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1.
INVASÃO MICROBIANA
— A invasão microbiana está vinculada a causas espirituais?
— Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a
ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos,
nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais
do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo
perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos
fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão,
determinados campos de rutura na harmonia celular.
Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna
passível de invasão microbiana, qual praça desguarnecida, porque as
sentinelas naturais não dispõem de bases necessárias à ação regeneradora
que lhes compete, permanecendo muitas vezes, em devedor do ponto lesado,
buscando delimitar-lhe a presença ou jugular-lhe a expansão.
Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele
tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que,
nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos
celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando
tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a
mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente,
cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das
projeções de raios 10º ou de irradiações ultravioleta, em aplicações
impróprias. Emerge, então, a moléstia por estado secundário em largos
processos de desgaste ou devastação, pela desarmonia a que compele a usina
orgânica, a esgotar-se, debalde, na tarefa ingente da própria reabilitação
no plano carnal, quando o enfermo, sem atitude de renovação moral, sem
humildade e paciência, espírito de serviço e devotamento ao bem, não
consegue assimilar as correntes benéficas do Amor Divino que circulam,
incessantes, em torno de todas as criaturas, por intermédio de agentes
distintos e inumeráveis, a todas estimulando, para o máximo aproveitamento
da existência na Terra.
Quando o doente, porém, adota comportamento favorável a si mesmo, pela
simpatia que instila no próximo, as forças físicas encontram sólido apoio
nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe
recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo circunscrever a
disfunção aos neoplasmas benignos, que ainda respondem à influência
organizadora dos tecidos adjacentes.
Sob o mesmo princípio de relatividade, a funcionar, inequívoco, entre
doença e doente, temos a incursão da tuberculose e da lepra, da brucelose
e da amebíase, da endocardite bacteriana e da cardiopatia chagásica, e de
muitas outras enfermidades, sem nos determos na discriminação de todos os
processos morbosos, cuja relação nos levaria a longo estudo técnico.
É que, geralmente, quase todos eles surgem como fenômenos secundários
sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio
corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem ruturas ou
soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual
e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que
sejamos mais particularmente inclinados pela natureza de nossas contas
cármicas.
Consolidado o ataque, pela brecha de nossa vulnerabilidade, aparecem as
moléstias sintomáticas ou assintomáticas, estabilizando-se ou
irradiando-se, conforme as disposições da própria mente, que trabalha ou
não para refazer a defensiva orgânica em supremo esforço de reajuste, ou
que, por automatismo, admite ou recusa, segundo a posição em que se
encontra no princípio de causa e efeito, a intromissão desse ou daquele
fator patogênico, destinado a expurgir dela, em forma de sofrimento, os
resíduos do mal, correspondentes ao sofrimento por ela implantado na vida
ou no corpo dos semelhantes.
Não será lícito, porém, esquecer que o bem constante gera o bem constante
e que, mantida a nossa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós
amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das
vibrações de auxílio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais
dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa
de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de
treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental.
Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo por que os princípios
de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça,
crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à
fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando
observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos
o poder da mente na autodefensiva contra todos os elementos destruidores e
degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades
imprescindíveis à evolução para Deus. ANDRÉ LUIZ,
Invasão microbiana, 40, Evolução em Dois Mundos)
TOPO
2. PARASITOSE MENTAL
Na reunião da noite de 28 de outubro de 1954, fomos novamente felicitados
com a palavra do nosso Instrutor Espiritual Doutor Francisco de Menezes
Dias da Cruz, que nos enriqueceu os estudos, palestrando em torno do tema
que ele próprio definiu por “parasitose mental”.
Observações claras e precisas, estabelecendo um paralelo entre o
parasitismo no campo físico e o vampirismo no campo espiritual, o Doutor
Dias da Cruz, na condição de médico que é, no-las fornece,
aconselhando-nos os elementos curativos do Divino Médico, através do
Evangelho, a fim de que estejamos em guarda contra a exploração da sombra.
Avançando em nossos ligeiros apontamentos acerca da obsessão, cremos seja
de nosso interesse apreciar o vampirismo, ainda mesmo superficialmente,
para figurá-lo como sendo inquietante fenômeno de parasitose mental.
Sabemos que a parasitogenia abarca em si todas as ocorrências
fisiopatológicas, dentro das quais os organismos vivos, quando
negligenciados ou desnutridos, se habilitam à hospedagem e à reprodução
dos helmintos e dos ácaros que escravizam homens e animais.
Não ignoramos também que o parasitismo pode ser externo ou interno.
Nas manifestações do primeiro, temos o assalto de elementos carnívoros,
como por exemplo as variadas espécies do aracnídeo acarino sobre o campo
epidérmico e, nas expressões do segundo, encontramos a infestação de
elementos saprófagos, como, por exemplo, as diversas classes de
platielmíntios, em que se destacam os cestóides no equipamento intestinal.
E, para evitar as múltiplas formas de degradação orgânica, que o
parasitismo impõe às suas vítimas, mobiliza o homem largamente os
vermífugos, as pastas sul-furadas, as loções mercuriais, o pó de
estafiságria e recursos outros, suscetíveis de atenuar-lhe os efeitos e
extinguir-lhe as causas.
No vampirismo, devemos considerar igualmente os fatores externos e
internos, compreendendo, porém, que, na esfera da alma, os primeiros
dependem dos segundos, porquanto não há influenciação exterior deprimente
para a criatura, quando a própria criatura não se deprime.
É que pelo ímã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca
sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de
conduzi-lo à escabiose e à ulceração, à dipsomania e à loucura, à cirrose e
aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos
vícios que corroem a vida moral, e, através do próprio pensamento
desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de
alienação mental, como sejam as psicoses de angústia e ódio, vaidade e
orgulho, usura e delinqüência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veículo
orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada
ou a morte.
Imprescindível, assim, viver em guarda contra as idéias fixas, opressivas
ou aviltantes, que estabelecem, ao redor de nós, maiores ou menores
perturbações, sentenciando-nos à vala comum da frustração.
Toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou
inerte, que se rende, desajustada, às sugestões inferiores que a exploram
sem defensiva.
Usemos, desse modo, na garantia de nossa higiene mento-psíquica, os
antissépticos do Evangelho.
Bondade para com todos, trabalho incansável no bem, otimismo operante,
dever irrepreensivelmente cumprido, sinceridade, boa-vontade, esquecimento
integral das ofensas recebidas e fraternidade simples e pura, constituem
sustentáculo de nossa saúde espiritual.
— «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» recomendou o Divino Mestre.
— «Caminhai como filhos da luz» — ensinou o apóstolo da gentilidade.
Procurando, pois, o Senhor e aqueles que o seguem valorosamente, pela reta
conduta de cristãos leais ao Cristo, vacinemos nossas almas contra as
flagelações externas ou internas da parasitose mental. (Instruções
Psicofônicas, FCXavier - 28 de outubro de 1954 - pelo Doutor Francisco de
Menezes Dias da Cruz, médico e trabalhador espírita, desencarnado
em 1937, Presidente da Federação Espírita Brasileira no período de 1889 a
1895)
TOPO
3.
INFECÇÕES FLUÍDICAS
Muitos (desencarnados) acometem os adversários que ainda se entrosam no
corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas mentais
monstruosas, operando perturbações que podemos classificar como “infecções
fluídicas” e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura.
E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou
daquele teor, descansam em pesado monodeísmo, ao pé dos encarnados, de
cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.
Alguns, como os ectoparasitas temporários, procedem à semelhança dos
mosquitos e dos ácaros, absorvendo as emanações vitais dos encarnados que
com eles se harmonizam, aqui e ali; mas outros muitos, quais endoparasitas
conscientes, após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vítimas,
segregam sobre elas determinados produtos, filiados ao quimismo do
Espírito, e que podemos nomear como simpatinas e aglutininas mentais,
produtos esses que, sub-repticiamente, lhes modificam a essência dos
próprios pensamentos a verterem, contínuos, dos fulcros energéticos do
tálamo, no diencéfalo.
Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e encarnados,
comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco automatismo, à
maneira dos animais em absoluto primitivismo nas linhas da Natureza, os
verdugos comumente senhoreiam os neurônios do hipotálamo, acentuando a
própria dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal,
controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para
o governo das excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados
em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante
influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais manobras,
em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime de medo ou de
guerra nervosa nas criaturas de que se vingam, alterando-lhes a tela
psíquica ou impondo prejuízos constantes aos tecidos somáticos.
“PARASITAS OVÓIDES” —
Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem justiça pelas próprias
mãos ou confiados a vicioso apego, quando desafivelados do carro físico,
envolvem sutilmente aqueles que se lhes fazem objeto da calculada atenção
e, auto-hipnotizados por imagens de afetividade ou desforço, infinitamente
repetidas por eles próprios, acabam em deplorável fixação monoideística,
fora das noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes
transformações na morfologia do veículo espiritual, porqüanto, de órgãos
psicossomáticos retraídos, por falta de função, assemelham-se a ovóides,
vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam,
mecanicamente, a influenciação, à face dos pensamentos de remorso ou
arrependimento tardio, ódio voraz ou egoísmo exigente que alimentam no
próprio cérebro, através de ondas mentais incessantes.
Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser comparado, de
certo modo, à sacculina carcini, que, provida de órgãos perfeitamente
diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se, depois, nos tecidos do
crustáceo hospedador, perdendo as características morfológicas primitivas,
para converter-se em massa celular parasitária.
No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima pessoal da
vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas,
situação essa que, em muitos casos, se prolonga para além da morte física
do hospedeiro, conforme a natureza e a extensão dos compromissos morais
entre credor e devedor.
PARASITISMO E REENCARNAÇÃO
— Nas ocorrências dessa ordem, quando a decomposição da vestimenta carnal
não basta para consumar o resgate preciso, vítima e verdugo se equiparam
na mesma gama de sentimentos e pensamentos, caindo, além-túmulo, em
dolorosos painéis infernais, até que a Misericórdia Divina, por seus
agentes vigilantes, após estudo minucioso dos crimes cometidos, pesando
atenuantes e agravantes, promove a reencarnação daquele Espírito que, em
primeiro lugar, mereça tal recurso.
E, executado o projeto de retorno do beneficiário, a regressar do Plano
Espiritual para o Plano Terrestre, sofre a mulher, indicada por seus
débitos à gravidez respectiva, o assédio de forças obscuras que, em muitas
ocasiões, se lhe implantam no vaso genésico por simbiontes que influenciam
o feto em gestação, estabelecendo-se, desde essa hora inicial da nova
existência, ligações fluídicas através dos tecidos do corpo em formação,
pelas quais a entidade reencarnante, a partir da infância, continua
enlaçada ao companheiro ou aos companheiros menos felizes, que integram
com ela toda uma equipe de almas culpadas em reajuste.
Desenvolve-se-lhe, então, a meninice, cresce, reinstrui-se e retorna à
juvenilidade das energias físicas, padecendo, porém, a influência
constante dos assediantes, até que, freqüentemente por intermédio de
uniões conjugais, em que a provação emoldura o amor, ou em circunstâncias
difíceis do destino, lhes ofereça novo corpo na Terra, para que, como
filhos de seu sangue e de seu coração, lhes devolva em moeda de renúncia
os bens que lhes deve, desde o passado próximo ou remoto.
Em tais fatos, vamos anotar situações quase idênticas às que são
provocadas pelos parasitas heteroxênicos, porqüanto, se os adversários do
Espírito reencarnado são em maior número, atuam, muitos deles, à feição
dos tripanossomas, tomando os filhos de suas vítimas e afins deles
próprios, por hospedeiros intermediários das formas-pensamentos
deploráveis que arremessam de si, alcançando em seguida, a mente dos pais
ou hospedeiros definitivos, a inocular-lhes perigosos fluídos sutis, com
que lhes infernizam as almas, muitas vezes até à ocasião da própria morte.
TERAPÊUTICA DO PARASITISMO
DA ALMA — Importa, no entanto, observar que todos os sofrimentos e
corrigendas a que nos referimos estão conjugados para as consciências
encarnadas ou não, dentro da lei de ação e reação que a cada um confere
hoje o equilíbrio ou o desequilíbrio, por suas obras de ontem,
reconhecendo-se também que assim como existem medidas terapêuticas contra
o parasitismo no mundo orgânico, qualquer criatura encontra, na aplicação
viva do bem, eficiente remédio contra o parasitismo da alma.
Não bastará, porém, a palavra que ajude e a oração que ilumina.
O hospedeiro de influências inquietantes que, por suas aflições na
existência carnal, pode avaliar da qualidade e extensão das próprias
dívidas, precisará do próprio exemplo, no serviço do amor puro aos
semelhantes, com educação e sublimação de si mesmo, porque só o exemplo é
suficientemente forte para renovar e reajustar.
A ação do bem genuíno, com a quebra voluntária de nossos sentimentos
inferiores, produz vigorosos fatores de transformação sobre aqueles que
nos observam, notadamente naqueles que se nos agregam à existência,
influenciando-nos a atmosfera espiritual, de vez que as nossas
demonstrações de fraternidade inspiram nos outros pensamentos edificantes
e amigos que, em circuitos sucessivos ou contínuas ondulações de energia
renovados, modificam nos desafetos mais acirrados qualquer disposição
hostil a nosso respeito.
Ninguém necessita, portanto, aguardar reencarnações futuras, entretecidas
de dor e lágrimas, em ligações expiatórias, para diligenciar a paz com os
inimigos trazidos do pretérito, porque, pelo devotamento ao próximo e pela
humildade realmente praticada e sentida, é possível valorizar nossa frase
e santificar nossa prece, atraindo simpatias valiosas, com intervenções
providenciais, em nosso favor.
É que, em nos reparando transfigurados para o melhor, os nossos
adversários igualmente se desarmam para o mal, compreendendo, por fim, que
só o bem será, perante Deus, o nosso caminho de liberdade e vida. (André
Luiz, Evolução em Dois Mundos, FCXavier, Waldo Vieira, Uberaba, 19/3/58 -
do cap. "Vampirismo Espiritual")
TOPO
4.
ALERGIA E OBSESSÃO
Quem se consagra aos trabalhos de socorro espiritual há de convir, por
certo, em que a obsessão é um processo alérgico, interessando o equilíbrio
da mente.
Sabemos que a palavra «alergia» foi criada, neste século, pelo médico
vienense Von Pirquet, significando a reação modificada nas ocorrências da
hipersensibilidade humana.
Semelhante alteração pode ser provocada no campo orgânico pelos agentes
mais diversos, quais sejam os alimentos, a poeira doméstica, os polens das
plantas, os parasitos da pele, do intestino e do ar, tanto quanto as
bactérias que se multiplicam em núcleos infecciosos.
As drogas largamente usadas, quando em associação com fatores protéicos,
podem suscitar igualmente a constituição de alérgenos alarmantes.
Como vemos, os elementos dessa ordem são exógenos ou endógenos, isto é,
procedem do meio externo ou interno, em nos reportando ao mundo complexo
do organismo.
A medicina moderna, analisando a engrenagem do fenômeno, admite que a ação
do anticorpo sobre o antígeno, na intimidade da célula, liberta uma
substância semelhante à histamina, vulgarmente chamada substância «H», que
agindo sobre os vasos capilares, sobre as fibras e sobre o sangue, atua
desastrosamente, ocasionando variados desequilíbrios, a se expressarem, de
modo particular, na dermatite atípica, na dermatite de contacto, na coriza
espasmódica, na asma, no edema, na urticária, na enxaqueca e na alergia
sérica, digestiva, nervosa ou cardiovascular.
Evitando, porém, qualquer preciosismo da técnica científica e relegando à
medicina habitual o dever de assegurar os processos imunológicos da
integridade física, recordemos que as radiações mentais, que podemos
classificar por agentes «R», na maioria das vezes se apresentam, na base
de formação da substância «H», desempenhando importante papel em quase
todas as perturbações neuropsíquicas e usando o cérebro como órgão de
choque.
Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos,
arrojam de nós raios específicos.
Assim sendo, é indispensável curar de nossas próprias atitudes, na
autodefesa e no amparo aos semelhantes, porquanto a cólera e a irritação,
a leviandade e a maledicência, a crueldade e a calúnia, a irreflexão e a
brutalidade, a tristeza e o desânimo, produzem elevada percentagem de
agentes «R», de natureza destrutiva, em nós e em torno de nós, exógenos e
endógenos, suscetíveis de fixar-nos, por tempo indeterminado, em
deploráveis labirintos da desarmonia mental.
Em muitas ocasiões, nossa conduta pode ser a nossa enfermidade, tanto
quanto o nosso comportamento pode representar a nossa restauração e a
nossa cura.
Para sanar a obsessão nos outros ou em nós mesmos, é preciso cogitar dos
agentes «R» que estamos emitindo.
O pensamento é força que determina, estabelece, transforma, edifica,
destrói e reconstrói.
Nele, ao influxo divino, reside a gênese de toda a Criação.
Respeitemos, assim, a dieta do Evangelho, procurando erguer um santuário
de princípios morais respeitáveis para as nossas manifestações de cada
dia.
E, garantindo-nos contra a alergia e a obsessão de qualquer procedência,
atendamos ao sábio conselho de Paulo, o grande convertido, quando adverte
aos cristãos da Igreja de Filipos:
— «Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é nobre, tudo
o que é puro, tudo o que é santo, seja, em cada hora da vida, a luz dos
vossos pensamentos. » (Instruções Psicofônicas, FCXavier - 15 de julho de
1954 - pelo Doutor Francisco de Menezes Dias da Cruz, médico e
trabalhador espírita, desencarnado em 1937, Presidente da Federação
Espírita Brasileira no período de 1889 a 1895)
TOPO
5.
ALIENAÇÃO MENTAL
Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência se nos
estampam na alma, segundo a modalidade de nossos desregramentos.
É assim que atravessam as cinzas da morte, em perigoso desequilíbrio da
mente, quantos se consagraram no mundo à crueldade e à injustiça, furtando
a segurança e a felicidade dos outros.
Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com peçonhento
apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que perverteram a
autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão, agravando a penúria
do próximo, profissionais do direito que buscaram torturar a verdade em
proveito do crime, expoentes da usura que trancafiaram a riqueza coletiva
necessária ao progresso, artistas que venderam a sensibilidade e a
cultura, degradando os sentimentos da multidão, e homens e mulheres que
trocaram o templo do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio
ou na delinqüência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando,
depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e remorso,
arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que se lhes agregam
os pensamentos.
E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de
sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso físico
— cela preciosa de tratamento —, na condição de crianças-problemas em
dolorosas perturbações.
Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no eclipse da
razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto são, quase sempre,
laços enfermos de nosso próprio passado, inteligências que decerto
auxiliamos irrefletidamente a perder e que, hoje, retornam à concha de
nossos braços, esmolando entendimento e carinho, para que se refaçam, na
clausura da inibição e da idiotia, para a bênção da liberdade e para a
glória da luz.
EMMANUEL - Religião dos Espíritos, 5,
FCXavier, FEB
Reunião pública de 23/1/59
Questão nº 373
TOPO
6. SAÚDE
A saúde é assim como a posição de uma residência que denuncia as condições
do morador, ou de um instrumento que reproduz em si o zelo ou a desídia
das mãos que o manejam.
A falta cometida opera em nossa mente um estado de perturbação, ao qual
não se reúnem simplesmente as forças desvairadas de nosso arrependimento,
mas também as ondas de pesar e acusação da vítima e de quantos se lhe
associam ao sentimento, instaurando desarmonias de vastas proporções nos
centros da alma, a percutirem sobre a nossa própria instrumentação.
Semelhante descontrole apresenta graus diferentes, provocando lesões
funcionais diversas.
A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas
de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia
pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira
fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à
resistência.
É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e a ulceração
aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primária no
desequilíbrio dos reflexos da vida interior.
Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de
mitose, estabelecendo fatores de desagregação.
Por outro lado, importa reconhecer que o relaxamento da nutrição
constrange o corpo a pesados tributos de sofrimento.
Enquanto encarnados, é natural que as vidas infinitesimais que nos
Constituem o veículo de existência retratem as substâncias que ingerimos.
Nesse trabalho de permuta constante adquirimos imensa quantidade de
bactérias patogênicas que, em se instalando comodamente no mundo celular,
podem determinar moléstias infecciosas de variegados caracteres,
compelindo-nos a recolher, assim, de volta, os resultados de nossa
imprevidência.
Mas não é somente aí, no domínio das causas visíveis, que se originam os
processos patológicos multiformes.
Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados
enfermiços.
Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre
nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço
das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no
tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas;
acentue-se, ainda, que esses reflexos menos felizes, em se derramando
sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia
oculta à loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros
encarnados ou desencarnados, que se nos conjugam ao modo de proceder e de
ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas,
conduzindo-nos a deploráveis fenômenos de alienação mental, na obsessão
comum, ainda mesmo quando no jogo das aparências possamos aparecer como
pessoas espiritualmente sadias.
Não nos esqueçamos, assim, de que apenas o sentimento reto pode esboçar o
reto pensamento, sem os quais a alma adoece pela carência de equilíbrio
interior, imprimindo no aparelho somático os desvarios e as perturbações
que lhe são conseqüentes. (EMMANUEL - Pensamento e Vida, FCXavier)
TOPO
7. CARMA
- O «carma», expressão vulgarizada entre os hindus, que em sânscrito quer
dizer «ação», a rigor, designa «causa e efeito», de vez que toda ação ou
movimento deriva de causa ou impulsos anteriores. Para nós expressará a
conta de cada um, englobando os créditos e os débitos que, em particular,
nos digam respeito. Por isso mesmo, há conta dessa natureza, não apenas
catalogando e definindo individualidades, mas também povos e raças,
estados e instituições.
Para melhor entender o “carma” ou «conta do destino criada por nós
mesmos», convém lembrar que o Governo da Vida possui igualmente o seu
sistema de contabilidade, a se lhe expressar no mecanismo de justiça
inalienável. Se no circulo das atividades terrenas qualquer organização
precisa estabelecer um regime de contas para basear as tarefas que lhe
falem à responsabilidade, a Casa de Deus, que é todo o Universo, não
viveria igualmente sem ordem. A administração Divina, por isso mesmo,
dispõe de sábios departamentos para relacionar, conservar, comandar e
engrandecer a Vida Cósmica, tudo pautando sob a magnanimidade do mais
amplo amor e da mais criteriosa justiça. Nas sublimadas regiões
celestes de cada orbe entregue à inteligência e à razão, ao trabalho e ao
progresso dos filhos de Deus, fulguram os gênios angélicos, encarregados
do rendimento e da beleza, do aprimoramento e da ascensão da Obra Excelsa,
com ministérios apropriados à concessão de empréstimos e moratórias
créditos especiais e recursos extraordinários a todos os Espíritos
encarnados ou desencarnados, que os mereçam, em função dos serviços
referentes ao Bem Eterno e, nas regiões atormentadas como esta, varridas
por ciclones de dor regenerativa, temos os poderes competentes para
promover a cobrança e a fiscalização, o reajustamento e a recuperação de
quantos se fazem devedores complicados ante a Divina Justiça, poderes que
têm a função de purificar os caminhos evolutivos e circunscrever as
manifestações do mal.
As religiões na Terra, por esse motivo, procederam acertadamente,
localizando o Céu nas esferas superiores e situando o Inferno nas zonas
inferiores, porquanto, nas primeiras, encontramos a crescente glorificação
do Universo e, nas segundas, a purgação e a regeneração indispensáveis à
vida, para que a vida se acrisole e se eleve ao fulgor dos cimos.
