01. ESPIRITISMO:
O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar
aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza
do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo
mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma
das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma
imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados
para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o
Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele
disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo
é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.
A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do
Novo Testamento tem-na no Cristo.
O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma
individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim
pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra,
com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.
É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do
mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos
homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.
Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”,
também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe
execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas,
desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o
que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos
preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas
futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o
anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (Fonte:
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, nº 5 O Espiritismo)
"O
Espiritismo esclarecido, como o é hoje, procura destruir as idéias
supersticiosas, mostrando o que há de real ou de falso nas crenças
populares, denunciando o que nelas existe de absurdo, fruto da
ignorância e dos preconceitos.
O sobrenatural desaparece à luz do facho da Ciência, da Filosofia e da
Razão, como os deuses do paganismo ante o brilho do Cristianismo.
Sobrenatural é tudo o que está fora das leis da Natureza, O positivismo
nada admite que escape à ação dessas leis; mas, porventura, ele as
conhece a todas?
Em todos os tempos foram reputados sobrenaturais os fenômenos cuja causa
não era conhecida; pois bem: o Espiritismo vem revelar uma nova lei,
segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto é um fato tão
natural, como o que se dá por intermédio da eletricidade, entre dois
indivíduos separados por uma distância de cem léguas; o mesmo acontece
com os outros fenômenos espíritas.
O Espiritismo repudia, nos limites do que lhe pertence, todo efeito
maravilhoso, isto é, fora das leis da Natureza; ele não faz milagres nem
prodígios, antes explica, em virtude de uma dessas leis, certos efeitos,
demonstrando, assim, a sua possibilidade. Ele amplia, igualmente, o
domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência;
como, porém, a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais, o
código das conseqüências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina
filosófica.
Deste último ponto de vista, ele corresponde às aspirações do homem, no
que se refere ao seu futuro; e como a sua teoria do futuro repousa sobre
bases positivas e racionais, ela agrada ao espírito positivo do nosso
século." - ALLAN
KARDEC (O que é o Espiritismo)
DOUTRINA ESPÍRITA, O
QUE É? É o mesmo que
Espiritismo.
"Espiritismo", "Doutrina Espírita" e "Doutrina dos
Espíritos"
significam a mesma coisa. Veja acima explicação sobre o que é
Espiritismo.
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02. ESPIRITISMO
OU ESPIRITUALISMO:
Esta questão,
que muitas vezes confunde inclusive aos espíritas, é respondida aqui
pelo próprio Allan Kardec e inserido no Opúsculo " O que é o
Espiritismo":
A. K. — De há muito tem já a palavra espiritualista uma acepção bem
determinada; é a Academia que no-la dá: Espiritualista, aquele ou aquela
pessoa cuja doutrina é oposta ao materialismo.
Todas as religiões são necessariamente fundadas sobre o espiritualismo.
Aquele que crê que em nós existe outra coisa, além da matéria, é
espiritualista, o que não implica a crença nos Espíritos e nas suas
manifestações. Como o podereis distinguir daquele que tem esta crença?
Ver-vos-eis obrigado a servir-vos de uma perífrase e dizer: É um
espiritualista que crê ou não crê nos Espíritos.
Para as novas coisas são necessários termos novos, quando se quer evitar
equívocos. Se eu tivesse dado à minha Revista (Rèvue
Spirite - nota nossa), a qualificação de espiritualista, não lhe
teria especificado o objeto, porque, sem desmentir-lhe o título, bem
poderia nada dizer nela sobre os Espíritos, e até combatê-los.
Já há algum tempo, li num jornal, a propósito de uma obra filosófica, um
artigo em que se dizia tê-la o autor escrito do ponto de vista
espiritualista; ora, os partidários dos Espíritos ficariam singularmente
desapontados se, confiantes nessa indicação, acreditassem encontrar
alguma concordância entre o que ela ensina e as idéias por eles
admitidas.
Se adotei os termos espírita,
espiritismo, é porque eles exprimem, sem equívoco, as idéias relativas
aos Espíritos.
Todo espírita é necessariamente
espiritualista, mas nem todos os espiritualistas são espíritas. (Grifos
nossos - Instituto André Luiz)
Ainda que os Espíritos fossem uma quimera, havia utilidade em adotar
termos especiais para designar o que a eles se refere; porque as falsas
idéias, como as verdadeiras, devem ser expressas por termos próprios.
As palavras espiritualismo e espiritualista são inglesas, e têm sido
empregadas nos Estados Unidos desde que começaram a surgir as
manifestações dos Espíritos; no começo e por algum tempo, também delas
se serviram na França; logo, porém, que apareceram os termos espírita,
espiritismo, compreendeu-se a sua utilidade, e foram imediatamente
aceitos pelo público.
Hoje, seu uso está tão generalizado que os próprios adversários, aqueles
que no princípio os classificavam de barbarismos, não empregam outros.
Os sermões e as pastorais que fulminam o Espiritismo e os espíritas
viriam produzir enorme confusão, se fossem dirigidos ao espiritualismo e
aos espiritualistas.
Bárbaros ou não, esses termos estão hoje incluídos na língua usual e em
todas as línguas da Europa; são os únicos empregados em todas as
publicações, favoráveis ou contrárias, feitas em todos os países. Eles
ocupam o vértice da coluna da nomenclatura da nova ciência; para
exprimir os fenômenos especiais dessa ciência, tínhamos necessidade de
termos especiais; o Espiritismo hoje possui a sua nomenclatura, tal como
a Química.
As palavras espiritualismo e espiritualista, aplicadas às manifestações
dos Espíritos, não são hoje mais empregadas senão pelos adeptos da
escola americana.
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03. O QUE É ESPIRITISMO?
É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores,
contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação
Espírita: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho
segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.
“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos
Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.” Allan Kardec
(O que é o Espiritismo – Preâmbulo)
“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido:
conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde
vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei
de Deus e consola pela fé e pela esperança.” Allan Kardec (O Evangelho
segundo o Espiritismo – cap. VI – 4).3
O QUE REVELA:
Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do
Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.
Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o
objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.
SUA ABRANGÊNCIA:
Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o
Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do
comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da
Humanidade.
Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos
fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso,
ético, moral, educacional, social.
SEUS ENSINOS FUNDAMENTAIS:
Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. é
eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e
bom.
O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e
irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.
Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os
homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos
desencarnados.
No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de
evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.
Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor.
Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.
O homem é um Espírito encarnado em um corpo material. O perispírito é o
corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.
Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo
dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.
Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e
moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até
a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.
Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de
cada encarnação.
Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu
próprio aprimoramento.
Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas
podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso
intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à
perfeição.
Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição
que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima;
Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina; Espíritos
Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas
paixões inferiores.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre
existiram. Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas
provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação. Os
imperfeitos nos induzem ao erro.
Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade. E a Doutrina que ensinou
e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.
A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução
segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os
problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.
O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências
de suas ações.
A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o
procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.
A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado
de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da
existência do Criador.
A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se
faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons
Espíritos para assisti-lo. é este um socorro que jamais se lhe recusa,
quando pedido com sinceridade. (Fonte:
FEB e
SobreSites)
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04. QUEM FOI ALLAN KARDEC?
