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PENA
DE MORTE
Cristãos de todas as interpretações do Evangelho e de todos os
quadrantes do mundo, atentos à exemplificação do Eterno Benfeitor,
apartai o criminoso do crime, como aprendestes a separar o enfermo
da enfermidade!... - Emmanuel
Todos os fundadores das
grandes instituições religiosas, que ainda hoje influenciam
ativamente a comunidade humana, partiram da Terra com a segurança do
trabalhador ao fim do dia.
Moisés, ancião, expira na eminência do Nebo, contemplando a Canaã
prometida.
Sidarta, o iluminado construtor do Budismo, depois de abençoada
peregrinação entre os homens, abandona o corpo físico, num horto
florido de Kuçinagara.
Confúcio, o sábio que plasmou todo um sistema de princípios morais
para a vida chinesa, encontra a morte num leito pacífico, sob a
vigilância de um neto afetuoso.
E, mais tarde, Maomé, o criador do Islamismo, que consentiu em ser
adorado pelos discípulos, na categoria de imortal, sucumbe em
Medina, dentro de sólida madureza, atacado pela febre maligna.
Com Jesus, entretanto, a despedida é diferente.
O divino fundador do Cristianismo, que define a Religião Universal
do Amor e da Sabedoria, em plena vitalidade juvenil, é detido pela
perseguição gratuita e trancafiado no cárcere.
Ninguém lhe examina os antecedentes, nem lhe promove recursos à
defensiva.
Negado pelos melhores amigos, encontra-se sozinho, entre juízes
astuciosos, qual ovelha esquecida em meio de chacais.
Aliam-se o egoísmo e a crueldade para sentenciá-lo ao sacrifício
supremo.
Herodes, patrono da ordem pública, chamado a pronunciar-se em seu
caso, determina se lhe dê o tratamento cabível aos histriões.
Pilatos, responsável pela justiça, abstém-se de conferir-lhe o
direito natural.
E, entregue à multidão amotinada na cegueira de espírito, é
preferido a Barrabás, o malfeitor, para sofrer a condenação
insólita.
Decerto, para induzir-nos à compaixão, aceitou Jesus padecer em
silêncio os erros da justiça terrestre, alinhando-se, na cruz, entre
os injuriados e as vítimas sem razão, de todos os tempos da
Humanidade.
Cristãos de todas as interpretações do Evangelho e de todos os
quadrantes do mundo, atentos à exemplificação do Eterno Benfeitor,
apartai o criminoso do crime, como aprendestes a separar o enfermo
da enfermidade!
Educai o irmão transviado, quanto curais o companheiro doente!
Desterrai, em definitivo, a espada e o cutelo, o garrote e a forca,
a guilhotina e o fuzil, a cadeira elétrica e a câmara de gás dos
quadros de vossa penologia, e oremos, todos juntos, suplicando a
Deus nos inspire paciência e misericórdia, uns para com os outros,
porque, ainda hoje, em todos os nossos julgamentos, será possível
ouvir, no ádito da consciência, o aviso celestial do nosso Divino
Mestre, condenado à morte sem culpa:
— «Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra!»
EMMANUEL
(Do livro "Religião dos Espíritos, 50, FCXavier, FEB)
Reunião pública de
10/7/59
Questão nº 760
REALIZAÇÃO:
INSTITUTO ANDRÉ LUIZ
Site Espírita André Luiz
www.institutoandreluiz.org/
Gravura: Dionísio Leitão (2006)
(http://catedral.weblog.com.pt/arquivo/poesia_ilustrada/index)
Música: Ernesto Cortazar em "Leaves in the Wind"
Formatação: Spiritual (Instituto André Luiz)
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