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FINAL DA MISSÃO: NÓBREGA DESENCARNA NO BRASIL
"Manoel
da Nóbrega morreu abraçado à cruz da obediência."
- José de Anchieta
Passou no Rio de Janeiro o Padre Nóbrega o restante
de sua vida, que foram três anos, sempre com muito trabalho; porque como era
muito doente e na terra nova, na qual não ousavam os moradores estender os
domínios com medo dos inimigos, havia muita falta do necessário para o sustento
corporal. Os maiores mimos que tinha eram algumas esmolas que lhe mandava o
Superior de São Vicente. E assim quis Nosso Senhor, que aquele que andou com
tanto zelo e cuidado ajuntando sustento para todos os Irmãos do Brasil, no final
dele carecesse de tudo abraçado com a cruz da obediência, que ali o deixou em
penúria corporal, porém cheio de consolações espirituais.
Sentindo ele muito antes que se lhe acabasse
a vida, assim o escreveu a São Vicente. Quanto mais se lhe chegava o tempo de
ir, mais se achegava a Deus, recolhendo-se com as meditações de Santo
Agostinho e gastando
boa parte do dia com colóquios e suspiros, porque
era muito terno, devoto e fácil nas lágrimas.
Dois ou três dias antes de seu falecimento,
andou pela cidade se despedindo dos amigos e devotos da
Companhia;
sendo que lhe perguntavam eles aonde queria ir, pois não havia no porto
embarcação. E Nóbrega então respondia: "À nossa pátria celestial."
Sobrevieram-lhe grandes dores e caiu de cama,
onde esteve só um ou dois dias. Logo se preparou com os Sacramentos que em tal
hora se costumam receber. Chamou um padre, pedindo-lhe muita pressa para o
ungisse logo. Recebida a extrema unção, rogou a outro padre que rezasse uma
missa, antes que ele expirasse.
E logo, lançando um pouco de sangue corrupto pela boca, deu seu espírito ao
Senhor, em 18 de outubro de de 1570, dia de São Lucas, o mesmo dia em que
nasceu. Segundo afirmativa do padre José de Anchieta, foi neste dia também que
Nóbrega entrou na Companhia, muito embora que, para fins biográficos, se
utilizem apenas os dados que constam no Colégio de Coimbra.
Foi a morte de Manoel da Nóbrega muito sentida porque ele era com pai de toda
aquela nova cidade do Rio de Janeiro, em cujo colégio faleceu e na sua Igreja
foi sepultado, entre as lágrimas de seus filhos e dos seus índios e portugueses
que muito o amavam. (Cartas do Brasil/Cartas Jesuíticas I, Antonio Franco,
edição USP, segundo escritos do padre José de Anchieta)
Encerra-se a obra da Companhia de Jesus -
Em 1653 chegava ao Maranhão o Padre Antonio Vieira, que teria
um papel importante na obra de catequese. Em pouco tempo, o jesuíta sentiu a
situação em que viviam os indígenas, explorados pelos colonos e funcionários da
coroa. Vieira voltaria no ano seguinte a Lisboa para obter a revogação de uma
lei que permitia a escravização dos índios naquela região, retornando ao Brasil
de posse do título de administrador-geral dos índios do Estado do Maranhão.
No período de 1655 a 1661, Vieira exerceu a sua atividade
mais intensa no Brasil: catequizou pessoalmente os Nheegaíbas da ilha de Marajó;
com a ajuda dos seus auxiliares atuou na região amazônica, subindo os rios
Tocantins, Xingu e Tapajós, e depois veio descendo pelo sertão do Ceará até a
serra do Ibiapaba. Com o objetivo de instruir os indígenas da região amazônica
na doutrina cristã, Vieira compôs um catecismo em suas línguas. Intransigente
defensor da liberdade dos nativos e não se conformando com a situação a que
estavam submetidos, diversas vezes utilizou o púlpito como tribunas das suas
idéias, em preciosos sermões que foram incorporados à literatura de língua
portuguesa.
Mas, embora fosse homem de confiança do Rei D.João IV,
Vieira não conseguiu dominar as campanhas que os colonos da região moveram
contra ele. Representando, por sua oposição à escravização indígena, um grande
empecilho aos ideais latifundiários de muitos portugueses, estes usavam de todos
os meios para impedi-lo de prosseguir a sua obra.
Protestando sempre, conseguiram prender os padres , inclusive
Antonio Vieira. De Belém, esses jesuítas foram remetidos para São Luís e daí
para Lisboa.
Apesar de terem sido o alvo mais freqüente das queixas dos
colonos, os jesuítas não foram os únicos religiosos a entregar-se à missão de
pregar o Evangelho à gente da terra. Nos séculos XVI e XVII chegaram ao Brasil
missionários que pertenciam às mais diversas ordens existentes na Europa. Os
Franciscanos em 1503. Os Carmelitas em 1580. Os Beneditinos em 1584. Os
Mercedários em 1567.
O trabalho dos missionários encontraria, a partir de 1750, um
inimigo implacável: Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês
de Pombal. Homem de forte personalidade, Pombal conseguiria dominar todo o
período de governo do Rei D. José I, de 1750 a 1777 e através de um breve em
forma de bula- ‘’Dominus Ac Redemptor Noster’’ -, emitido por Clemente XIV a 23
de julho de 1773, conseguiu finalmente o seu objetivo: a extinção da Companhia
de Jesus.
O custo da educação -
A princípio, a manutenção das escolas no Brasil estava a
cargo da própria Companhia de Jesus, ao contrário do que acontecia em Portugal,
onde a Coroa destinava recursos para o amparo dessas instituições. Baseado
nisso, o padre Manuel da Nóbrega, assim que pôs os pés em terras americanas, fez
uma requisição na qual propunha o estabelecimento de propriedades territoriais
para as escolas. O interesse pela propriedade, no entanto, começou a preocupar a
Coroa. Ao subir ao trono de Portugal, D. Sebastião estudou um meio de acabar com
isso sem magoar o clero, instituindo uma taxa especial para a Companhia de
Jesus, chamada redízima, que era descontada sobre todos os direitos e dízimos da
própria Coroa. Os recursos chegaram depois que o voto de pobreza dos jesuítas
foi reafirmado por uma determinação oficial, em 1556. Com o apoio financeiro
cresceram e multiplicaram-se as escolas e as casas missionárias no Brasil. Entre
as mais importantes estão o próprio Colégio da Bahia, fundado por Manuel da
Nóbrega, e o Colégio de São Vicente, fundado por Leonardo Nunes, que também
chegou ao Brasil com a expedição de Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral.
Além desses foram fundados os de São Paulo (1554), Rio de Janeiro (1568), Olinda
(1576), Ilhéus (1604), Recife (1655), São Luís, Paraíba, Santos, Belém,
Alcântara (1716), Vigia (1731), Paranaguá (1738) e Desterro (1750).
http://portal.com.pt/brasil/500/500-9.htm
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