Allan Kardec foi o criador (ou
Codificador) do Espiritismo. Foi a partir de suas observações que surgiu
a Doutrina Espírita, na França da século 19. Nasceu Hippolyte
Léon-Denizard Rivail, em 03 de Outubro de 1804 em Lyon, França, no seio
de uma antiga família de magistrados e advogados. Educado na Escola de
Pestalozzi, em Yverdum, Suíça, tornou-se um de seus discípulos mais
eminentes.
Rivail Denizard fez em Lião os seus primeiros
estudos e completou em seguida a sua bagagem escolar, em Yverdun
(Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um
dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e dedicado.
Aplicou-se, de todo o coração, à propaganda do sistema de educação que
exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na
Alemanha. Muitíssimas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos
governos, um pouco de todos os lados, para fundar institutos semelhantes
ao de Yverdun, confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na
direção da sua escola. O discípulo tornado mestre tinha, além de tudo,
com os mais legítimos direitos, a capacidade requerida para dar boa
conta da tarefa que lhe era confiada. Era bacharel em letras e em
ciências e doutor em medicina, tendo feito todos os estudos médicos e
defendido brilhantemente sua tese.4 Lingüista insigne, conhecia a fundo
e falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol;
conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua.(Henri
Sausse)
Foi membro de várias sociedades sábias, entre as quais a Academie Royale
d'Arras. De 1835 à 1840, fundou em seu domicílio cursos gratuitos, onde
ensinava química, física, anatomia comparada, astronomia, etc.
Dentre suas inúmeras obras de educação, podemos citar: "Plano proposto
para a melhoria da instrução pública" (1828); "Curso prático e teórico
de aritmética (Segundo o método de Pestalozzi)", para uso dos
professores primários e mães de família (1829); "Gramática Francesa
Clássica" (1831); "Programa de cursos usuais de química, física,
astronomia, fisiologia"(LYCÉE POLYMATIQUE); "Ditado normal dos exames da
Prefeitura e da Sorbonne", acompanhado de "Ditados especiais sobre as
dificuldades ortográficas (1849).
Por volta de 1855, desde que duvidou das manifestações dos Espíritos,
Allan Kardec entregou-se a observações perseverantes sobre esse
fenômeno, e, se empenhou principalmente em deduzir-lhe as conseqüências
filosóficas.
Nele entreviu, desde o início, o princípio de novas leis naturais; as
que regem as relações do mundo visível e do mundo invisível; reconheceu
na ação deste último uma das forças da Natureza, cujo conhecimento
deveria lançar luz sobre uma multidão de problemas reputados insolúveis,
e compreendeu-lhe a importância do ponto de vista religioso.
As suas principais obras espíritas são: "O Livro dos Espíritos", para a
parte filosófica, e cuja primeira edição surgiu em 18 de Abril de 1857;
"O Livro dos Médiuns", para a parte experimental e científica (Janeiro
de 1861); "O Evangelho Segundo o Espiritismo", para a parte moral (Abril
de 1864); "O Céu e o Inferno", ou "A Justiça de Deus segundo o
Espiritismo" (Agosto de 1865); "A Gênese, os Milagres e as Predições
(Janeiro de 1868); "A Revista Espírita", jornal de estudos psicológicos.
Allan Kardec fundou em Paris, a 1º de Abril de 1858, a primeira
Sociedade Espírita regularmente constituída, sob o nome de "Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas".
Casado com Amélie Gabrielle Boudet, não teve filhos.
Trabalhador infatigável, desencarnou no dia 31 de março de 1869, em
Paris, da maneira como sempre viveu: trabalhando.
(Retirado de "Obras Póstumas", Biografia de Allan Kardec, edição IDE,
e organizado por Instituto
André Luiz)
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05. ESPIRITISMO NO MUNDO:
Existe Espiritismo
fora do Brasil? Sim, existe, é claro, embora que não conte com a mesma
força que em nosso país. Mas, com muita alegria, ao longo destes seis
anos frente ao Instituto De Divulgação Espírita André Luiz (Instituto
André Luiz e Ideal André Luiz), tivemos o privilégio de entrar em
contato com inúmeros irmãos e entidades internacionais, envolvidos com
entusiasmo no projeto de criar, manter e ampliar casas espíritas nos
lugares mais distantes do Planeta.
Dentre entre estes lugares, podemos citar: Bósnia (Movimento criado a
partir de Embaixada de língua portuguesa, por funcionários espíritas),
Canadá, Holanda, Suécia, Japão, Noruega, Itália, França, Venezuela,
Argentina e Estados Unidos. Nestes países, assim como em muitos outros,
o Espiritismo começa a andar, lenta, porém firmemente e sempre mantendo,
para alegria nossa, fidelidade aos ensinamentos repassados pelos
Espíritos Codificadores ao mestre Allan Kardec.
Nos Estados Unidos, porém, é onde o Espiritismo caminha com maior vigor
e rapidez. Vejam na entrevista abaixo, um panorama do Espiritismo
norte-americano:
P: - Quantos grupos espíritas existem nos
Estados Unidos da América do Norte?
R: - Contam-se 50 grupos, dentre os quais 17 estão legalizados e 12
estão afiliados ao Conselho Espírita.
P: - Como se organiza, nos EUA, o movimento espírita?
R: - Como o movimento ainda é jovem e está em organização, os centros
espíritas afiliam-se diretamente ao Conselho Espírita, com sede em
Washington. Na Flórida existe uma Federação Espírita, anterior à criação
do próprio Conselho. Lá os grupos podem se afiliar também àquela
Instituição, que por sua vez, também é adesa ao Conselho.
P: - Esses grupos compreendem a importância de Allan Kardec?
R: - Sim, esses grupos estão conscientes a respeito da codificação do
Espiritismo e procuram pautar suas atividades nos princípios básicos
compilados por Allan Kardec, com base nos ensinos da espiritualidade
superior. (Fonte: Site O Mensageiro, entrevista de Carlos Campetti.
VEJA MAIS).
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06. ESPIRITISMO NO BRASIL:
JEITO BRASILEIRO DE SER ESPÍRITA - (Entrevista
concedia pela antropóloga Sandra Jacqueline Stoll, que estudou a
história e linhas de força que lutam pela hegemonia do Espiritismo no
Brasil à reporter Paula Barcellos, do
JB Online: "Apesar de contar com 6 milhões de espíritas declarados e
outros milhões de simpatizantes, a história e a prática dessa religião
ainda não tinham transposto os muros acadêmicos. Para suprir essa
lacuna, a antropóloga Sandra Jacqueline Stoll escreveu Espiritismo à
brasileira (Edusp, 296 páginas, R$ 35), originalmente uma tese de
doutorado em Antropologia Cultural na USP. Confrontando dois personagens
fundamentais, Chico Xavier e Luiz Antônio Gasparetto, Sandra identificou
novas linhas de força da religião espírita, desde o início dividida
entre uma corrente cientificista, predominante na Europa, e outra que
privilegia o aspecto moral, hegemônica no Brasil. Nesta entrevista, ela
explica as novas divisões do espiritismo: de um lado, a ligação com o
catolicismo, expressa na aceitação voluntária, por Chico Xavier, dos
votos monásticos de pobreza e castidade. De outro, a Nova Era e a
auto-ajuda de Gasparetto, que prega a realização pessoal e o sucesso.
