sem nos perdemos na precipitação, que acaba sempre em prejuízo e em atividade inútil dento de nossas instituições.

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PROGRAMA DE ESTUDOS
P – Quais as matérias que os espíritos gostariam que fossem estudadas neste Simpósio?
Chico – Temos ouvido o espírito de Emmanuel há muitos anos com respeito e estes assuntos, e ele admite, sem nenhuma exigência, porque os nossos amigos espirituais não nos violentam em atitude alguma , ele considera que seria muito interessante os professores encarnados na Terra, e que se encontram nessa maravilhosa tarefa de preparação do futuro na mente infantil, ele considera que seria interessantes reuniões deles, selecionando os temas espíritas, dentro da atualização dos nossos processos atuais de vivência, para que a criança possa se desenvolver para a vida adulta e experiências que a esperam no dia de amanhã. Nós sempre nos desvelamos em nossas casas, no ensino da bondade, do perdão, das atitudes evangélicas em si, mas precisávamos descobrir um meio de comunicar à criança, algum ensinamento em torno da Lei de Causa e Efeito, mostrando determinados tópicos dos mais expressivos para o mundo infantil, com respeito à reencarnação, o problema da imortalidade da alma.
Muitas vezes, encontramos crianças traumatizadas pela perda de irmãos pequeninos, pela perda dos pais, pela perda de amigos, de parentes próximos, e nos esquecemos de que os pequeninos, também, esperam uma palavra de consolo e de esclarecimento, qual uma acontece com os adultos, diante dos processos de desencarnação.
E muitas vezes, nós esquecemos de conduzir a criança para este tipo de lição, para este tipo de comentários, com receio de apressar na mente da criança determinados pensamentos com relação à morte do corpo. Precisávamos estudar quais os meios d começar a oferecer à criança, bases para que ele se conheça no mundo em que está vivendo e naquele mundo social em que ela vai viver.
Mas, é assunto dos professores, porque os espíritos amigos dizem sempre que, aqueles que se reencarnam na Terra para determinadas tarefas, não devem ser incomodados com opiniões estranhas a eles mesmos, desde que, se eles receberam estes encargos, é porque eles os merecem, e está na órbita das responsabilidades deles.
Os professores espíritas reencarnados têm essa responsabilidade, esse encargo a cumprir, selecionar os assuntos, pata fortalecer e amparar a criança diante do futuro.

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PROGRAMAÇÃO DAS AULAS INFANTIS
P – Em face do desenvolvimento mental da criança, da influência dos méis de comunicação do processo de aprendizagem, se justificaria a programação de aulas predominantemente de Doutrina Espírita?
Chico – Pelo menos depois de 8 a 10 anos de idade, acreditamos que sim, porque a mente infantil de 9 a 10 anos de idade, já se encaminha para uma posição consolidada na reencarnação, que a criança está começando a viver.
Aos 10 anos, dos 10 aos 12, temos um mundo de informações para dar à criança, está encontrando hoje, um mundo muito diferente daquele que os adultos de agora encontraram há 40, 50, 30 anos atrás. Há muitos pequeninos que são chamados aos 8, 9, 10 e 11 anos de idade a facear problemas que só adultos conheciam há 10 anos passados. Hoje, autoridades da Europa e da América do Norte, em diversos comentários e estudos de revistas de divulgação cientifica, muitas autoridades andam impressionadas, com o suicídio entre crianças, suicídio de crianças de 10, de 11, de 12, de 13.
Ainda ontem, tivemos em nossa casa, aqui na Comunhão Espírita Cristã, um casal de São Paulo que vinha desolado à procura de reconforto, porque o filho único do casal, um menino de 12 para 13 anos se enforcou deliberadamente, tão-só porque encontrou negativa da parte dos pais, para ir ao cinema, depois de ter ido ao cinema durante algumas noites consecutivas. Isto é muito importante.
Estes suicídios nessa idade não eram comuns, nem eram mesmo conhecidos há 15, 20 anos atrás. Crianças que sofrem a perda de pais ou que são abandonadas pelos pais e que se suicidam mesmo, se afogam, se envenenam, procurando armas, atiram contra si próprias. Isto é um problema sério para todos aqueles que se sentem vinculados à tarefa de socorro à criança.

