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As missões
- A chegada de Mem de Sá ao Brasil, em 1558, daria um novo
impulso ao trabalho de conversão dos índios, pela ajuda prestada pelo terceiro
governador-geral à obras das ‘’missões’’- aldeamentos de índios, ensinados e
defendidos pelos padres contra as violências dos colonos. Nesses aldeamentos, os
índios aprendiam a religião, eram convencidos a abandonar a antropofagia e
afastados das bebedeiras.
A organização das ‘’missões’’ atraiu outros índios. Vinham de
pontos distantes buscar a proteção do governo-geral e a compreensão dos
jesuítas. O primeiro aldeamento, construído em Salvador, constava da reunião de
quatro aldeias, e o próprio Mem de Sá esteve presente à sua fundação. Mais
tarde, surgiram mais três, localizadas à volta daquela cidade. Em cada uma
dessas ‘’missões’’ havia uma igreja e um colégio, feitos, na maioria das vezes,
de sapé; muitos destes aldeamentos chegaram a abrigar mais de cinco mil pessoas.
A conquista da confiança dos índios, no entanto, não resolvia
todos os problemas dos jesuítas. Era ainda necessário lutar contra os colonos
que, na falta de braços para a lavoura, pretendiam escravizar os nativos. Essa
situação prolongar-se-ia mesmo depois da entrada do trabalhador negro no Brasil,
pois em muitos casos os colonos não tinham posses para comprar escravos
africanos. O método de apresamento do indígena era mais econômico.
Os índios, nas ‘’missões’’, aceitavam plantar apenas a
mandioca de que precisavam para o próprio consumo e dos jesuítas. Quando eram
obrigados pelos colonos ao trabalho pesado da agricultura, muitas vezes
rebelavam-se e, em outras, fugiam ou
adoeciam e morriam.
Missão de paz junto aos Tamoios - Durante os anos em que esteve em contato com os índios
brasileiros, José de Anchieta aprendeu a língua tupi que usaria para o resto da
vida. Esse conhecimento permitiu que escrevesse, mais tarde, a ‘’Gramática da
Língua mais falada na Costa do Brasil’’, cartilha em todas as missões jesuíticas
da colônia portuguesa.
A catequese, no entanto, não foi a única atividade exercida no Brasil
pelos padres da Companhia de Jesus. Servindo, sempre, como elemento de
apoio à colonização, os jesuítas tiveram atuação destacada em
acontecimentos como a ‘’Confederação dos Tamoios’’- união daquelas
tribos contra os portugueses, em que Anchieta e Nóbrega atuaram como
verdadeiros emissários de paz. Durante esse período- em que Anchieta
ficou como refém na aldeia indígena- ele escreveu, na areia, os seus
famosos versos dedicados à Virgem. (Fonte
Wikipedia)
Modos de Evangelização Indígena - O teatro no Brasil teve inicio com os jesuítas, cerca de 50 anos após o
descobrimento do país. O primeiro grupo de missionários jesuítas que desembarcou
na Bahia era composto de quatro sacerdotes, dentre eles o padre Manoel da
Nóbrega, e alguns jovens que ainda não haviam sido ordenados. Poucos anos
depois, com outro grupo, chega o padre José de Anchieta, que tinha então apenas
19 anos.
Enquanto a população portuguesa no Brasil, composta, em sua
maioria, por aventureiros e criminosos, ocupava-se da construção de
fortificações e da ocupação da costa, os jesuítas se preocupavam em estabelecer
contatos e catequizar os indígenas. Nesse trabalho, enfrentavam não só a
desconfiança dos indígenas como também dos próprios portugueses, que já haviam
se habituado a uma vida desregrada, distante dos preceitos religiosos. Os
missionários agrupavam os índios, formando aldeias onde podiam exercer a
catequese com maior eficácia, ao mesmo tempo em que tentavam manter os nativos a
salvo da avidez dos seus compatriotas.