- O que a levou a estudar o espiritismo?
- Eu tinha curiosidade de rever a interpretação da inserção do
espiritismo na cultura religiosa brasileira. Quando se analisam certas
tendências do campo religioso, os grupos mencionados são os católicos,
os carismáticos, os neopentecostais e os grupos afro-brasileiros. Suprir
essa lacuna foi uma das motivações dessa pesquisa. Mas havia também a
figura extraordinária de Chico Xavier, que, apesar da unanimidade
conquistada dentro e fora do meio espírita, não tinha sido ainda objeto
de pesquisa antropológica. O mesmo ocorre com outro médium de destaque,
Luiz Antônio Gasparetto. Suas pinturas mediúnicas chamaram tanto a
atenção que ele chegou a ser levado para a Inglaterra, para se
apresentar na BBC.
- No livro, você compara a doutrina espírita
francesa, fundada por Allan Kardec, com a brasileira. Elas acabaram se
tornando religiões diferentes? Ou as diferenças são, basicamente,
resultantes de comportamentos culturais distintos?
- A doutrina de Allan Kardec teve uma larga difusão na França, assim
como no Brasil, no século 19. Nestes dois países, porém, as
características assumidas pela doutrina não foram as mesmas. Na França,
a produção das obras de Allan Kardec tinha como tema central a teoria da
evolução. Essa era a tônica dos debates científicos e religiosos na
Europa na época. Já no Brasil, apenas em círculos sociais restritos esse
debate encontrou ressonância. Em contrapartida, o aspecto moral da
doutrina espírita foi rapidamente assimilado, por seu estreito
comprometimento com o ideário cristão. O que demonstro no livro é que
esse ideário foi aqui reinterpretado, criando-se um ''estilo católico de
ser espírita''. O médium Chico Xavier é o paradigma dessa construção.
Sua imagem pública foi construída com base na noção católica de
santidade. Isso se expressa no estilo de vida por ele adotado, marcado
pela incorporação gradativa dos votos monásticos católicos: obediência,
castidade, renúncia aos bens materiais. Traduzidas como ''sacrifício de
si'', essas práticas, juntamente à caridade, também assimilada do
universo católico, conferem ao espiritismo uma marca arraigadamente
católica, cultura religiosa dominante no país. Não se trata, porém, de
uma outra religião, já que os preceitos doutrinários do espiritismo no
Brasil são os mesmos lançados na França.
- Isso teria acontecido apenas no Brasil?
- Nos países em que a religião católica é dominante, a apropriação de
elementos de sua estrutura, de sua prática ritual e ideário faz parte
das estratégias de inserção de doutrinas estrangeiras. Veja como outras
religiões rapidamente se apropriam de símbolos do catolicismo para
facilitar sua inserção nas camadas populares: as figuras dos bispos,
pastores, templos, água, batismo etc. são exemplares nesse sentido. O
Brasil não foge à regra. Mas é preciso também salientar que mudanças nas
relações de poder no campo religioso podem alterar esse processo. Como
demonstro no livro, existem hoje outras correntes bastante influentes no
campo religioso. O próprio catolicismo tenta se adaptar a essas
mudanças, introduzindo, de um lado, práticas rituais que o aproximam do
pentecostalismo e, de outro, estimulando as peregrinações religiosas e o
culto aos santos ao estilo Nova Era. Isso também pode ser observado no
universo espírita: a construção de novas sínteses em que o catolicismo
não ocupa lugar central. Provavelmente, como vêm demonstrando várias
pesquisas recentes, a tendência reflete o solapamento da posição
hegemônica que o catolicismo ocupava no Brasil.
- É inegável a importância de Chico Xavier no
espiritismo brasileiro. Pode-se dizer que sua produção literária
mediúnica legitimou a idéia de imortalidade da alma, uma das principais
teses espíritas, a ponto de ser aceita por praticantes de outras
religiões?
- A contribuição fundamental da literatura produzida por Chico Xavier
foi certamente a popularização da doutrina espírita. Suas obras,
acompanhadas cronologicamente, permitem perceber que os temas
fundamentais do espiritismo - a idéia da imortalidade da consciência, da
evolução, do carma etc. - são introduzidos de forma gradativa,
articulando-se, especialmente nos romances, por meio do enredo de
histórias de vida. Realizado por mais de 70 anos, esse projeto
certamente contribuiu para a disseminação da idéia da imortalidade da
alma, inclusive entre os que se dizem católicos, como sinalizam várias
pesquisas acadêmicas e jornalísticas.
- Quais seriam as principais tendências do
espiritismo brasileiro hoje?
- O espiritismo de ''viés católico'', consolidado em torno da imagem
pública de Chico Xavier, ainda é hegemônico no Brasil, mas no interior
deste vêm sendo gestadas novas tendências. Hoje temos duas correntes
dominantes: uma, a exemplo da orientação de Kardec, vem buscando a
inovação da doutrina por meio da atualização de seus conceitos
científicos; a outra busca no campo religioso sua atualização,
incorporando idéias e práticas de sistemas filosóficos/doutrinários
diversos, precariamente reunidos em torno do rótulo de Nova Era e com
grande ênfase na auto-ajuda. A Nova Era e as novas idéias científicas
relativas às origens e evolução do universo tornaram-se as suas
principais fontes contemporâneas de inspiração.
- Os livros de auto-ajuda têm influenciado o
espiritismo?
- Essa é uma tendência que não se verifica apenas no Brasil. Hoje em
inúmeras livrarias da Índia, do Nepal, da Inglaterra, de Portugal, do
Chile e da Argentina, você encontra amplas seções de livros destinados à
auto-ajuda. O espiritismo no Brasil acompanha essa tendência e, diga-se
de passagem, a Igreja Católica também. Chico Xavier foi o primeiro
best-seller do campo espírita. Hoje os livros de outros médiuns, em
especial de Zíbia Gasparetto, tomaram-lhe a dianteira. Seus livros há
anos constam entre os mais vendidos. Esse sucesso, em larga medida,
explica-se por uma mudança do modelo convencional da literatura espírita
para o filão da auto-ajuda.
- O que muda?
- Os temas principais são os mesmos - carma, evolução, intervenção dos
espíritos etc. -, porém o alvo não é a vida futura, mas o aqui e agora.
Usando uma linguagem mais coloquial, moderna e situações do cotidiano,
essa literatura encontra ressonância especialmente entre os segmentos de
classe média, ultrapassando os limites do espiritismo. Nesse sentido,
esta literatura também contribui para a disseminação de temas
fundamentais da doutrina espírita. A diferença é que nessa literatura o
tema do livre-arbítrio ganha centralidade, enfatizado como instrumento
de ''realização pessoal'', o que permite relativizar, por exemplo, a
idéia do carma como destino inexorável.
- Um autor como Luiz Antonio Gasparetto une
rituais mediúnicos às temáticas da Nova Era e às práticas de auto-ajuda.