(Ministro Sânzio, Ação e Reação, cap. 7, André Luiz)
TOPO
8. ENFERMIDADE
Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos
processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os
processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação
sobre todas as doenças.
Há moléstias que têm, sem dúvida, função preponderante nos serviços de
purificação do espírito, surgindo com a criatura no berço ou seguindo-a,
por anos a fio, na direção do túmulo.
As inibições congeniais, as mutilações imprevistas e as enfermidades
dificilmente curáveis catalogam-se, indiscutivelmente, na tabela das
provações necessárias, como certos medicamentos imprescindíveis figuram na
ficha de socorro ao doente; contudo, os sintomas patológicos na
experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes
da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos
implementos que o compõem.
Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a
engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem
destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento.
Sabe hoje a medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de
importância no corpo físico.
Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares
paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, nega-se à
produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se
expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que,
muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os
desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos
da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados
sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura
de abordagem complexa.
O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo
enfermo.
Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de
substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os
desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais
sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por
flagelo constante do campo íntimo.
Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear
espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é
intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea,
estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando,
conseqüentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a
Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao
desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.
Guardemos, assim, compreensão e paciência, bondade infatigável e
tolerância construtiva em todos os passos da senda, porque somente ao
preço de nossa incessante renovação mental para o bem, com o apoio do
estudo nobre e do serviço constante, é que superaremos o domínio da
enfermidade, aproveitando os dons do Senhor e evitando os reflexos letais
que se fazem acompanhar do suicídio indireto. (EMMANUEL - Pensamento e
Vida, FCXavier)
TOPO
09.
EXPLICANDO A ENFERMIDADE
Imaginai pequena bandeja de papel sobre um ímã.
As partículas de ferro organizar-se-ão, segundo as linhas de força do
campo magnético por ele estabelecido.
Mentalizemos as radiações gravitantes que arremessamos de nós, em torno do
próprio veículo que nos exterioriza. Os órgãos vivos que o constituem
reproduzir-lhes-ão o impulso e a natureza, inclinando-nos ao equilíbrio ou
ao desequilíbrio, à saúde ou à enfermidade.
Nossa mente pode ser comparada a vigorosa usina electromagnética de
emissão e recepção e o nosso corpo espiritual, seja no círculo da carne ou
em nosso presente estágio evolutivo fora dela, é um condensador em que os
centros de força desempenham a função de baterias e em que os nervos
servem por fios condutores, transmitindo-nos as emanações mentais e
absorvendo-as, em primeira mão, de conformidade com a lei de
correspondência ou de fluxo e refluxo.
No exame de quaisquer perturbações, é indispensável o serviço de
auto-análise para conhecer a onda vibratória em que nos situamos e a fim
de ponderar quanto aos elementos que estamos atraindo.
Isso é de fundamental importância no estudo de nossas impressões
orgânicas, porque, provocando os eflúvios mórbidos das entidades enfermas
que se nos associam ao mundo psíquico, já estamos consumindo esses mesmos
eflúvios, originariamente produzidos por nosso próprio pensamento,
colocando-nos em ligação indesejável com os habitantes da sombra.
Através de nossas radiações, favorecemos a eclosão ou o desenvolvimento de
moléstias aflitivas, como sejam a neurastenia e a debilidade, a epilepsia
e a loucura, a paralisia e a angina, a tuberculose e o câncer, sem nos
reportarmos às doenças menores, catalogadas nos quadros da sintomatologia
comum.
Referimo-nos, porém, ao assunto, não para pesquisar os raios da treva, de
cuja intimidade precisamos distância.
Tangemos a questão, destacando o impositivo de trabalho para os nossos
setores doutrinários, no campo do Espiritismo, de modo a cunharmos novos
padrões para nossas atitudes e atividades, criando um estado de
consciência individual e coletiva, em que preponderem a saúde e a
harmonia, a compreensão e a tolerância, a bondade e o otimismo, o
altruísmo e a fortaleza moral.
(Ernesto Senra - 21 de outubro de 1954, antigo lidador dos arraiais
espiritistas de Minas Gerais. Mensagem parcial do livro Instruções
Psicofônicas, 33, FCXavier, FEB)
TOPO
10.
A HORA FINAL
Que se passa no momento da morte e como se desprende o Espírito da sua
prisão material? Que Impressões, que sensações o esperam nessa ocasião
temerosa? É isso o que interessa a todos conhecer, porque todos cumprem
essa jornada. A vida foge-nos a todo instante: nenhum de nós escapará à
morte.
Ora, o que todas as religiões e filosofias nos deixaram ignorar os
Espíritos, em multidão, no-lo vêm ensinar. Dizem-nos que as sensações que
precedem e se seguem à morte são infinitamente variadas e dependentes
sobretudo do caráter, dos méritos, da elevação moral do Espírito que
abandona a Terra. A separação é quase sempre lenta, e o desprendimento da
alma opera-se gradualmente. Começa, algumas vezes, muito tempo antes da
morte, e só se completa quando ficam rotos os últimos laços fluídicos que
unem o perispírito ao corpo. A impressão sentida pela alma revela-se
penosa e prolongada quando esses laços são mais fortes e numerosos. Causa
permanente da sensação e da vida, a alma experimenta todas as comoções,
todos os despedaçamentos do corpo material.
Dolorosa, cheia de angústias para uns, a morte não é, para outros, senão
um sono agradável seguido de um despertar silencioso. O desprendimento é
fácil para aquele que previamente se desligou das coisas deste mundo, para
aquele que aspira aos bens espirituais e que cumpriu os seus deveres. Há,
ao contrário, luta, agonia prolongada no Espírito preso à Terra, que só
conheceu os gozos materiais e deixou de preparar-se para essa viagem.
Entretanto, em todos os casos, a separação da alma e do corpo é seguida de
um tempo de perturbação, fugitivo para o Espírito justo e bom, que desde
cedo despertou ante todos os esplendores da vida celeste; muito longo, a
ponto de abranger anos inteiros, para as almas culpadas, impregnadas de
fluídos grosseiros. Grande número destas últimas crê permanecer na vida
corpórea, muito tempo mesmo depois da morte. Para estas, o perispírito é
um segundo corpo carnal, submetido aos mesmos hábitos e, algumas vezes, às
mesmas sensações físicas como durante a vida terrena.
Outros Espíritos de ordem inferior se acham mergulhados em uma noite
profunda, em um completo Insulamento no seio das trevas. Sobre eles pesa a
Incerteza, o terror. Os criminosos são atormentados pela visão terrível e
incessante das suas vítimas.
A hora da separação é cruel para o Espírito que só acredita no nada.
Agarra-se como desesperado a esta vida que lhe foge; no supremo momento
Insinua-se-lhe a dúvida; vê um mundo temível abrir-se para abismá-lo, e
quer, então, retardar a queda. Daí, uma luta terrível entre a matéria, que
se esvai, e a alma, que teima em reter o corpo miserável. Algumas vezes,
ela fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, segundo a
expressão de um Espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes”.
Pacífica, resignada, alegre mesmo, é a morte do justo, a partida da alma
que, tendo muito lutado e sofrido, deixa a Terra confiante no futuro.
Para esta, a morte é a libertação, o fim das provas. Os laços
enfraquecidos que a ligam à matéria, destacam-se docemente; sua
perturbação não passa de leve entorpecimento, algo semelhante ao sono.
Deixando sua residência corpórea, o Espírito, purificado pela dor e pelo
sofrimento, vê sua existência passada recuar, afastar-se pouco a pouco com
seus amargores e ilusões; depois, dissipar-se como as brumas que a aurora
encontra estendidas sobre o solo e que a claridade do dia faz desaparecer.
