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"Não existem obrigações de cativeiro para ninguém nos fundamentos
morais da Criação, assim como um ser não dispõe de regalias para
abusar impunemente de outro, sem que a vítima se veja
espontaneamente liberta de qualquer compromisso para com o
agressor." - Emmanuel
UNIÃO INFELIZ - SEPARAÇÃO - ABANDONO - VIOLÊNCIA
DIREITO À NOVA UNIÃO - FILHOS
UNIÃO INFELIZ - SEPARAÇÃO
Pergunta - Qual o fim objetivado com a reencarnação?
Resposta - Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem
isto, onde a justiça?
Item n° 167, de "O livro dos Espíritos".
Dolorosa, sem dúvida, a união considerada menos feliz. E, claro, que
não existe obrigatoriedade para que alguém suporte, a contragosto, a
truculência ou o peso de alguém, ponderando-se que todo espírito é
livre no pensamento para definir-se, quanto às próprias resoluções.
Indiscutivelmente, os débitos que abraçamos são anotados na
Contabilidade da Vida; todavia, antes que a vida os registre por
fora, grava em nós mesmos, em toda a extensão, o montante e os
característicos de nossas faltas. A pedra que atiramos no próximo
talvez não volte sobre nós em forma de pedra, mas permanece conosco
na figura de sofrimento. E, enquanto não se remove a causa da
angústia, os efeitos dela perduram sempre, tanto quanto não se
extingue a moléstia, em definitivo, se não a eliminamos na origem do
mal. Nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias; no
entanto, é também dentro delas que somos habitualmente defrontados
pelas mais duras provações. Isso porque, embora não percebamos de
imediato, recebemos, quase sempre, no companheiro ou na companheira
da vida intima, os reflexos de nós próprios. É natural que todas as
conjunções afetivas no mundo se nos figurem como sendo encantados
jardins, enaltecidos de beleza e perfume, lembrando livros de
educação, cujo prefácio nos enleva com a exaltação dos objetivos por
atingir.
A existência física, entretanto, é processo específico de evolução,
nas áreas do tempo, e assim como o aluno nenhuma vantagem obterá da
escola se não passa dos ornamentos exteriores do educandário em que
se matricula, o espírito encarnado nenhum proveito recolheria do
casamento, caso pretendesse imobilizar-se no êxtase do noivado. Os
princípios cármicos desenovelam-se com as horas. Provas, tentações,
crises salvadoras ou situações expiatórias surgem na ocasião exata,
na ordem em que se nos recapitulam oportunidades e experiências,
qual ocorre à semente que, devidamente plantada, oferece o fruto em
tempo certo. O matrimônio pode ser precedido de doçura e esperança,
mas isso não impede que os dias subseqüentes, em sua marcha
incessante, tragam aos cônjuges os resultados das próprias criações
que deixaram para trás. A mudança espera todas as criaturas nos
caminhos do Universo, a fim de que a renovação nos aprimore. A jovem
suave que hoje nos fascina, para a ligação afetiva, em muitos casos
será talvez amanhã a mulher transformada, capaz de impor-nos
dificuldades enormes para a consecução da felicidade; no entanto,
essa mesma jovem suave foi, no passado - em existências já
transcorridas -, a vítima de nós mesmos, quando lhe infligimos os
golpes de nossa própria deslealdade ou inconseqüência, convertendo-a
na mulher temperamental ou infiel que nos cabe agora relevar e
retificar. O rapaz distinto que atrai presentemente a companheira,
para os laços da comunhão mais profunda, bastas vezes será
provavelmente depois o homem cruel e desorientado, suscetível de
constrangê-la a carregar todo um calvário de aflições, incompatíveis
com os anseios de ventura que lhe palpitam na alma. Esse mesmo rapaz
distinto, porém, foi no pretérito - em existências que já se foram -
a vítima dela própria, quando, desregrada ou caprichosa, lhe
desfigurou o caráter, metamorfoseando-o no homem vicioso ou fingido
que lhe compete tolerar e reeducar. Toda vez que amamos alguém e nos
entregamos a esse alguém, no ajuste sexual, ansiando por não nos
desligarmos desse alguém, para depois somente depois - surpreender
nesse alguém defeitos e nódoas que antes não víamos, estamos à
frente de criatura anteriormente dilapidada por nós, a ferir-nos
justamente nos pontos em que a prejudicamos, no passado, não só a
cobrar-nos o pagamento de contas certas, mas, sobretudo, a
esmolar-nos compreensão e assistência, tolerância e misericórdia,
para que se refaça ante as leis do destino. A união suposta infeliz
deixa de ser, portanto, um cárcere de lágrimas para ser um
educandário bendito, onde o espírito equilibrado e afetuoso, longe
de abraçar a deserção, aceita, sempre que possível, o companheiro ou
a companheira que mereceu ou de que necessita, a fim de quitar-se
com os princípios de causa e efeito, liberando-se das sombras de
ontem para elevar-se, em silenciosa vitória sobre si mesmo, para os
domínios da luz.