Como a doutrina espírita absorve tudo isso?
- Dizem os espíritas que Luiz Antônio Gasparetto já não é mais espírita.
Ele mesmo recusa essa denominação. O endosso de certas idéias e práticas
da Nova Era e especialmente da auto-ajuda, segundo eles, teria produzido
o seu afastamento da tradição doutrinária. Entretanto, outros grupos
fizeram o mesmo e ainda são considerados espíritas. O pomo da discórdia
na verdade é uma questão de ordem ética: trata-se da discordância dos
espíritas com relação ao uso da mediunidade para fins privados, em
especial para o enriquecimento pessoal. Aí se evidencia o modelo de
virtudes católico disseminado no espiritismo por Chico Xavier, que fez
da prática da mediunidade um exercício do voto de pobreza. Gasparetto,
ao contrário, investe por intermédio da auto-ajuda na ética do sucesso,
da prosperidade. Atua em favor do próximo, porém não por meio da
caridade, mas estimulando as pessoas a buscarem por si a felicidade, o
prazer, a realização pessoal. Ele tem tido enorme sucesso com esse
trabalho. Sustento, apesar disso, que Gasparetto continua no campo
espírita. É a partir dessa matriz que ele reinterpreta os conceitos e
práticas de outras tradições.
- Projetos como os de Gasparetto podem conduzir
à criação de um novo espiritismo?
- A princípio é o que ele pretendia. Mas, hoje, afirma que não é
espírita. Cada sistema religioso lida com a divergência e a dissidência
de modos diversos. Os espíritas se debateram no Brasil durante décadas
entre duas tendências, aqueles mais afinados com o discurso científico
da doutrina, e os demais sintonizados com seus valores morais. Com Chico
Xavier e seus seguidores tornou-se hegemônica a segunda corrente. Hoje
existem novas tendências, dentro do campo espírita, disputando espaço.
Não se sabe ainda qual o desfecho dessa disputa que apenas se inicia.
Mas ela, forçosamente, impõe transformações.
- Muitas pessoas hoje se assumem como
espiritualistas. Como você definiria esse conceito?
- Como outros conceitos, por exemplo de Nova Era ou ''neo-esoterismo'',
estes são rótulos que demarcam um campo de trocas, disputas e diálogos e
não um modo de identidade. Quem se diz espiritualista pode num dado
momento estar realizando meditação de estilo zen, freqüentar sessões de
ioga, massagem tibetana, consumir incensos, colecionar medalhas de
santos católicos. Meses depois, pode ter abandonado um ou mais destes
itens e estar envolvido numa nova síntese. Esse exercício da
espiritualidade pouco afeito a fidelidades institucionais é o que
caracteriza a religiosidade contemporânea. Talvez seja um dos principais
desafios das instituições religiosas. [28/FEV/2004 - JEITO BRASILEIRO DE
SER ESPÍRITA].

VEJA também artigo sobre "Espiritismo no Brasil
- Suas Origens" no site do
Centro Espírita Ismael..
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07. O ESPIRITISMO E AS RELIGIÕES
AFRO-BRASILEIRAS:
Espiritismo não é Umbanda - FREQÜENTEMENTE, AS PESSOAS MENOS AFEITAS AO
ESTUDO, CONFUNDEM O ESPIRITISMO COM OUTROS SEGMENTOS RELIGIOSOS. ISTO
GERA PRECONCEITO E ATITUDES NEGATIVAS PARA AMBOS OS LADOS. NADA MELHOR
QUE ESCLARECER, ENTÃO, NOSSOS LEITORES, SOBRE ESTAS QUESTÕES. O QUE HÁ
DE SIMILAR, POR EXEMPLO, ENTRE ESPIRITISMO E UMBANDA?
Com todo respeito que nos merecem todas as religiões que induzam à
prática do bem, respondemos que não.
Religião científico-filosófica, o Espiritismo não pretende demolir
aquelas que o precederam, antes reconhece a necessidade da existência
delas para grande parte da Humanidade, cuja evolução se processa lenta,
mas inexoravelmente.
Espiritismo e Umbanda ensinam a reencarnação e trabalham com a
mediunidade. A primeira usa o pensamento; a segunda, a Natureza.
O Espiritismo veio quando chegaram os tempos, através dos Espíritos
Superiores que foram apóstolos e discípulos de Jesus quando ele esteve
na Terra e que voltaram, no século passado, transmitindo seus
ensinamentos a Allan Kardec, que os codificou. Ele objetiva o progresso
espiritual dos homens, com a implantação da fraternidade entre eles.
Umbanda é basicamente prática religiosa dos africanos bantos e
sudaneses, trazidos para o Brasil como escravos. É o resultado do
sincretismo com o Catolicismo, reunindo ainda folclore, superstições e
crendices, sem doutrina codificada.
A tendência natural é o umbandista se tornar espírita, como aconteceu,
por exemplo, em Goiânia, à antiga Tenda do Caminho, hoje Irradiação
Espírita Cristã, com um admirável acervo de obras assistenciais.
O Espiritismo não adota em suas reuniões: paramentos ou quaisquer vestes
especiais; vinho, cachaça, ou qualquer outra bebida alcoólica; incenso,
mirra, fumo ou quaisquer outras substâncias que produzam fumaça;
altares, imagens, andores e velas; hinos ou cantos em línguas mortas ou
exóticas; danças ou procissões; atendimento a interesses materiais,
terra-a-terra, mundanos; pagamento de qualquer espécie; talismãs,
amuletos, orações miraculosas, bentinhos e escapulários; administração
de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos
nobiliárquicos; horóscopos, cartomancia, quiromancia e astrologia;
rituais e encenações extravagantes; promessas e despachos; riscar cruzes
e pontos, praticar, enfim, a longa série de atos materiais oriundos de
velhas e primitivas concepções religiosas.
O Espiritismo não tem profissionais. Só amadores. Gente que ama o que
faz, buscando a fé com a razão e o servir ao próximo sem qualquer
recompensa material.
O Espiritismo é para ser estudado, discutido e aplicado, visando a
reforma intima do seu adepto. (Fonte : Revista Espírita Allan Kardec,
edição 36.
VEJA MAIS!)
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08. BEZERRA DE MENEZES:
O nome mais famoso do
espiritismo brasileiro foi vereador e chegou a presidente da Câmara
Municipal. Hoje em dia, não há espírita que não recorra ao doutor
Bezerra de Menezes quando tem algum problema de saúde na família.
Nascido no ano de 1831 em Riacho do Sangue, no Ceará, Adolfo Bezerra de
Menezes formou-se aos 25 anos na Escola de Medicina do Rio de Janeiro.
Conhecido por sua dedicação aos mais carentes como o "médico dos
pobres", largou o posto de cirurgião-tenente do Exército - lotado no
Hospital Central, além de possuir uma famosa clínica com uma clientela
rica - para entrar na política.
O que Bezerra de Menezes recebia da classe abastada no seu consultório
no Centro da cidade gastava com os mais pobres, não só clinicando
gratuitamente, como dando a eles remédios, roupa, dinheiro, enfim, tudo
de que necessitassem. Isso levou a população do bairro de São Cristóvão
a pedir que ele a representasse na Câmara Municipal.