O Espírito acha-se, então, como que suspenso entre duas sensações: a das
coisas materiais que se apagam e a da vida nova que se lhe desenha à
frente. Entrevê essa vida como através de um véu, cheia de encanto
misterioso, temida e desejada ao mesmo tempo. Após, expande-se a luz, não
mais a luz solar que nos é conhecida, porém uma luz espiritual, radiante,
por toda parte disseminada. Pouco a pouco o inunda, penetra-o, e, com ela,
um tanto de vigor, de remoçamento e de serenidade. O Espírito mergulha
nesse banho reparador. Aí se despoja de suas incertezas e de seus temores.
Depois, seu olhar destaca-se da Terra, dos seres lacrimosos que cercam seu
leito mortuário, e dirige-se para as alturas. Divisa os céus Imensos e
outros seres amados, amigos de outrora, mais jovens, mais vivos, mais
belos que vêm recebê-lo, guiá-lo no seio dos espaços. Com eles caminha e
sobe às regiões etéreas que seu grau de depuração permite atingir. Cessa,
então, sua perturbação, despertam faculdades novas, começa o seu destino
feliz.
A entrada em uma vida nova traz impressões tão variadas quanto o permite a
posição moral dos Espíritos. Aqueles — e o número é grande — cujas
existências se desenrolam indecisas, sem faltas graves nem méritos
assinalados, acham-se, a princípio, mergulhados em um estado de torpor, em
um acabrunhamento profundo; depois, um choque vem sacudir-lhes o ser. O
Espírito sai, lentamente, de seu invólucro: como uma espada da bainha;
recobra a liberdade, porém, hesitante, tímido, não se atreve a utilizá-la
ainda, ficando cerceado pelo temor e pelo hábito aos laços em que viveu.
Continua a sofrer e a chorar com os entes que o estimaram em vida. Assim
corre o tempo, sem ele o medir; depois de muito, outros Espíritos
auxiliam-no com seus conselhos, ajudando a dissipar sua perturbação, a
libertá-lo das últimas cadeias terrestres e a elevá-lo para ambientes
menos obscuros.
Em geral, o desprendimento da alma é menos penoso depois de uma longa
moléstia, pois o efeito desta é desligar pouco a pouco os laços carnais.
As mortes súbitas, violentas, sobrevindo quando a vida orgânica está em
sua plenitude, produzem sobre a alma um despedaçamento doloroso e
lançam-na em prolongada perturbação. Os suicidas são vítimas de sensações
horríveis. Experimentam, durante anos, as angústias do último momento e
reconhecem, com espanto, que não trocaram seus sofrimentos terrestres
senão por outros ainda mais vivazes.
O conhecimento do futuro espiritual, o estudo das leis que presidem à
desencarnação são de grande importância como preparativos à morte. Podem
suavizar os nossos últimos momentos e proporcionar-nos fácil
desprendimento, permitindo mais depressa nos reconhecermos no mundo novo
que se nos desvenda.
O JULGAMENTO - Uma lei tão simples em seus princípios quanto admirável em
seus efeitos preside à classificação das almas no espaço.
Quanto mais sutis e rarefeitas são as moléculas constitutivas do
perispírito tanto mais rápida é a desencarnação, tanto mais vastos são os
horizontes que se rasgam ao Espírito. Devido ao seu peso fluídico e às
suas afinidades, ele se eleva para os grupos espirituais que lhe são
similares. Sua natureza e seu grau de depuração determinam-lhe nível e
classe no meio que lhe é próprio. Com alguma exatidão tem-se comparado a
situação dos Espíritos no espaço à dos balões cheios de gases de
densidades diferentes que, em virtude de seus pesos específicos, se elevam
a alturas diversas. Mas, cumpre que nos apressemos em acrescentar que o
Espírito é dotado de liberdade e, portanto, não estando imobilizado em
nenhum ponto, pode, dentro de certos limites, deslocar-se e percorrer os
páramos etéreos.
Pode, em qualquer tempo, modificar suas tendências, transformar-se pelo
trabalho ou pela prova, e, conseguintemente, elevar-se à vontade na escala
dos seres.
É, pois, uma lei natural, análoga às leis da atração e da gravidade, a que
fixa a sorte das almas depois da morte. O Espírito impuro, acabrunhado
pela densidade de seus fluídos materiais, confina-se nas camadas
inferiores da atmosfera, enquanto a alma virtuosa, de envoltório depurado
e sutil, arremessa-se, alegre, rápida como o pensamento, pelo azul
infinito.
É também em si mesmo — e não fora de si, é em sua própria consciência que
o Espírito encontra sua recompensa ou seu castigo. Ele é seu próprio juiz.
Caído o vestuário de carne, a luz penetra-o e sua alma aparece nua,
deixando ver o quadro vivo de seus atos, de suas vontades, de seus
desejos. Momento solene, exame cheio de angústia e, muitas vezes, de
desilusão. As recordações despertam em tropel e a vida inteira
desenrola-se com seu cortejo de faltas, de fraquezas, de misérias. Da
infância à morte, tudo, pensamentos, palavras, ações, tudo sai da sombra,
reaparece à luz, anima-se e revive. O ser contempla-se a si mesmo, revê,
uma a uma, através dos tempos, suas existências passadas, suas quedas,
suas ascensões, suas fases inumeráveis. Conta os estágios franqueados,
mede o caminho percorrido, compara o bem e o mal realizados. Do fundo do
passado obscuro, surgem, a seu apelo, como outros tantos fantasmas, as
formas que revestiu através das vidas sucessivas. Em uma visão clara, sua
recordação abraça as longas perspectivas das Idades decorridas; evoca as
cenas sanguinolentas, apaixonadas, dolorosas, as dedicações e os crimes;
reconhece a causa dos processos executados, das expiações sofridas, o
motivo da sua posição atual. Vê a correlação que existe, unindo suas vidas
passadas aos anéis de uma longa cadeia desenrolando-se pelos séculos. Para
si, o passado explica o presente e este deixa prever o futuro. Eis para o
Espírito a hora da verdadeira tortura moral. Essa evocação do passado
traz-lhe a sentença temível, a increpação da sua própria consciência,
espécie de julgamento de Deus. Por mais lacerante que seja, esse exame é
necessário porque pode ser o ponto de partida de resoluções salutares e da
reabilitação.
O grau de depuração do Espírito, a posição que ocupa no espaço representam
a soma de seus progressos realizados e dão a medida do seu valor moral. É
nisto que consiste a sentença infalível que lhe decide a sorte, sem apelo.
Harmonia profunda! Simplicidade maravilhosa que as instituições humanas
não poderiam reproduzir; o princípio de afinidade regula todas as coisas e
fixa a cada qual o seu lugar. Nada de julgamento, nada de tribunal, apenas
existe a lei imutável executando-se por si própria, pelo jogo natural das
forças espirituais e segundo o emprego que delas faz a alma livre e
responsável.
Todo pensamento tem uma forma, e essa forma, criada pela vontade,
fotografa-se em nós como em um espelho onde as imagens se gravam por si
mesmas. Nosso envoltório fluídico reflete e guarda, como em um registro,
todos os fatos da nossa existência. Esse registro está fechado durante a
vida, porque a carne é a espessa capa que nos oculta o seu conteúdo. Mas,
por ocasião da morte, ele abre-se repentinamente e as suas páginas
distendem-se aos nossos olhos.
O Espírito desencarnado traz, portanto, em si, visível para todos, seu céu
ou seu inferno. A prova irrecusável da sua elevação ou da sua
inferioridade está inscrita em seu corpo fluídico. Testemunhas benévolas
ou terríveis, as nossas obras, os nossos desígnios justificam-nos ou
acusam-nos, sem que coisa alguma possa fazer calar as suas vozes. Daí o
suplício do mau que, acreditando estarem os seus pérfidos desejos, os seus
atos culpáveis profundamente ocultos, os vê, então, brotar aos olhos de
todos; daí os seus remorsos quando, sem cessar, repassam diante de si os
anos ociosos e estéreis, as horas impregnadas no deboche e no crime, assim
como as vítimas lacrimosas, sacrificadas a seus instintos brutais. Daí
também a felicidade do Espírito elevado, que consagrou toda a sua vida a
ajudar e a consolar seus irmãos.