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O ENSINO E A REALIDADE
P – O que o senhor tem a nos dizer sobre material didático constante de apólogos e símbolos para as Escolas de Evangelização, desde a faixa de 5 a 13 anos?
Chico – Nós estamos vendo discussão em torno deste assunto, por toda parte. Uns não querem que a criança ouça apólogos com vozes humanas em animais, outros exigem que este material seja posto em função. Não estando dentro do movimento de educação da criança nos meios espíritas, nós não temos o direito de opinar, porque só devemos opinar num assunto quando estamos em atividade dentro dele.
Mas, como criatura humana que sou, creio que até os 6 anos nessa faixa, uma árvore, uma borboleta, uma fonte, uma andorinha conversar, isto ajuda muito a criança.
Agora, depois dos 6, 7 anos é interessante que a criança, entre num mundo de realidade objetivas, para que ela não acuse o adulto de mentiroso. Mas, não devemos legar tão longe essa idéia de que estejamos mentindo.
A criança nos primeiros tempos de vida, tem necessidade da história tocada de amor, tocada de ternura, beleza, espiritualidade. E o apólogo em que os animais comparecem conversando entre si, dando lições, este apólogo é sempre um agente muito proveitoso no esclarecimento da mente.
Não vemos nenhum inconvenientemente, mas deixamos o assunto para os técnicos. *****

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EVANGELIZAÇÃO, CURSO PRÉ-MOCIDADE, MOCIDADE ESPÍRITA
P – Como o Senhor vê o Curso Pré-Mocidade?
Chico – Nós reconhecemos pessoalmente a nossa incompetência para interferir nos assuntos de educação, mas, como espírita militante, nós vemos no Curso Pré-Mocidade uma iniciativa das mais edificantes, porque o Curso encontra os nossos companheiros reencarnados entre a infância e a juventude num período em que nós acreditamos seja mais proveitosa a aplicação de normas educativas capazes de auxiliar a criatura durante a sua encarnação na Terra. Concordamos que o Pré-Mocidade é um empreendimento dos mais dignos e que merece a atenção de todas as instituições do Espiritismo Cristão, principalmente.

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PROGRAMA PARA OS JOVENS
P – Sendo a fase da adolescência de transição, o que o Senhor julga mais importante para ser dar aos jovens neste Curso?
Chico – Creio que a nossa obrigação ministrar conhecimentos práticos em torno da vida prática, idéias tão sólidas quanto possíveis, quanto à realidade da vida em si. Precisamos acordar não só a juventude como também a madureza para as questões da autenticidade. Devemos se nós mesmos com a aceitação até mesmo de nossas próprias imperfeições, para que venhamos a conhecer-nos por dentro, melhorando o nosso padrão d vida íntima, com a reforma que a Doutrina Espírita nos aconselha e com o aproveitamento máximo de nosso tempo de reencarnação.

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ESTUDO EM GRUPO
P – O estudo em grupo é hoje um método muito divulgado. Este método é vantajoso para o adolescente?
Chico – Tanto para os jovens como para os adultos o estudo em grupo é o mais eficiente até porque nós não podemos esquecer que na base do Cristianismo, o próprio Jesus desistiu de agir sozinho, procurando agir em grupo. Ele reconheceu a sua missão divina, constituiu um grupo de doze companheiros para debater os assuntos relativos à doutrina salvadora do Cristianismo, que o Espiritismo hoje restaura, procurando imprimir naquelas mentes, vamos dizer, todo o programa que ainda hoje é programa para nossa vida, depois de quase vinte séculos. Programa d vivência que nós estamos tentando conhecer e tanto quanto possível aplicar na Doutrina Espírita, no campo de nossas lides e lutas cotidianas.