Vereador eleito pelo Partido Liberal, Bezerra de Menezes enfrentou logo
a oposição do líder do Partido Conservador, Hadock Lobo, que pediu a
impugnação do seu diploma, sob o argumento de que um militar da ativa
não poderia exercer cargo político. Bezerra de Menezes pediu baixa do
Exército e, durante vinte anos - de 1860 a 1880, ano em que presidiu o
Legislativo do Município -, foi eleito vereador, deputado geral e
indicado para o Senado.
Como político e jornalista, Bezerra de Menezes, em comícios e artigos,
defendeu, entre outras causas, a emancipação dos escravos. Nesse
período, lançou o jornal A Reforma, de orientação liberal, e criou a
Estrada de Ferro Macaé-Campos, que o enriqueceu, mas acabou falindo, não
só por dar tudo que tinha para os pobres, como também pela falta de
apoio do Governo Imperial, que não liberou os meios para o
desenvolvimento da ferrovia.
Isso não impediu que continuasse atendendo às massas carentes, já
convertido à doutrina espírita, pioneiramente como médico homeopata, até
falecer, pobre e amado pelo povo, em abril de 1900.
(FONTE:
Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro - Vereador histórico)
Adolfo Bezerra de
Menezes, o médico dos pobres e incansável obreiro de Jesus na difusão do
Espiritismo Consolador em terras brasileiras, não foi espírita desde que
nasceu... Vejam um trecho do estudo sobre o grande médico e espírita,
denominado o “Kardec brasileiro”, apresentado em palestra no NEU-UERJ/Faculdade
de Ciências Médicas em outubro de 1999, por Eva Patrícia Baptista (graduanda
do curso médico), e disponível no site
PORTAL DO ESPÍRITO:
"Adolfo Bezerra de Menezes nascera em família afortunada e católica, a
29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, na Província do Ceará.
Cresceu em clima de severa dignidade, respeito e religiosidade. Devido à
sua prestimosa inteligência, inerente a todos os espíritos superiores,
distinguiu-se nos estudos desde cedo, sendo sempre o 1o aluno de sua
classe. Em 5 de fevereiro de 1851, quando contava com 19 anos de idade,
transferiu-se para a Corte (atual Rio de Janeiro) para fazer seu curso
médico. Nesta época seu pai, homem de bom coração havia perdido a sua
fortuna e não pode ajudar seu filho financeiramente em seus estudos. Foi
através de lutas, privações e renúncias aos prazeres ilusórios do mundo,
que Bezerra conseguiu, em 1856, doutorar-se em Medicina.
Para custear seus estudos e a subsistência própria, Bezerra de Menezes
lecionava. Numa ocasião em que se achavam totalmente esgotados os
recursos, de par com a urgência de pagar o aluguel da casa e acudir a
outras necessidades inadiáveis, reclinado em sua rede, sem grandes
sobressaltos, mas seriamente preocupado com a solução do caso, dava
tratos à imaginação, em procura dos meios com que sair da dificuldade,
quando ouve bater à porta. Era um desconhecido, que vinha nominalmente
procurá-lo, e que, depois, ajustando um certo número de lições de
determinadas matérias, tira do bolso um maço de células e paga
antecipadamente o preço convencionado, ficando igualmente combinado para
o dia seguinte o início das aulas.
Bezerra reluta em receber a importância adiantada. Por fim, lembrando-se
de sua situação, resolve aceitá-la. Radiante com a inesperada e
providencial visita, Bezerra de Menezes solveu os seus compromissos e
ficou a esperar, no prazo estipulado, o novo aluno.
Mas nem no dia seguinte nem nunca mais lhe tornou este a aparecer. Foi,
pois, uma visita mais misteriosa.
Intervenções da mesma natureza, posto que não revestidas de cunho
misterioso idêntico, se haviam de reproduzir no curso de sua vida,
quando, em mais de uma ocasião, faltando-lhe o necessário para as
despesas indispensáveis, longe de se perturbar, sentava-se à mesa de
trabalho e punha-se tranqüilamente a escrever. Aparecia-lhe sempre um
consulente que, atendido, lhe deixava os recursos de que necessitava e
que, com serena confiança na Providência Divina, tinha certeza de que
lhe não faltariam.2
Casou-se em 6 de novembro de 1858, aos 27 anos, com D. Maria Cândida de
Lacerda, pertencente a ilustre família. No fim de 4 anos, sua mulher
desencarna, deixando-lhe dois filhos, um de 3 anos e outro de 1 ano.
Este fato produziu em Bezerra um abalo físico e moral.
Todas as glórias mundanas que havia conquistado tornaram-se aborrecidas.
Não tinha mais prazer de ler e escrever, suas duas maiores distrações e
nada encontrava que lhe fosse lenitivo a tamanha dor.
É porque Bezerra, quando na Faculdade, na convivência de seus colegas,
na maioria ateus, esquecera-se da sua crença católica que não fora
firmada em uma fé raciocinada. Apesar disso, continuava a crer em dois
pontos da religião católica: a crença em Deus e a existência da alma.
Um dia, um amigo seu lhe trouxe um exemplar da Bíblia, traduzido pelo
padre Pereira de Figueiredo. Bezerra tomou o livro sem o intuito de
lê-lo, mas folheando-o começou a ler e esqueceu-se nesta tarefa. Leu
toda a Bíblia e percebeu que algo de estranho se passava em seu
interior. Quando acabou, tinha a necessidade de crer novamente, mas não
nesta crença imposta à fé, mas numa outra firmada na razão e na
consciência. Atirou-se então à leitura dos livros sagrados, com ardor e
sede. Mas havia sempre uma falha a que seu espírito reclamava.
Começaram a aparecer as primeiras notas espíritas no Rio de Janeiro. E,
apesar de ouvir sobre esta nova Doutrina, Bezerra repelia-a sem
conhecê-la, pois temia que ela perturbasse a paz que lhe trouxera ao
espírito a sua volta à religião.
Um dia, porém, seu colega Dr. Joaquim Carlos Travassos, tendo traduzido
o Livro dos Espíritos de Allan Kardec, presenteou-o com este livro. E
tal como acontecera com a Bíblia, prendeu-se neste livro, lendo-o todo.
Operou-se nele um fenômeno estranho. Ele sabia que nunca havia lido
qualquer obra espírita, no entanto, tudo o que lia não era novo para seu
espírito. Ele sentia como se já tivesse lido e ouvido tudo aquilo. São
as lembranças da alma.
Foi assim que Bezerra de Menezes tornou-se espírita." (FONTE:
PORTAL DO ESPÍRITO)
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09. EMMANUEL:
Emmanuel foi o inesquecível guia de Chico Xavier, durante
o seu longo apostolado mediúnico. Mostrou-se, em seu primeiro contato, dentro de
raios luminosos em forma de cruz e com a aparência de um bondoso ancião. Mais
tarde, captado por tintas mediúnicas, Emmanuel revelou-se um belo
homem, ainda jovem, de porte atlético (vide imagem de materialização, em
Fotografias e Lembranças), andar elegante e olhar encantador. Instado a revelar
sua identidade, esquivou-se repetidas vezes, alegando razões particulares e
respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem pelo Planeta,
padre católico (Manuel da Nóbrega), desencarnado no Brasil. (Chico Xavier, in
"Emmanuel", 1938).
