Nas faixas mínimas
da sua experiência cotidiana surge o roteiro humano que
você representa para os outros.
Os traços do semblante pintam-lhe o clima interior.
Os seus objetos de uso pessoal compõem o edifício da sua
simplicidade.
A ordem dos seus afazeres indica-lhe o grau de disciplina.
O cumprimento das suas obrigações denuncia-lhe o valor da
palavra empenhada.
O teor da amizade dos seus vizinhos, para com a sua pessoa,
qualifica a sua capacidade de se fazer entendido.
O diapasão da sua palestra dá o tom da sua altura íntima.
A segurança da sua opinião traduz a firmeza dos seus ideais.
Os tecidos que lhe envolvem o corpo configuram-lhe o senso
de naturalidade.
As iguarias da sua mesa revelham-lhe o papel do estômago
no mundo moral.
A natureza do cuidado com o seu físico fala francamente
de suas possíveis relações com a vaidade.
O seu presente diz, para todos, o que você foi no passado
e o que você será no porvir, com reduzidas possibilidades
de erro.
A uniformidade entre o movimento das suas idéias, dos seus
conceitos e das suas ações disseca, à vista de todos, a
fibra da sua vontade.
Todas as criaturas que lhe partilham a existência lêem incessantemente
os letreiros vivos que lhe estabelecem a verdadeira identidade
nos panoramas da Vida, respondendo-lhe as mensagens inarticuladas
com aversão ou simpatia, contentamento ou desagrado, conforme
a sua plantação de bem ou mal.