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Formosa homenagem de André Luiz às
grandes e inesquecíveis mulheres do livro "Entre a Terra e o
Céu".
Na obra "Entre a
Terra e o Céu",
André Luiz homenageia as mulheres de forma especial:
as seis principais personagens femininas, dotadas de sentimentos e conflitos
iguais à todas as mulheres, mostram, através de páginas emocionantes,
como atingiram a vitória sobre as paixões menores, alçando vôo rumo
à felicidade e ao engrandecimento espiritual.
Uma delas pode parecer-se com você...
Conheça aqui cada uma
delas:
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EVELINA -
Rogando
proteção à mãezinha desencarnada, em comovente prece
refratada, a adolescente dá início à ação de
Clarêncio, André Luiz e Hilário, no socorro ao lar de
Zulmira. Dona de nobre e generoso coração, trabalha com
afinco pela felicidade do pai e da madrasta. É elevada,
espiritualmente, igualando-se, entre os encarnados,
apenas à Antonina.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A
TERRA E O CÉU": - Mas, que vem a ser uma oração refratada?
— indagou Hilário a Clarêncio.
— A prece refratada é aquela cujo impulso luminoso teve a
sua direção desviada, passando a outro objetivo.
— Irmã — disse Clarêncio, preciso, dirigindo-se à assistente Eulália —,
este gráfico registra aflitivo apelo de Evelina, cuja volta ao
aprendizado na carne foi garantida por nossa organização. Parece-me
estar a pobrezinha em extremas dificuldades...
— Sim — concordou a interpelada —, Evelina, apesar da fragilidade do
novo corpo, vem sustentando imensa luta moral. O pai, sobrecarregado de
questões íntimas, tem a saúde periclitante e a madrasta vem sofrendo
obstinada perseguição, por parte de nossa desventurada Odila.
— A genitora de Evelina?
— Sim, ela mesma. Ainda não se resignou a perder a primazia feminina no
lar. E Evelina, depois de perder o maninho em trágicas circunstâncias,
acha-se desorientada, entre o genitor aflito e a segunda mãe, em
desespero... Ainda anteontem, pude vê-la. Chorava, comovedoramente,
diante da fotografia da mãezinha desencarnada, suplicando-lhe proteção.
Odila, porém, envolvida nas teias das próprias criações mentais, não se
mostra capaz de corresponder à confiança e à ternura da menina. Ela,
entretanto, tem insistido com tal vigor na obtenção de socorro
espiritual que as suas rogativas, quebrando a direção, chegam até
aqui...
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ODILA - Desencarnada ainda jovem, Odila
vê seus sonhos de amor arruinados com o segundo casamento do marido, um
homem
que julgava eternamente seu. A outrora terna mãe de Evelina não ouve os rogos da filha,
agora presa de estranha
loucura: junto à segunda esposa do marido, jura
vingança pela intromissão da mulher em seu lar e pela
morte do filho. Enlouquecida de ciúmes, luta para
aniquilar Zulmira. Mais tarde, esclarecida por Clara, um
luminoso Espírito, transforma-se no anjo protetor do
antigo lar terreno e benfeitora maior da ex-rival. É,
entre todas as personagens,
a de maior coragem e grandeza.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A
TERRA E O CÉU": Odila martelava o cérebro de Zulmira, reiterando,
desapiedada:
— Recorda o crime, infeliz! lembra-te da horrível manhã em que te
fizeste assassina! onde colocaste meu filho? porque afogaste um
inocente?
— Não, não! — gritava a pobrezinha dementada — não fui eu! juro que não
fui eu! Júlio foi tragado pelas ondas...
— E porque não velaste pela criança que meu marido levianamente confiou
às tuas mãos infiéis? acaso, não te acusa a própria consciência? onde
situas o senso de mulher? Pagar-me-ás alto preço pelo relaxamento
delituoso... Não permitirei que Amaro te ame, alimentarei a antipatia
dele contra ti, atormentarei as pessoas que te desejarem socorrer,
destruirei a própria casa de que te apossaste e me pertence!...
Impostora! impostora!...
— Sim, sim... — concordava Zulmira, terrificada —, não matei, mas não
fiz o que me competia para salvá-lo! Perdoa-me! perdoa-me! prometo
empenhar-me no refazimento da paz de todos... Serei uma escrava de teu
marido e restitui-lo-ei aos teus braços; converter-me-ei em serva de tua
filhinha, cujos passos orientarei para o bem, mas, por piedade, deixa-me
viver! Liberta-me! Compadece-te de mim!...
— Nunca! nunca! — bradava a interlocutora, friamente — tua falta é
imperdoável. Mataste! Deves confessar o delito perpetrado, à frente da
polícia!...