Veja mais sobre Nóbrega aqui.
Embora Chico Xavier tenha se iniciado no Espiritismo aos 17 anos, em 7 de maio
de 1927 (fonte: FEB), apenas a partir de 1931 Emmanuel passou a guiar as suas
mãos, sendo para este, segundo suas próprias palavras, um "viajante muito
educado procurando domar um animal freado e irrequieto, afim de realizar uma
longa excursão". (Pinga-Fogo, Edicel).
Apesar de apontamentos seguidos sobre a rígida disciplina aplicada por Emmanuel
sobre Chico Xavier, este apenas teve sempre, sobre seu mentor, palavras de
carinho e gratidão. E uma profunda admiração também, perceptível nesta
declaração: "Solicitado para se pronunciar sobre esta ou aquela questão,
notei-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando
todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos
outros." Ou então: "Emmanuel tem sido para mim um verdadeiro pai na Vida
Espiritual, pelo carinho com que tolera as falhas, e pela bondade com que repete
as lições que devo aprender. Em todos estes anos de convívio estreito, quase
diário, ele me traçou programas e horários de estudo, nos quais a princípio até
inclui datilografia e gramática, procurando desenvolver os meus singelos
conhecimentos de curso primário, em Pedro Leopoldo, o único que fiz agora, no
terreno da instrução oficial."
Emmanuel permaneceu ao lado de Chico até suas derradeiras horas no Planeta. O
médium morreu na noite de domingo, 30 de junho, aos 92 anos, de parada cardíaca,
na cidade de Uberaba, MG, e
onde passou grande parte de sua vida.
É impossível falar em Espiritismo ou em Chico Xavier, principalmente, sem
recordar este grande Espírito que ao longo de várias e laboriosas décadas,
consolidou a Doutrina Espírita no Brasil. Foi através de múltiplos ensinamentos
e mensagens, que Emmanuel popularizou a Terceira Revelação sobre o solo
brasileiro. Suas preciosas lições e incansáveis recomendações ecoam até hoje,
através de livros e lembranças, a perpetuar um trabalho de imensurável valor e
que se desenvolveu, certamente, sob a direção direta do Cristo. (
©2005-2006 Instituto André Luiz -
Conforme Lei dos Direitos
Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
VEJA MAIS)
Mais sobre
EMMANUEL,
leia aqui.
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10. ANDRÉ LUIZ:
O ano de 1944 marca a
estréia de André Luiz no mercado editorial espírita brasileiro,
revolucionando, de certo modo, a concepção geral acerca da vida
pós-túmulo. "Nosso Lar" descreve as atividades de uma cidade espiritual
próxima à Terra, e transforma-se em objeto de estudo, discussão e
deslumbramento nos círculos espíritas do país.
Portas até então cerradas se abrem de par em par, revelando vida e
trabalho, continuidade e justiça onde imperavam dúvidas e suposições.
Todos querem saber mais sobre o autor.
André Luiz não é o seu verdadeiro nome.
Dele sabe-se apenas que foi médico sanitarista, no século iniciante, e
que exerceu sua profissão no Rio de Janeiro, Brasil. Segundo suas
próprias palavras, optou pelo anonimato, quando da decisão de enviar
notícias do além-túmulo, por compreender que "a existência humana
apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda
toda a verdade".
Declara Emmanuel, no prefácio de "Nosso Lar", que ele, "por trazer
valiosas impressões aos companheiros do mundo, necessitou despojar-se de
todas as convenções, inclusive a do próprio nome, para não ferir
corações amados, envolvidos ainda nos velhos mantos da ilusão."
Imensa curiosidade cerca a personalidade do benfeitor e aventam-se
hipóteses, sem que se chegue à sua real identidade.
André Luiz, no entanto, fiel ao desejo de servir sem láureas, e atento
ao compromisso com a verdade, prossegue derramando bênçãos em forma de
livros, sem curvar-se à curiosidade geral.
Importa o que tem a dizer, de espírito à espírito.
A vaidade do nome ou sagrações passadas já não encontram eco em seu
coração lúcido e enobrecido.
André Luiz foi, positivamente, dentre todos os Benfeitores que
escreveram aos encarnados o que manteve fidelidade maior aos postulados
espíritas, notadamente à Allan Kardec. O seu trabalho, no que concerne à
forma e ao fundo, notabiliza-se em tudo pelo respeito e lealdade
mantidos, ao longo do tempo, ao Codificador e à Codificação.
Por mais de quatro décadas, André Luiz trabalhou ativamente junto a
Seara Espírita, lhe exornando a excelência e clarificando caminhos.
Chico Xavier, o médium que serviu de "ponte", hoje desencarnado, não
pode mais oferecer mão segura à transmissão de seus ensinamentos
luminosos.
Não sabemos se André Luiz retornará pela mão de outro médium.
Deste modo, resta apenas, aos espíritas e admiradores, o estudo de sua
obra magnífica, calando interrogações para ater-se às lições
ministradas, de mente despojada e coração agradecido.
Como ele, certamente, aguarda seja feito. (©1999-2005 Lori Marli dos Santos -
Instituto André Luiz.
-
Conforme Lei dos Direitos
Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
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11. FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER:
Francisco Cândido
Xavier, ou Chico Xavier, foi o médium mais conhecido e respeitado, por
espíritas e não-espíritas, no
Brasil e no exterior, e com maior tempo de atividade mediúnica. Nascido
na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, em 02 de Abril de 1910, desencarnou em Uberaba, aos 92 anos, no dia 30 de junho de 2002.
Iniciou-se no Espiritismo ao 17 anos. Auxiliado pelo irmão José Cândido Xavier, fundou o Centro Espírita Luiz
Gonzaga, em maio de 1927. Em 8 de julho do mesmo ano, psicografou pela
primeira vez, recebendo uma mensagem de 17 páginas, de um Espírito
Amigo, e que versava sobre Deveres Espíritas.
Mas José Xavier adoeceu, vindo a falecer em seguida, e o médium, sempre
assediado por multidões súplices e sofredoras e rodeado de amigos e
admiradores, chegou a trabalhar sozinho, por muito tempo, entre
perseguições e preconceitos, por absoluta falta de companheiros.
No final de 1931, conheceu Emmanuel, seu luminoso guia, e a partir daí
iniciou-se o que se pode chamar de "sublime ponte" entre o Céu e a
Terra. Sob a sua orientação espiritual, Chico Xavier psicografou
milhares de páginas de instrução, educação e consolo, ditadas por
inúmeros Espíritos, e compiladas em quatrocentos e doze (412) livros, sendo
que o últimos foram "Traços de Chico Xavier", livro de poesias, em 1997,
"Caminho Iluminado", do espírito Emmanuel, em 1998 e finalmente o último
livro, "Escada de Luz". Muitos destes livros, inclusive em braile, foram
traduzidos para línguas quais o inglês, o espanhol e o
esperanto.