Os jesuítas recebiam, em sua ordem, ensinamentos de técnicas
teatrais, que consideravam mais eficazes e fascinantes para a educação religiosa
do que, por exemplo, os sermões. Começaram, então, a misturar os costumes,
máscaras, pinturas e elementos do cotidiano indígena aos seus apólogos
educativos, o que resultava em espetáculos quase sempre litúrgicos, de cunho
eminentemente apostolar, nos quais se juntavam anjos e flores nativas, santos e
bichos, demônios e guerreiros, além de figuras alegóricas, como o Temor a Deus e
o Amor de Deus.
Essa junção do religioso com o dramático já havia sido feita
na China, Índia, México e outras terras. Porém, nesses locais, ao contrário
daqui, já havia uma produção teatral.
A Companhia de Jesus impunha aos seus missionários o
aprendizado da língua da terra onde estivessem em missão. Assim, em pouco tempo
os jesuítas aprendiam as línguas indígenas e ensinavam aos índios o português e
o espanhol.
A partir de 1557 começa a haver uma incessante atividade teatral, praticada não
só pelos jesuítas e indígenas como também pelos próprios colonos, seduzidos
pelas mensagens moralistas e pela beleza dos eventos, que eram realizados em
datas festivas e ocasiões especiais.
Inicialmente, encenavam-se autos e peças religiosas trazidas
de Portugal, porém logo deu-se início a uma produção dramatúrgica local. Movidos
mais pelo espírito missionário do que pelo desejo de reconhecimento artístico,
boa parte dessas obras não era assinada, e pouco cuidado se dedicava à sua
conservação. Por isso, o que nos chegou desse período foram uns poucos
manuscritos, atribuídos ao padre José de Anchieta, e duas cartas do padre Fernão
Cardim, datadas de 1590. Nessas cartas há descrições detalhadas de inúmeras
apresentações teatrais na Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro e
outros locais, tendo como platéias não só os indígenas e os colonos como também
as famílias que aqui iam se constituindo e as autoridades políticas e
religiosas. Esses relatos surpreendem por descreverem encenações extremamente
sofisticadas para a época e condições em que aconteciam, envolvendo grande
número de participantes, cenários, instrumentos musicais, fogos de artifício,
etc. Num relatório de atividades enviado aos superiores da Companhia de Jesus,
um outro padre narra a grande comoção que essas encenações causavam no público.
Dentre os textos cuja autoria é atribuída ao padre José de
Anchieta, figuram diversos autos, como o "Auto da Pregação Universal",
representado diversas vezes, o "Auto da Crisma", o "Auto das Onze Mil Virgens",
e aquele que é tido como sua obra-prima: "Na festa de São Lourenço", composto
por cerca de 1.500 versos em tupi (a maior parte), espanhol, português e
guarani.
Paralelamente a esse teatro com finalidades de catequese e de
doutrinação, os jesuítas mantinham também uma atividade teatral em latim,
praticada pelos estudantes dos colégios da Companhia de Jesus. Em todos os
casos, as peças eram sempre revestidas de valores morais. Raras foram as
comédias e tragédias representadas nesse período. Não havia qualquer tipo de
alusão ao amor profano, e as personagens femininas (geralmente as santas) eram
sempre interpretadas por homens travestidos, já que as mulheres eram
terminantemente proibidas de participarem das encenações, para se evitar
excessos de entusiasmo nos jovens.
Como não existiam locais destinados às representações
teatrais, estas aconteciam nas praças, nas ruas e dentro dos colégios e igrejas.
Algumas encenações foram feitas nas praias, utilizando a própria natureza como
cenário.
O envolvimento e a paixão dos jesuítas pelo teatro era
tamanha que o bispo Fernandes Sardinha chegou a declarar-se assustado com o que
ele chamou de "excessos teatrais" dos missionários, que, além de escrever os
textos e coordenar as montagens, não hesitavam em representar, cantar e até
dançar. Por causa desses tais excessos, vários missionários foram censurados
publicamente pelo bispo - dentre eles o padre Manuel da Nóbrega.(Fonte:
http://www.brazilsite.com.br/teatro/teat01.htm)
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