— Não! não! — suplicava Zulmira, com sinais comoventes de angústia.
— Se não aniquilaste meu filho — bradava a outra, cruel —, devolve-o aos
meus braços! Devolve-o! devolve-o!..
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ZULMIRA - Segunda
esposa de Amaro. Torturada psiquicamente, é levada a
desejar ardentemente a morte do pequeno Júlio, por não
suportar o carinho do marido para com o menino. Mas
quando ele desencarna, sente-se culpada, adoecendo em
seguida, vítima do remorso e da cruel perseguição de Odila. Não sabe que Júlio é duplamente suicida. Mais
tarde, já suspensa a obsessão, Zulmira auxilia Odila
recebendo Júlio em seus braços, por duas vezes, como
filho muito amado.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A TERRA E O CÉU": —
Porque tamanha provação se não é ela a autora do
crime? — inquiri por minha vez.
O Ministro, porém, informou, preciso: — André,
segundo as anotações que já recolhemos da irmã
Eulália, Zulmira não é propriamente a autora,
mas, com loucas ciumadas do marido, desejou
ardentemente a morte da criança, chegando mesmo
a favorecê-la.
Depois de breve pausa, prosseguiu:
— Amaro experimentava imensa devoção afetiva
pelo filhinho. Sabendo-o sem o carinho materno e
reconhecendo que a madrasta não primava pelo
amor, junto dos enteados, passava a dormir ao
lado do caçula, rodeando-o de mimos. Quando
tornava a casa, cada dia, confiava-se a longas
conversações com o filho, lendo-lhe histórias ou
escutando-lhe, atencioso, as narrativas
infantis. Zulmira, em razão disso, ralada de
despeito, passou a ver no menino um adversário
de sua felicidade doméstica. A dedicação de
Evelina para com o genitor não lhe doía tanto. A
madrasta nada sentia contra ela, mas o pequeno
excitava-a. Chegava mesmo a estimular-lhe
indébitas incursões na via pública, admitindo
que algum veículo podia fazer o que não tinha
coragem de realizar com as próprias mãos... Foi
nessa disposição de espírito que acompanhou a
família ao banho matinal, em clara manhã
domingueira. Entregues ao contentamento da
excursão, Amaro e a filhinha distanciaram-se...
Não seria aquele o momento azado para consumar o
velho propósito? Decerto, Júlio, em sua
curiosidade infantil, não resistiria à atração
para o seio das águas. Ninguém poderia
culpá-la...
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ANTONINA - Muito
pobre, vive com dificuldades imensas para sustentar seus
três filhos, na pequena casa suburbana. Abandonada pelo
marido inconseqüente, resgata o passado doloroso, quando
abandonou a família, igualmente, para enveredar-se por
aventuras inferiores aos tempos da Guerra do Paraguai
como Lola Ibarruri, a formosa cantora. Na vida atual,
disposta a recuperar seus patrimônios espirituais,
persevera, corajosa, na trilha do bem e da dignidade, e,
embora carente de recursos e afetos, derrama em torno de
seus passos a amizade generosa e fraterna. Perdeu um
filhinho, recentemente, em virtude das imensas
dificuldades. Ainda jovem, bela e de nobre caráter,
cativa Mário, o ciumento ex-noivo de Zulmira, casando-se
com ele mais tarde.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A
TERRA E O CÉU": Deixou-nos o Ministro numa casinha singela de remota
região suburbana, depois de informar-nos:
— Aqui reside nossa irmã Antonina, com três dos quatro filhos que o
Senhor lhe confiou. Incapaz de vencer as tentações da própria natureza,
o marido abandonou-a, há quatro anos, para comprometer-se em delituosas
aventuras. A dona da casa, porém, não desanimou. Trabalha com diligência
numa fábrica de tecidos e educa os rebentos do lar com acendrado amor ao
Evangelho de Nosso Senhor Jesus. Tem sabido resgatar com valor as
dívidas que trouxe do pretérito próximo. Perdeu, há meses, o pequeno
Marcos, de oito anos, atacado de fulminante pneumonia, e com ele se
encontrará, depois da prece que proferirá com os pequeninos.
Hilário e eu penetramos a sala desataviada e estreita. Uma senhora ainda
jovem, mas extremamente abatida, achava-se de pé, junto de três lindas
crianças, dois rapazinhos entre onze e doze anos e uma loura
pequerrucha, certamente a caçula da família, que pousava na mãezinha os
belos olhos azuis.
Num recanto do compartimento humilde, triste velhinho desencarnado como
que se colocava à escuta...