A renda da venda dos livros, uma admirável fortuna, foi, desde o início,
totalmente doada em favor de hospitais, asilos, orfanatos e outras
Instituições Beneficentes, vivendo Chico Xavier de seu parco salário de
humilde funcionário público.
A máxima de Jesus: "Dai de graça o que de graça recebestes" foi o lema
deste formidável trabalhador cristão, no trato com o dinheiro havido de
sua mediunidade abençoada.
Mesmo doente e em idade avançada, compareceu, sempre que possível, aos
sábados à noite, no Grupo Espírita da Prece, para receber as centenas de
pessoas que se comprimiam no local, ansiosas por uma palavra de carinho,
que ele tinha sempre para todos, e por seu gesto de amor, uma
característica especial: o beijo terno nas mãos que o procuravam.
(Lori Marli dos Santos, Biografia exclusiva do
Site Espírita André Luiz)
"A 30 de junho
de 2002, por volta das 19h30, desencarnou em Uberaba o médium mineiro
Francisco Cândido Xavier, em meio às vibrações de alegria do povo
brasileiro pela conquista de mais um troféu mundial de futebol, como se
o Plano Espiritual Superior quisera, propositadamente, diluir as
repercussões que a partida do médium, por certo, viria causar em todos
os segmentos da nossa sociedade. À medida que a notícia da desencarnação
se espalhava pela cidade, centenas de pessoas se dirigiam para a casa do
médium, de onde saiu o corpo, por volta das 23h, para ser velado no
Grupo Espírita da Prece, ali permanecendo por cerca de 48 horas para
receber as homenagens derradeiras do povo que ele tanto amou."
(Fonte:Reformador julho/2002 – Edição especial)
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12. DIVALDO PEREIRA FRANCO:
Divaldo nasceu em 05
de maio de 1927, em Feira de Santana na Bahia, onde cursou a Escola
Normal Rural, sem passar pelo ginásio, trabalhou como escriturário no
IPASE, em Salvador.
Seu curriculum vitae é fenomenal, que revela que ele é um educador com
mais de 600 filhos e 200 netos, atendendo atualmente 3 mil crianças
carentes por dia; o orador com mais de 8.500 conferências, em mais de
1.000 cidades, em todo o Brasil e em 52 países, concedendo mais de 1.100
entrevistas de rádio e TV e mais de 450 emissoras, e recebendo mais de
400 homenagens de instituições culturais, sociais, religiosas e
políticas.
Como médium, produziu 147 obras, traduções para 15 idiomas, com cerca de
4 milhões e meio de exemplares.
Sem dúvida trata-se de uma pessoa muito especial, que tem passado a vida
trabalhando pela causa do Evangelho e do ideal espírita nos preparativos
para o Terceiro Milênio. (Fonte:
Site
Divaldo Pereira Franco, biografia).
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13.
MOVIMENTO ESPÍRITA:
O que é · Movimento
Espírita é o conjunto das atividades que têm por objetivo estudar,
divulgar e praticar a Doutrina Espírita, contida nas obras básicas de
Allan Kardec, colocando-a ao alcance e a serviço de toda a Humanidade.
As atividades que compõem o Movimento Espírita são realizadas por
pessoas, isoladamente ou em conjunto, e por Instituições Espíritas.
Objetivos das Entidades e Órgãos Federativos e de Unificação do
Movimento Espírita:
Promover o Estudo, a Difusão e a Prática da Doutrina Espírita,
procurando:
Manter um constante contato com os Grupos, Centros e Sociedades
Espíritas de sua área territorial, objetivando conhecer suas atividades,
suas realidades e suas necessidades;
Manter um permanente trabalho de apoio aos Grupos, Centros e Sociedades
Espíritas de sua área de ação, procurando colaborar no atendimento a
todas as suas atividades e necessidades;
Promover e ajudar na criação, na formação e na organização de novos
núcleos espíritas, na área de sua responsabilidade;
Promover a união dos Grupos, Centros e Sociedades Espíritas e a
unificação do Movimento Espírita, em sua área de ação;
Promover e realizar reuniões periódicas dos Grupos, Centros e Sociedades
Espíritas de sua área de ação, propiciando a troca de informações e
experiências relacionadas com suas atividades, bem como a ajuda
recíproca e a programação e realização de atividades conjuntas;
Promover a união com as outras Entidades e Órgãos que lhe são congêneres
de outras áreas territoriais, com vistas à unificação do Movimento
Espírita em geral;
Promover a realização de cursos, encontros, seminários, reuniões e
demais atividades, voltados ao trabalho de apoio ao Centro Espírita, à
tarefa de difusão da Doutrina Espírita e às atividades de unificação do
Movimento Espírita (FONTE: Site da
Federação Espírita Brasileira).
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14.
UNIFICAÇÃO
ESPÍRITA:
O que é: Trabalho
federativo e de unificação do Movimento Espírita é uma atividade-meio
que tem por objetivo fortalecer, facilitar, ampliar e aprimorar a ação
do Movimento Espírita em sua atividade-fim, que é a de promover o
estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita.
O que realiza- Realiza um permanente contato com os Grupos, Centros ou
Sociedades Espíritas, promovendo a sua união e integração e colocando à
disposição dos mesmos, sugestões, experiências, trabalhos e programas de
apoio de que necessitem para suas atividades.
Como se estrutura - Estrutura-se pela da união dos Grupos, Centros ou
Sociedades Espíritas que, preservando a sua autonomia e liberdade de
ação, conjugam esforços e somam experiências, objetivando o permanente
fortalecimento e aprimoramento das suas atividades e do Movimento
Espírita em geral.
Bezerra de Menezes - "No trabalho de unificação - O serviço de
unificação em nossas fileiras é urgente mas não apressado. Uma
afirmativa parece destruir a outra. Mas não é assim. É urgente porque
define o objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado,
porquanto não nos compete violentar consciência alguma.
Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e
compreender e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do
Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que
reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.
A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração
tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e
produção. Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem
se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se
consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base
Kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o
equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.
Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar;
reunir, mas alimentar.
É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos
Mensageiros Divinos a Allan Kardec: sem compromissos políticos, sem
profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos
de conquista a poderes terrestres transitórios.
Allan Kardec nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a
fim de que a nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra
se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de
ilusão e sofrimento.
Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou
manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido,
chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil
forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós
pela unificação.
Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.
Bezerra de Menezes (Trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F.C.Xavier –
Reformador, dez/1975)
FONTE:
CEI - Conselho Espírita Internacional.
"Um dos
maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a
falta de unidade.
O único meio de evitá-la, senão quanto ao presente, pelo menos quanto ao
futuro, é formulá-la em todas as suas partes e até nos mais mínimos
detalhes, com tanta precisão e clareza, que impossível se torne qualquer
interpretação divergente." ALLAN
KARDEC, Obras
Póstumas, Projeto 1868.
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15.