Para distrair-se dos cuidados, das preocupações morais, o homem tem o
trabalho, o estudo, o sono. Para o Espírito não há mais esses recursos.
Desprendido dos laços corporais, acha-se incessantemente em face do quadro
fiel e vivo do seu passado. Assim, os amargores e pesares contínuos, que
então decorrem, despertam-lhe, na maior parte dos casos, o desejo de, em
breve, tomar um corpo carnal para combater, sofrer e resgatar esse passado
acusador. (LEON DENIS, "Depois da Morte", caps. 30 e 31)
TOPO
11. MORTE
Sendo a mente o espelho da vida, entenderemos sem dificuldade que, na
morte, lhe prevalecem na face as imagens mais profundamente insculpidas
por nosso desejo, à custa da reflexão reiterada, de modo intenso. Guardando
o pensamento — plasma fluídico — a precisa faculdade de substancializar
suas próprias criações, imprimindo-lhes vitalidade e movimento
temporários, a maioria das criaturas terrestres, na transição do sepulcro,
é naturalmente obcecada pelos quadros da própria imaginação, aprisionada a
fenômenos alucinatórios, qual acontece no sono comum, dentro do qual, na
maioria das circunstâncias, a individualidade reencarnada, em vez de
retirar-se do aparelho físico, descansa em conexão com ele mesmo, sofrendo
os reflexos das sensações primárias a que ainda se ajusta.
Todos os círculos da existência, para se adaptarem aos processos da
educação, necessitam do hábito, porque todas as conquistas do espírito se
efetuam na base de lições recapituladas.
As classes são vastos setores de trabalho específico, plasmando, por
intermédio de longa repercussão, os objetivos que lhes são peculiares
naqueles que as compõem.
É assim que o jovem destinado a essa ou àquela carreira é submetido, nos
bancos escolares, a determinadas disciplinas, incluindo a experiência
anterior dos orientadores que lhe precederam os passos na senda
profissional escolhida.
O futuro militar aprenderá, desde cedo, a manejar os instrumentos de
guerra, cultuando as instruções dos grandes chefes de estratégia, e o
médico porvindouro deverá repetir, por anos sucessivos, os ensinos e
experimentos dos especialistas, antes do juramento hipocrático.
Em todas as escolas de formação, vemos professores ajustando a infância, a
mocidade e a madureza aos princípios consagrados, nesse ou naquele ramo de
estudo, fixando-lhes personalidade particular para determinados fins,
sobre o alicerce da reflexão mental sistemática, em forma de lições
persistentes e progressivas.
Um diploma universitário é, no fundo, o pergaminho confirmativo do tempo
de recapitulações indispensáveis ao domínio do aprendiz em certo campo de
conhecimento para efeito de serviço nas linhas da coletividade.
Segundo o mesmo principio, a morte nos confere a certidão das experiências
repetidas a que nos adaptamos, de vez que cada espírito, mais ou menos, se
transforma naquilo que imagina. É deste modo que ela, a morte, extrai a
soma de nosso conteúdo mental, compelindo-nos a viver, transitoriamente,
dentro dele. Se esse conteúdo é o bem, teremos a nossa parcela de céu,
correspondente ao melhor da construção que efetuamos em nós, e se esse
conteúdo é o mal estaremos necessariamente detidos na parcela de inferno
que corresponda aos males de nossa autoria, até que se extinga o inferno
de purgação merecida, criado por nós mesmos na intimidade da consciência.
Tudo o que foge à lei do amor e do progresso, sem a renovação e a
sublimação por bases, gera o enquistamento mental, que nada mais é que a
produção de nossos reflexos pessoais acumulados e sem valor na circulação
do bem comum, consubstanciando as idéias fixas em que passamos a respirar
depois do túmulo, à feição de loucos autênticos, por nos situarmos
distantes da realidade fundamental.
É por esta razão que morrer significa penetrar mais profundamente no mundo
de nós mesmos, consumindo longo tempo em despir a túnica de nossos
reflexos menos felizes, metamorfoseados em região alucinatória decorrente
do nosso monoideísmo na sombra, ou transferindo-nos simplesmente de plano,
melhorando o clima de nossos reflexos ajustados ao bem, avançando em
degraus conseqüentes para novos horizontes de ascensão e de luz. (EMMANUEL
- Pensamento e Vida, 29 FCXavier)
TOPO
12. ESTÁS DOENTE?
“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará.” - (TIAGO,
capítulo 5,
versículo 15.)
Todas as criaturas humanas adoecem, todavia, são raros aqueles que cogitam
de cura real.
Se te encontras enfermo, não acredites que a ação medicamentosa, através
da boca ou dos
poros, te possa restaurar integralmente.
O comprimido ajuda, a injeção melhora, entretanto, nunca te esqueças de
que os verdadeiros
males procedem do coração.
A mente é fonte criadora.
A vida, pouco a pouco, plasma em torno de teus passos aquilo que desejas.
De que vale a medicação exterior, se prossegues triste, acabrunhado ou
insubmisso?
De outras vezes, pedes o socorro de médicos humanos ou de benfeitores
espirituais, mas, ao
surgirem as primeiras melhoras, abandonas o remédio ou o conselho salutar
e voltas aos
mesmos abusos que te conduziram à enfermidade.
Como regenerar a saúde, se perdes longas horas na posição da cólera ou do
desânimo? A
indignação rara, quando justa e construtiva no interesse geral, é sempre
um bem, quando
sabemos orientá-la em serviços de elevação; contudo, a indignação diária,
a propósito de
tudo, de todos e de nós mesmos, é um hábito pernicioso, de conseqüências
imprevisíveis.
O desalento, por sua vez, é clima anestesiante, que entorpece e destrói.
E que falar da maledicência ou da inutilidade, com as quais despendes
tempo valioso e longo
em conversação infrutífera, extinguindo as tuas forças?
Que gênio milagroso te doará o equilíbrio orgânico, se não sabes calar,
nem desculpar, se
não ajudas, nem compreendes, se não te humilhas para os desígnios
superiores, nem procuras
harmonia com os homens?
Por mais se apressem socorristas da Terra e do Plano Espiritual, em teu
favor, devoras as
próprias energias, vítima imprevidente do suicídio indireto.
Se estás doente, meu amigo, acima de qualquer medicação, aprende a orar e
a entender, a
auxiliar e a preparar o coração para a Grande Mudança.
Desapega-te de bens transitórios que te foram emprestados pelo Poder
Divino, de acordo com
a Lei do Uso, e lembra-te de que serás, agora ou depois, reconduzido à
Vida Maior, onde
encontramos sempre a própria consciência.
Foge à brutalidade.
Enriquece os teus fatores de simpatia pessoal, pela prática do amor
fraterno.
Busca a intimidade com a sabedoria, pelo estudo e pela meditação.
Não manches teu caminho.
Serve sempre.
Trabalha na extensão do bem.
Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece
convicto de que se
cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o
Senhor te
levantará. (EMMANUEL
Fonte Viva, 86 FCXavier, FEB)
TOPO
13.
A TERAPÊUTICA DA PRECE
No tratamento da obsessão, é necessário salientar a terapêutica da prece
como elemento valioso de introdução à cura.
Não ignoramos que a psiquiatria, nova ciência do mundo médico, apesar de
teorizada nos hospícios, somente corporificou-se na prática que a define,
nos campos de guerra do século presente.
Chamados ao pronto-socorro das retaguardas, desde o conflito
russo-japonês, os psiquiatras esbarraram com numerosos problemas da
neurose traumática, identificando as mais estranhas moléstias da
imaginação e usando a palavra de entendimento e simpatia como recurso
psicoterápico de incalculável importância.
Por isso, dispomos, atualmente, na moderna psicanálise, da psicologia do
desabafo como medicação regeneradora.
A confissão do paciente vale por expulsão de resíduos tóxicos da vida
mental e o conselho do especialista idôneo age por doação de novas
formas-pensamento, no amparo ao cérebro enfermiço.