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MOTIVAÇÃO DE AULAS DOUTRINÁRIAS
P – De que podemos fazer o adolescente interessar-se realmente pelas aulas de Doutrina? Que motivação usaríamos?
Chico – Creio que um entendimento entre os professores para que eles possam estudar o problema do relacionamento entre eles e os alunos é uma iniciativa que nós não podemos desprezar, porque aprendemos com os nossos benfeitores espirituais que cada espírito é um mundo por si, que Deus não dá cópias; cada um de nós é uma criação independente, de modo que precisamos estudar a natureza, as tendências, os problemas, as dificuldades, as facilidades de cada um de nossos companheiros que levam o nome de nossos aprendizes, para que venhamos a beneficiá-los com a nossa influência, os ensinamentos de que sejamos portadores. Mas embora sejamos apaixonados pelas estórias que usam apólogos e símbolos, nós acreditamos que estamos faceando agora num período de progresso da Humanidade em que devemos usar a verdade tento quanto possível, mas a verdade que não fira, a verdade que não destrua, porque se o professor é autentico, descobre autenticidade em seu aluno; encontra a chave para penetrar na mente e no coração do aluno, de modo a auxiliá-lo.
Então o problema do relacionamento é problema vital em toda escola. Devemos estudar, observar bem para que nós venhamos a clima capaz de interessar os nossos irmãos adolescentes no estudo da verdade. Entretanto, somos também de parecer que cada Centro Espírita é um educandário em que os adultos também estão na mesma posição.
Nós precisamos descobrir quais as motivações para que os adultos se interessem pela Doutrina Espírita. Não somente receber os benefícios, como sejam os benefícios da prece, do passe, do amparo espiritual, do auxílio magnético, mas a luta da criatura em si para o conhecimento dela própria, à luz da verdade. São assuntos da atualidade que nós precisamos estudar, estudar para penetrá-los devidamente.


P – Para despertar então no adolescente o amor à Doutrina, o caminho seria este?
Chico
– Cremos que sim: o amor à Doutrina com demonstração da vida prática.

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DEBATES E RESPEITO
P – Quer dizer que o senhor acha que devem constar do programa do Curso – Pré-Mocidade, além da parte Doutrinária, aulas práticas?
Chico – Se houvesse possibilidade, aulas expressando contatos humanos entre os professores e alunos, palestras, conversações em grupo, em que cada um pudesse expor suas idéias, mas em provocar de nenhum modo em ninguém, nem o espanto, nem o ridículo, quando estas idéias destoassem das idéias chamadas normais entre as pessoas. O aluno poderia se exteriorizar como ele é, o professor aceitá-lo como ele é, ajudá-lo como ele é, para que ele possa produzir melhor a vida dele. Nós estamos atravessando numa época em que toda imposição espiritual significa violência, e o espírito humano recusa a violência. Nós estamos diante de uma revolução no mundo, uma revolução pacífica contra a violência entre as pessoas humanas. Então precisamos de senso de humanidade no trato com os outros e este trato uns com os outros. A base deste trato chama-se respeito. Se não respeitamos as idéias do aluno, ele não nos respeita. De modo que precisamos estabelecer esta linha de definição.

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DURAÇÃO DE AULA
P – Qual seria a duração de maior rendimento doutrinário para uma aula do Pré-Mocidade?
Chico – Máximo de quarenta (40) minutos para não cansar; meia hora no mínimo. Vou explicar não tenho experiência no magistério espiritual, sou médium e mau médium. ***

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* Entrevista concedida ao Jornal Unificação, de São Paulo/SP, e publicada em sua edição de julho/agosto de 1977, com o título: “Nosso jornal entrevista Chico Xavier”.
** Entrevista concedida a Sra. Guiomar Albanesi, no Centro Espírita Perseverança, São Paulo, Capital, em Outubro de 1974. Livro: “A Terra e o Semeador” – Psicografia de Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel
*** Entrevista realizada por Sônia Barbante Santos, publicada pelo jornal “A Flama Espírita”, de Uberaba, MG, em 25 de dezembro de 1971, sob o título “entrevista com Chico Xavier sobre o Pré-Mocidade”. Livro: “A Terra e o Semeador” – Psicografia de Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel

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Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: “Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros”).
Da Obra “Encontros No Tempo” - Entrevistas Com O Médium Francisco Cândido Xavier, Assistido Pelo Espírito De Emmanuel. Organização e Notas: Hércio Marcos Cintra Arantes, Digitado por: Lúcia Aydir

***** Transcrita do jornal “O Triangulo Espírita”, Uberaba, MG, 31 de dezembro de 1972.
Livro: “A Terra e o Semeador” – Psicografia de Francisco C. Xavier – Espírito Emmanuel