ESPIRITISMO E O FUTURO:
Somente o
Espiritismo,
bem entendido e bem compreendido, pode tornar-se, conforme disseram os
Espíritos, a grande alavanca da transformação da Humanidade. A
experiência deve esclarecer-nos sobre o caminho a seguir. Mostrando-nos
os inconvenientes do passado, ela nos diz clara mente que o único meio
de serem evitados no futuro consiste em assentar o Espiritismo sobre as
bases sólidas de uma doutrina positiva que nada deixe ao arbítrio das
interpretações. As dissidências que possam surgir se fundirão por si
mesmas na unidade principal que se estabeleceria sobre as bases mais
racionais, desde que essas bases sejam clara e não vagamente definidas.
Também ressalta destas considerações que essa marcha, dirigida com
prudência, representa o mais poderoso meio de luta contra os
antagonistas da Doutrina Espírita. Todos os sofismas quebrar-se-ão de
encontro a princípios aos quais a sã razão nada acharia para opor."
ALLAN KARDEC,
Obras Póstumas, Projeto 1868.
"Para que a
doutrina da vida futura doravante dê os frutos que se devem esperar, é
preciso, antes de tudo, que satisfaça completamente à razão; que
corresponda à idéia que se faz da sabedoria, da justiça e da bondade de
Deus; que não possa ser desmentida de modo algum pela Ciência. É preciso
que a vida futura não deixe no espírito nem dúvida, nem incerteza; que
seja tão positiva quanto a vida presente, que é a sua continuação, do
mesmo modo que o amanhã é a continuação do dia anterior. É necessário
seja vista, compreendida e, por assim dizer, tocada com o dedo. Faz-se
mister, enfim, que seja evidente a solidariedade entre o passado, o
presente e o futuro, através das diversas existências.
Tal a idéia que da vida futura apresenta o Espiritismo, O que a essa
idéia dá força é que ela absolutamente não é uma concepção humana com o
mérito apenas de ser mais racional, sem contudo oferecer mais certeza do
que as outras. Ë o resultado de estudos feitos sobre os testemunhos
oferecidos por Espíritos de dife¬rentes categorias, nas suas
manifestações, que permitiram se explorasse a vida extracorpórea em
todas as suas fases, desde o extremo superior ao extremo inferior da
escala dos seres. As peripécias da vida futura, por conseguinte, já não
constituem uma simples teoria, ou uma hipótese mais ou menos provável:
decorrem de observações. São os habitantes do mundo invisível que vêm,
eles próprios, descrever os seus respectivos estados e há situações que
a mais fecunda imaginação não conceberia, se não fossem patenteadas aos
olhos do observador.
Ministrando a prova material da existência e da imortalidade da alma,
iniciando-nos em os mistérios do nascimento, da morte, da vida futura,
da vida universal, tornando-nos palpáveis as inevitáveis conseqüências
do bem e do mal, a Doutrina Espírita, melhor do que qualquer outra, põe
em relevo a necessidade da melhoria individual. Por meio dela, sabe o
homem donde vem, para onde vai, por que está na Terra; o bem tem um
objetivo, uma utilidade prática. Ela não se limita a preparar o homem
para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade.
Melhorando-se moralmente, os homens prepararão na Terra o reinado da paz
e da fraternidade.
A Doutrina Espírita é assim o
mais poderoso elemento de moralização, por se dirigir simultaneamente ao
coração, à inteligência e ao interesse pessoal bem compreendido."
ALLAN KARDEC,
Obras Póstumas, CREDO ESPÍRITA - Preâmbulo.
FUTURO DO
ESPIRITISMO - "O Espiritismo é chamado a desempenhar imenso papel na
Terra. Ele reformará a legislação ainda tão freqüentemente contrária às
leis divinas; retificará os erros da História; restaurará a religião do
Cristo, que se tornou, nas mãos dos padres, objeto de comércio e de
tráfico vil; instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que
parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de
uma sotaina, ou nos degraus de um altar. Extinguirá para sempre o
ateísmo e o materialismo, aos quais alguns homens foram levados pelos
incessantes abusos dos que se dizem ministros de Deus, pregam a caridade
com uma espada em cada mão, sacrificam às suas ambições e ao espírito de
dominação os mais sagrados direitos da Humanidade." OBRAS PÓSTUMAS, 15
de abril de 1860, Marselha; médium: Sr. Jorge Genouiflat; Comunicação
transmitida pelo Sr. Brion Dorgeval.
«O
Espiritismo, avançando com o progresso, jamais será ultrapassado,
porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro acerca de
um ponto, ele se modificará nesse ponto; se uma verdade nova se revelar,
ele a aceitará.»
ALLAN KARDEC
(A Gênese, cap. 1 — Caráter da Revelação Espírita.)
"O
Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste
século de declives da sua História; só ele pode, na sua feição de
Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os
choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao
homem os seus verdadeiros caminhos.
No seu manancial de esclarecimentos, poder-se-á beber a linfa cristalina
das verdades consoladoras do Céu, preparando-se as almas para a nova
era.
São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a
abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes
terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação
temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que
pesam sobre o seu império perecível.
Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e
inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão com a
vertigem de um pesadelo.
A vitória da força é uma claridade de fogos de artifício.
Toda a realidade é a do Espírito e toda a paz é a do entendimento do
reino de Deus e de sua justiça.
O século que passa efetuará a divisão das ovelhas do imenso rebanho. O
cajado do pastor conduzirá o sofrimento na tarefa penosa da escolha e a
dor se incumbirá do trabalho que os homens não aceitaram por amor.
Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra. Os filhos da Jerusalém
de todos os séculos devem chorar, contemplando essas chuvas de lágrimas
e de sangue que rebentarão das nuvens pesadas de suas consciências
enegrecidas.
Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e
políticos, a superioridade européia desaparecerá para sempre, como o
Império Romano, entregando à América o fruto das suas experiências, com
vistas à civilização do porvir.
Vive-se agora, na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite;
e ao século 20 compete a missão do desfecho desses acontecimentos
espantosos.
Todavia, os operários humildes do Cristo ouçamos a sua voz no âmago de
nossa alma:
"Bem-aventurados os pobres, porque o reino de Deus lhes pertence!
Bem-aventurados os que têm fome de justiça, porque serão saciados!
Bem-aventurados os aflitos, porque chegará o dia da consolação!
Bem-aventurados os pacíficos, porque irão a Deus!"
Sim, porque depois da treva
surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe
regenerado no batismo do sofrimento. O homem espiritual estará unido ao
homem físico para a sua marcha gloriosa no Ilimitado, e o Espiritismo
terá retirado dos seus escombros materiais a alma divina das religiões,
que os homens perverteram, ligando-as no abraço acolhedor do
Cristianismo restaurado.
Trabalhemos por Jesus, ainda que a nossa oficina esteja localizada no
deserto das consciências.
Todos somos dos chamados ao grande labor e o nosso mais sublime dever é
responder aos apelos do Escolhido.
Revendo os quadros da História do mundo, sentimos um frio cortante neste
crepúsculo doloroso da civilização ocidental. Lembremos a misericórdia
do Pai e façamos as nossas preces. A noite não tarda e, no bojo de suas
sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia
infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura,
feita de paz, de fraternidade e de redenção.
EMMANUEL,
"A Caminho da Luz", final)
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