|
Na
terra selvagem, a semente fértil -
As dificuldades, no início da missão evangelizadora, pareciam
insuperáveis. Os primeiros missionários - vindos na expedição de Martim Afonso,
em 1531, ou nas frotas armadas pelos donatários a partir de 1534 - além de não
possuírem às vezes óleo para o batismo ou unção, eram, na maioria, incultos. E
acabaram se transformando em mau exemplo para colonos e indígenas. E os bons,
espalhados pelo imenso litoral quase sem comunicação entre si, pouco podiam
fazer.
"Existem clérigos aqui. Mas a escória do que de lá vem. Não se devia
consentir embarcar sacerdotes sem ser a sua vida muito aprovada, porque estes
destroem quanto aqui se edifica...’’
Quando a coroa portuguesa começou a tratar da instituição do
governo-geral no Brasil, tentando encontrar uma solução para os problemas
administrativos da terra, demonstrou também uma grande preocupação com os
problemas da fé. Com a armada de Tomé de Souza, o primeiro governador-geral do
Brasil vieram cinco missionários jesuítas, chefiados pelo Padre Manuel da
Nóbrega. Chegando ao Brasil a 29 de março de 1549, já em abril ele escrevia à
corte: ’’Existem clérigos aqui. Mas a escória do que de lá vem. Não se devia
consentir embarcar sacerdotes sem ser a sua vida muito aprovada, porque estes
destroem quanto aqui se edifica...’’
Desde 1514 a jurisdição espiritual do Brasil obedecia a um
poder distante - o Bispado do Funchal -, e Nóbrega compreendia que enquanto essa
situação não fosse modificada, o sucesso de sua missão estaria sempre ameaçado.
Por isso, além de pedir um vigário-geral, em seu esforço para conseguir impor a
ordem entre os clérigos, o Padre Nóbrega chegou a solicitar que fosse mandado um
bispo para o Brasil. Só em 1550 seria criado o Bispado do Brasil, e o primeiro
bispo do Brasil - D. Pero Fernandes Sardinha- aqui chegaria em 1552.
Em 1553, com o segundo governador-geral, D. Duarte da Costa,
chegavam mais sete jesuítas, três padres e quatro irmãos. Nesse grupo vinha José
de Anchieta, que teria participação destacada não apenas na obra catequética mas
também na própria colonização do Brasil. Escolhido aos 19 anos pelo Colégio da
Companhia de Jesus, em Coimbra, que freqüentava desde 1550, para acompanhar a
armada, Anchieta, nos anos seguintes estará presente na fundação de São Paulo,
na expulsão dos franceses do Rio e na pacificação dos índios.
Nóbrega pretendia fazer com que a sua obra atingisse o
Paraguai, onde catequizaria os índios Carijós. Para isso, era necessário
estabelecer uma base de onde partissem as expedições missionárias. Ele ordenou
então a construção de um abrigo para os padres da Companhia de Jesus nos campos
de Piratininga, recebendo um grande auxílio de João Ramalho, náufrago português
que morava na região e era casado com a filha do chefe Tibiriçá - a índia Bartira.
Nasce uma cidade -
A 25 de janeiro de 1554 celebrava-se a primeira missa no
planalto. E, como se comemorava naquele dia a conversão do Apóstolo São Paulo, o
novo estabelecimento foi a ele dedicado. Nascia a Cidade de São Paulo.
Segundo Anchieta, logo depois de instalados, os missionários
passaram imediatamente à catequese: ’’Nesta aldeia, 130 de todo sexo foram
chamados para o catequismo e 36 para o batismo, os quais são todos instruídos na
doutrina, repetindo orações em português e na sua própria língua’’.
Ensinando às crianças índias - os curumins - os princípios da
fé cristã, Anchieta e os seus companheiros sentiam que estavam no caminho certo
para a conversão do restante das tribos. Os ‘’curumins’’ aprendiam com rapidez
e, muitas vezes, levavam o que aprendiam - catecismo, leitura, escrita e canto -
aos mais velhos.
|