EMMANUEL
(Do livro Sexo e Vida, 9, FCXavier, FEB)
ABANDONO, VIOLÊNCIA E FILHOS. COMO AGIR?
"Os
laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos.
O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito,
porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o
pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe
fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o
desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo
progredir."
Do item 8, do Cap. XIV, de "O evangelho Segundo o Espiritismo".
Entre os casais, surge comumente o problema do abandono, pelo qual o
parceiro lesado é compelido à carência afetiva. Criaturas integradas
na comunhão recíproca, o afastamento uma da outra provoca,
naturalmente, em numerosas circunstâncias, o colapso das forças mais
íntimas naquela que se viu relegada a escárnio ou esquecimento.
Justo observar que toda criatura prejudicada usufrui o direito de
envidar esforços na própria recuperação. Análogo princípio prevalece
nas conjunções do sentimento, sempre efetuadas com fins determinados
em vista. O companheiro ou a companheira menosprezada no círculo
doméstico detém a faculdade de refazer as condições que julgue
necessárias à própria euforia, com base na consciência tranqüila.
Não existem obrigações de cativeiro para ninguém nos fundamentos
morais da Criação. Um ser não dispõe de regalias para abusar
impunemente de outro, sem que a vítima se veja espontaneamente
liberta de qualquer compromisso para com o agressor.
Em matéria afetiva, porém, se a união sexual trouxe filhos à
paisagem terrestre, é razoável que as Leis da Vida reconheçam na
criatura lesada a permissão de restabelecer a harmonia vibratória em
seu mundo emotivo, logicamente dentro da ética que sustenta a
tranqüilidade da vida intima; entretanto, essas mesmas Leis da Vida
rogam, sem impor, às vítimas da deslealdade ou da prepotência que
não renunciem ao dever de amparar os filhos, notadamente se esses
filhos ainda não atingiram a puberdade que lhes traçará começo à
compreensão dos problemas sexuais que afligem a Humanidade. Em
sobrevindo semelhantes crises, haja no parceiro largado em desprezo
uma revisão criteriosa do próprio comportamento para verificar até
que ponto haverá provocado a agressão moral sofrida e, embora se
reconheça culpado ou não, que se renda, antes de tudo, à desculpa
incondicional, ante o ofensor, fundindo no coração os títulos ternos
que tenha concedido ao companheiro ou à companheira da comunhão
sexual no título de irmão ou de irmã, de vez que somos todos
espíritos imortais, interligados perante Deus, através dos laços da
fraternidade real.
Aprenda o parceiro moralmente danificado que só pelo esquecimento
das faltas uns dos outros é que nos endereçaremos à definitiva
sublimação e que nenhum de nós, os filhos da Terra, está em
condições de acusar nos domínios do sentimento, porquanto os
virtuosos de hoje podem ter sido os caídos de ontem e os caídos de
hoje serão possivelmente os virtuosos de amanhã a quem tenhamos
talvez de rogar apoio e bênção, quando a Justiça Eterna nos venha
descerrar a imensidão de nossos débitos, acumulados em existências
que deixamos para trás nos arquivos
do tempo.
Homem ou mulher em abandono, se tem filhos pequeninos, que se
voltem, acima de tudo, para essas aves ainda tenras do pábulo
doméstico, agasalhando-as sob as asas do entendimento e da ternura,
por amor a Deus e a si mesmos, até que se habilitem aos primeiros
contactos conscientes com a vida terrestre, antes de se aventurarem
à adoção de nova companhia; isso porque podem usar a atribuição
natural que lhes compete, no que se refere a possíveis renovações,
sem se arriscarem a agravar os problemas dos filhos necessitados de
arrimo e sem complicarem a própria situação perante o futuro.
EMMANUEL
(Do livro Sexo e Vida, "Filhos", 10, FCXavier, FEB)
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