Invocamos semelhante apontamento para configurar na luta humana verdadeiro
combate evolutivo em que milhares de almas caem diariamente nos meandros
das próprias complicações emocionais, entrando, sem perceber, na faixa das
forças inferiores que, a surdirem do nosso passado, nos espreitam e geram
em nosso prejuízo dolorosos processos de obsessão, retardando-nos o
progresso, por intermédio dos pensamentos desequilibrados com que se
justapõem à nossa vida íntima.
É por essa razão que vemos, tanto nos círculos terrestres, como nas
regiões inferiores da vida espiritual, as enfermidades-alucinações que se
alongam na mente, ao comando magnético dos poderes da sombra, com os quais
estejamos em sintonia.
E a técnica das Inteligências que nos exploram o patrimônio mento-psíquico
baseia-se, de maneira invariável, na comunhão telepática, pela qual
implantam naqueles que lhes acedem ao domínio as criações mentais
perturbadoras, capazes de lhes assegurar o continuísmo da vampirização.
Atentos, assim, à psicogênese desses casos de desarmonia espiritual, quase
sempre formados pela influenciação consciente ou inconsciente das
entidades infelizes, desencarnadas ou encarnadas, que se nos associam à
experiência cotidiana, recorramos à prece como elemento de ligação com os
Planos Superiores, exorando o amparo dos Mensageiros Divinos, cujo
pensamento sublimado pode criar, de improviso, novos motivos mentais em
nosso favor ou em favor daqueles que nos propomos socorrer.
Não nos esqueçamos de que possuímos na oração a nossa mais alta fonte de
poder, em razão de facilitar-nos o acesso ao Poder Maior da Vida.
Assim sendo, em qualquer emergência na tarefa assistencial, em nosso
benefício ou em benefício dos outros, não olvidemos o valor da prece em
terapia, recordando a sábia conceituação do Apóstolo Tiago, no versículo
16 do capítulo 5, em sua Epístola Universal:
— «Orai uns pelos outros, a fim de que sareis, porque a prece da alma
justa muito pode em seus efeitos.» (Francisco de Menezes Dias da Cruz,
Instruções Psicofônicas,
62, FCXavier)
(1) O estudo a que nos reportamos começa com a mensagem intitulada
“Alergia e Obsessão”, constante deste livro. — Nota do organizador.
TOPO
14.
A ORAÇÃO CURATIVA
Meus amigos, que a paz do Cristo permaneça em nossos corações, conduzindo-nos para a
luz.
Fui padre católico romano, naturalmente limitado às concepções do meu
ambiente, mas não tanto que não pudesse compreender todos os homens como
tutelados de Nosso Senhor.
A morte do corpo veio dilatar os horizontes de meu entendimento e agora
vejo com mais clareza a necessidade do esforço conjunto de todas as nossas
escolas de interpretação do Evangelho, para que nos confraternizemos com
fervor e sinceridade, à frente do Eterno Amigo.
Com esse novo discernimento, visito-vos o núcleo de ação cristianizante,
tomando por tema a oração como poder curativo e definindo a nossa fé como
dom providencial.
O mundo permanece coberto de males de toda a sorte.
Há epidemias de ódio, desequilíbrio, perversidade e ignorância, como em
outro tempo conhecíamos a infestação de peste bubônica e febre amarela.
Em toda parte, vemos enfermidades, aflições, descontentamentos,
desarmonias...
Tudo é doença do corpo e da alma.
Tudo é ausência do Espírito do Senhor.
Não ignoramos, porém, que todos temos a prece à nossa disposição como
força de recuperação e de cura.
É necessário orientar as nossas atividades, no sentido de adaptar-nos à
Lei do Bem, acalmando nossos sentimentos e sossegando nossos impulsos,
para, em seguida, elevar o pensamento ao manancial de todas as bênçãos,
colocando a nossa vida em ligação com a Divina Vontade.
Sabemos hoje que outras vibrações escapam à ciência terrestre, além do
ultravioleta e aquém do infravermelho.
À medida que se desenvolve nos domínios da inteligência, compreende o
homem com mais força que toda matéria é condensação de energia.
Disse o Senhor: — «Brilhe vossa luz» — e, atualmente, a experimentação
positiva revela que o próprio corpo humano é um gerador de forças
dinâmicas, constituído assim como um feixe de energias radiantes, em que a
consciência fragmentária da criatura evolui ao impacto dos mais diversos
raios, a fim de entesourar a Luz Divina e crescer para a Consciência
Cósmica.
Vibra a luz em todos os lugares e, por ela, estamos informados de que o
Universo é percorrido pelo fluxo divino do Amor Infinito, em freqüência
muitíssimo elevada, através de ondas ultracurtas que podem ser
transmitidas de espírito a espírito, mais facilmente assimiláveis por
intermédio da oração.
Cada aprendiz do Evangelho necessita, assim, afeiçoar-se ao culto da
prece, no próprio mundo íntimo, valorizando a oportunidade que lhe é
concedida para a comunhão com o Infinito Poder.
Para isso, contudo, é indispensável que a mente e o coração da criatura
estejam em sintonia com o amor que domina todos os ângulos da vida, porque
a lei do amor é tão matemática como a lei da gravitação.
Mentalizemos a eletricidade, por exemplo, na rede iluminativa. Caso
apareça qualquer hiato na corrente, ninguém se lembrará de acusar a usina,
como se o fluxo elétrico deixasse de existir. Certificar-nos-emos sem
dificuldade de que há um defeito na lâmpada ou na tomada de força.
Derrama-se o amor de Nosso Senhor Jesus-Cristo para todos os corações, no
entanto, é imprescindível que a lâmpada de nossa alma se mostre em
condições de receber-lhe o Toque Sublime.
Os materiais que constituem a lâmpada são apetrechos de exteriorização da
luz, mas a eletricidade é invisível.
Assim também, nós vemos o Amor de Deus em nossas vidas, por intermédio do
Grande Mediador, Jesus-Cristo, em forma de alegria, paz, saúde, concórdia,
progresso e felicidade; entretanto, acima de todas essas manifestações,
abordáveis ao nosso exame, permanece o invisível manancial do Ilimitado
Amor e da Ilimitada Sabedoria.
Usando imagens mais simples, recordemos o serviço da água no abrigo
doméstico.
Logicamente, as fontes são alimentadas por vivas reservas da Natureza,
mas, para que a água atinja os recessos do lar, não prescindiremos da
instalação adequada.
A canalização deve estar bem disposta e bem limpa.
Em vista disso, é necessário que todas as atitudes em desacordo com a Lei
do Amor sejam extirpadas de nossa existência, para que o Inesgotável Poder
penetre através de nossos humildes recursos.
O canal de nossa mente e de nosso coração deve estar desimpedido de todos
os raciocínios e sentimentos que não se harmonizem com os padrões de Nosso
Senhor.
Alcançada essa fase preparatória, é possível utilizar a oração por medida
de reajuste para nós e para os outros, incluindo quantos se encontram
perto ou longe de nós.
Ninguém pode calcular no mundo o valor de uma prece nascida do coração
humilde e sincero diante do Todo-Misericordioso.
Certamente as tinturas e os sais, as vitaminas e a radioatividade são
elementos que a Providência Divina colocou a serviço dos homens na Terra.
É também compreensível que o médico seja indispensável, muitas vezes, à
cabeceira dos doentes, porque, em muitas situações, assim como o professor
precisa do discípulo e o discípulo do professor, o enfermo precisa do
médico, tanto quanto o médico necessita do enfermo, na permuta de
experiência.
Isso, porém, não nos impede usar os recursos de que dispomos em nós
mesmos. E estejamos convictos de que, ligando o fio de nossa fé à usina do
Infinito Bem, as fontes vivas do Amor Eterno derramar-se-ão através de
nós, espalhando saúde e alegria.
Assim como há lâmpadas para voltagens diversas, cada criatura tem a sua
capacidade própria nas tarefas do auxílio. Há quem receba mais, ou menos
força.
Desse modo, conduzamos nossa boa-vontade aos companheiros que sofrem,
suplicando a Infinita Bondade em favor de nós mesmos.