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BLANDINA -
Anjo
bom no "Lar da Bênção", desvela-se em tomar
conta dos pequenos desencarnados. Embora a juventude
extrema, seus olhos trazem o brilho da madureza
espiritual. Encanta Clarêncio e os aprendizes com sua
doçura e sabedoria. Cuida de Júlio, particularmente. Em
conversa com André e demais, algo triste, Blandina deixa
escapar que busca novos valores maternos para si, no
"Lar da Bênção". Para muitos, a Blandina da
história é Meimei, o formoso
Espírito que através da psicografia de Chico Xavier,
legou todo um amoroso trabalho voltado à educação
moral e religiosa da infância.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A
TERRA E O CÉU": (André Luiz) Reparei, então, com mais insistência, a
figura suave de Blandina. Porque se dedicara ela, assim, a trabalhos tão
complexos? Não seria mais justo ouvir aquela conversação dos lábios da
simpática Mariana, que ali se achava, junto de nós, em sua posição de
matrona respeitável?
Externei os meus pensamentos, perguntando, com discrição, à jovem o
porquê da grave tarefa de que se incumbia.
Blandina apagou a luz do sorriso que lhe adornava o semblante, como flor
aberta que se fechasse, de súbito.
Pesado silêncio pairou no recinto. Mas, generosa e simples, adoçou a
expressão fisionômica e falou, quase conselheiral:
- Fui casada em minha última existência e somente há três anos
terrestres me vejo, de novo, na vida espiritual. Não pude acariciar um
filhinho, em meus sonhos recentes de mulher, mas hoje sei que preciso
reeducar-me no amor de mãe, consoante os débitos que contraí no passado.
Realmente, sinto grande afeição pelas crianças, Contudo, tenho
igualmente enormes dívidas morais para com elas...
O assunto descambava para um círculo particular, que devia ser sagrado
aos nossos olhos. Por isso mesmo, Clarêncio fez mudo sinal para mim e a
conversação foi canalizada para outro rumo...
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CLARA - É o Espírito
feminino mais evoluído do grupo dos desencarnados.
Possui a maravilhosa capacidade de emitir
projeções
próprias de harmonia e beleza, visto já ter atingido o
total equilíbrio dos centros de força que irradiam
ondulações luminosas e distintas.
É levada por Clarêncio até Odila, para
esclarecê-la acerca do perigoso caminho tomado e esta
toma-a por um anjo. Transforma-se-lhe em benfeitora,
auxiliando-a até seu completo reequilíbrio. Em seus
olhos, às vezes, uma saudade imensa de algo, ou alguém.
Doutrinando Odila, e para incentivá-la a preservar os
seus afetos terrenos, confessa tristemente que há onze
séculos trabalha pelo retorno de corações amados, sem
sucesso.
TRECHO DO LIVRO "ENTRE A TERRA E O CÉU": A
paisagem doméstica, na residência de Amaro, não
mostrava qualquer alteração.
Zulmira, atormentada por Odila, que realmente
lhe vampirizava as forças, jazia no leito,
apática e desolada, como estátua viva de
angústia e medo escutando o vento que zunia, lá
fora...
Mais magra e mais abatida, exibia
comovedoramente a própria exaustão.
Irmã Clara, depois de expressivo entendimento
com o nosso orientador, solicitou que nos
mantivéssemos a pequena distância, e,
abeirando-se da genitora de Evelina, que tanto
quanto a enferma não nos percebia a presença,
alongou os braços em prece.
Sob forte emoção, acompanhei o formoso quadro
que se desdobrou, divino, ao nosso olhar.
Gradativamente, o recinto foi invadido por vasto
círculo de luz, do qual se fizera a instrutora o
núcleo irradiante. Assemelhava-se nossa amiga a
uma estrela repentinamente trazida à Terra, com
os dois braços distendidos em forma de asas,
prestes a desferir excelso vôo...
Cercava-a enorme halo de dourado esplendor, como
se ouro eterizado e luminescente lhe emoldurasse
a forma leve e sublime... Dos revérberos dessa
natureza, passavam as irradiações a tonalidades
diferentes, em círculos fechados sobre si
mesmos, caminhando dos reflexos de ouro e opala
ao róseo vivo, do róseo vivo ao azul celeste, do
azul celeste ao verde claro e do verde claro ao
violeta suave, que se transfundia em outros
aspectos a me escaparem da apreciação...
Tive a idéia de que a irmã Clara se convertera
no centro de milagroso arco-íris, cuja
existência nunca pudera vislumbrar...
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Nota: Os
trechos do livro foram adaptados para os espaços acima.
Originalmente, são mais extensos.
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