É indispensável compreender que a oração opera uma verdadeira transfusão
de plasma espiritual, no levantamento de nossas energias.
Se nos sentimos fracos, peçamos o concurso de um companheiro, de dois
companheiros ou mais irmãos, porque as forças reunidas multiplicam as
forças e, dessa forma, teremos maiores possibilidades para a eclosão do
Amparo Divino que está simplesmente esperando que a nossa capacidade de
transmissão e de sintonia se amplie e se eleve, em nosso próprio favor.
Mentalizemos o órgão enfermo, a pessoa necessitada ou a situação difícil,
à maneira de campos em que o Divino Amor se manifestará, oferecendo-lhes
nosso coração e nossas mãos, por veículos de socorro, e veremos fluir, por
nós, os mananciais da Vida Eterna, porque o Pai Todo-Compassivo e Jesus
Nosso Senhor nunca se empobrecem de bondade.
A indigência é sempre nossa.
Muitos dizem «não posso ajudar porque não sou bom», mas, se já fôssemos
senhores da virtude, estaríamos noutras condições e noutras esferas.
Consola-nos saber que somos discípulos do bem e, nessa posição, devemos
exercitá-lo.
Movimentemos a boa-vontade.
Não temos ainda as árvores da generosidade e da compreensão, da fé
irrepreensível e da perfeita caridade, mas possuímos as sementes que lhes
correspondem. E toda semente bem plantada recolhe do Alto a graça do
crescimento.
Assim, pois, para que tenhamos assegurado o êxito da nossa plantação de
qualidades superiores, é preciso nos disponhamos a fazer da própria vida
um canal de manifestação do Constante Auxílio.
Todos temos provas, dificuldades, moléstias, aflições e impedimentos,
contudo, dia a dia, colocando nosso espírito à disposição do Divino Amor
que flui do centro do Universo para todos os recantos da vida,
desenvolver-nos-emos em entendimento, elevação e santificação.
Trabalhemos, portanto, estendendo a oração curativa.
A vossa assembléia de socorro aos irmãos conturbados na- sombra é uma
exaltação da prece desse teor, porque trazeis ao vosso círculo de serviço
aquilo que guardais de melhor e contais simplesmente com o Divino Poder,
já que nós, de nós mesmos, nada detemos ainda de bom senão a migalha de
nossa confiança e de nossa boa-vontade.
Em nome do Evangelho, sirvamos e ajudemos.
E que Nosso Senhor Jesus-Cristo nos assista e abençoe.
(Padre
Eustáquio, 11 de novembro de 1954, sacerdote em Belo Horizonte,
desencarnado, Instruções Psicofônicas, 36, FCXavier)
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15.
ORAÇÃO E CURA
Recorres à oração, junto desse ou daquele enfermo, e sofres, quando a
restauração
parece tardia.
Entretanto, reflete na Lei Divina a que todos, obrigatoriamente, nos
entrosamos.
Isso não quer dizer devamos ignorar o martírio silencioso dos companheiros
em
calamidade do campo físico.
Para tanto, seria preciso não haver sentimento.
Sabemos, sim, quanto dói seguir, noite a noite, a provação dos familiares,
em
moléstias Irreversíveis; conhecemos, de perto, a angústia dos pais que
recolhem no coração
o suplício dos filhinhos torturados no berço; partilhamos a dor dos que
gemem nos
hospitais como sentenciados à pena última, e assinalamos o tormento
recôndito dos que
fitam, inquietos, em doentes amados, os olhos que se embaciam...
Observa, porém, o quadro escuro das transgressões humanas que nos rodeiam.
Pensa nos crimes perfeitos que injuriam a Terra; na insubmissão dos que se
rendem às
sugestões do suicídio, prejudicando os planos da Eterna Sabedoria e
criando aflitivas expiações para si mesmos; nos processos inconfessáveis dos que usam a
inteligência para
agravar as necessidades dos semelhantes e na ingratidão dos que convertem
o próprio lar em
reduto do desespero e da morte...
Medita nos torvos compromissos dos que se acumpliciam agora com os
domínios do mal, e
perceberás que a enfermidade é quase sempre o bem exprimindo reajuste,
sustando-nos a queda
em delitos maiores.
Organizemos, assim, o socorro da oração, junto de todos os que padecem no
corpo dilacerado,
mas, se a cura demora, jamais nos aflijamos.
Seja o leito de linho, de seda, palha ou pedra, a dor é sempre a mesma e a
prece, em toda
parte, é bênção, reconforto, amparo, luz e vida.
Lembremo-nos, no entanto, de que lesões e chagas, frustrações e defeitos,
em nossa forma
externa, são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus.
(Emmanuel,
Reunião pública de 19/2/60,
Questão nº 176 - Parágrafo 8º , FCXavier)
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16. SANTA ÁGUA
Recordemos as virtudes de Santa Água!...
Água da chuva que fertiliza o solo,
Água do mar que gera a vida,
Água do rio que sustenta a cidade,
Água da fonte que mitiga a sede,
Água do orvalho que consola a secura,
Água da cachoeira que move a turbina,
Água do poço que alivia o deserto,
Água do banho que garante o equilíbrio,
Água do esgoto que assegura a higiene,
Água do lago que retrata as constelações,
Água que veicula o medicamento,
Água que é carícia, leite, seiva e pão, nutrindo o homem e a natureza,
Água do suor que alimenta o trabalho,
Água das lágrimas que é purificação e glória do espírito...
Santa Água é a filha mais dócil da matéria tangível,
Alongando os braços líquidos para afagar o mundo...
Água que lava,
Água que fecunda,
Água que estende o progresso,
Água que corre, simples, como sangue do Globo!...
Água que recolhe os eflúvios dos anjos
Em benefício das criaturas...
Se a dor vos bate à porta,
Se a aflição vos domina,
Trazei Santa Água ao vaso claro e limpo,
Orando junto dela...
E o rocio do Alto,
Em grânulos sutis,
Descerá das estrelas
A exaltar-lhe, sublime,
A beleza e a humildade...
E, sorvida por nós,
Santa Água conosco
Será saúde e paz,
Alegria e conforto,
Bálsamo milagroso
De bondade e esperança,
A impelir-nos à frente,
Na viagem divina
Da Terra para o Céu...
(Benedito Rodrigues de Abreu, poeta desencarnado no Estado de São Paulo.
Comunicação em 3 de fevereiro de 1955,
FCXavier, Instruções Psicofônicas, 47)
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17.
NOS SERVIÇOS DE CURA
NÃO basta rogar ajuda para si.
É indispensável o auxílio aos outros.
NÃO vale a revelação de humildade na indefinida repetição dos
pedidos de socorro.
É preciso não reincidirmos nas faltas.
NÃO há grande mérito em solicitarmos perdão diariamente.
É necessário desculparmos com sinceridade as ofensas alheias.
NÃO há segurança definitiva para nós se apenas fazemos luz na
residência dos vizinhos.
É imprescindível acendê-la no próprio coração.
NÃO nos sintamos garantidos pela certeza de ensinarmos o bem a
outrem.
É imperioso cultivá-lo por nossa vez.
NÃO é serviço completo a ministração da verdade construtiva ao
próximo.
Preparemos o coração para ouvi-la de outros lábios, com referência
às nossas próprias necessidades, sem irritação e sem revolta.
NÃO é integral a medicação para as vísceras enfermas.
É indispensável que não haja ódio e desespero no coração.
NÃO adianta o auxílio do Plano Superior, quando o homem não se
preocupa em retê-lo.
Antes de tudo, é preciso purificar o vaso humano para que se não
perca a essência divina.
NÃO basta suplicar a intercessão dos bons.
Convençamo-nos de que a nossa renovação para o bem, com Jesus, é
sagrado impositivo da vida.
NÃO basta restaurar simplesmente o corpo físico.
É inadiável o dever de buscarmos a cura espiritual para a vida
eterna. (BEZERRA DE MENEZES, "Taça de Luz", 4, FCXavier, FEESP)
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